Archive for Novembro, 2006

Perspectivas

30 Novembro 2006

No ultimo numero da Newsweek (27.11.2006), estao publicados alguns artigos de opiniao extremamente interessantes (e preocupantes) sobre a questao do veu (e nao so) no Islao. Com pontos de vista opostos, a celebre ex-deputada holandesa e ex-refugiada somali Ayaan Hirsi Ali e Fareena Alam, aparentemente nascida e criada na Gra-Bretanha, editora da revista muculmana britanica “Q-News”.

Li com algum interesse, ja que gosto sempre de ler diversos pontos de vista, o que escreveram mas fiquei algo “congelado” pela forma como termina o seu artigo, como se nos nao nos tivessemos ainda apercebido da realidade. Termina ela assim:

“And a final point, in case it isn’t obvious: we’re not foreigners anymore. We live here. Most of us have already integrated, veil or no veil.”

Nem mais. Ja quanto a integracao e completamente discutivel.

[foto] Criancada

30 Novembro 2006

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Esta e realmente uma forma simpatica de se recuperar. Enfiaram-me numa festa de aniversario de familia, com churrasco, muito sol e gente animada. Sobretudo os putos que fazem sempre uma grande festa. E estes, desta, tiveram uma das grandes. O futuro, este, tambem passa por eles. O contraste e enorme, com o ambiente envolvente onde o modus vivendi intra muros e o unico possivel…

[foto] Simpatico

30 Novembro 2006

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Problemas tecnicos

29 Novembro 2006

Nao me tem permitido colocar aqui algumas das fotografias que fui tirando entretanto. Apesar disso, a diversao continua (parem de me mandar e-mails pa! So hoje, 47 da empresa…) por estas paragens. Hoje foi dia de piscina com um sol de rachar, com direito a escaldao, descanso e conhecer pessoas novas tao mas taooooooo interessantes! (Sera um dos efeitos colaterais de estar ha tanto tempo sem sair de Angola? :S)

O Zapiro continua em grande forma. Um dos melhores cartoonistas que conheco, a par de um Plantu, sempre na mouche. E com ele, a Africa do Sul que nao da quaisquer sinais de abalo com a mudanca de sistema, antes pelo contrario. Continua a fazer-me alguma confusao a forma como se vive por ca, em condominios completamente fechados, cheios de seguranca, aliados a niveis de criminalidade impressionantes e a forma como as pessoas reagem no quotidiano: life goes on as usual. Extremamente simpaticas, um espanto. Verdadeiramente.

A maos d’oiro

28 Novembro 2006

Ha sempre uma parte boa nestas coisas, apos a cena sempre macaca de nos tocar uma enfermeira ja a beira da reforma quando se trata de tomar banho na cama do hospital. E ai, tambem por ca e assim, a mesma tecnica…

A parte boa foi mesmo hoje. Depois de ter sido despachado pelo medico e informado que a recuperacao demoraria entre 2 a 3 semanas por estas bandas, com a fisioterapia adequada, levaram-me de imediato ao melhor local possivel e imaginario. A entrada, a placa com os nomes das terapeutas: uma portuguesa e uma sul-africana. Fico sempre parvo quando me meto com elas em portugues e despacham-me logo em ingles depois de umas parcas palavras na nossa lingua. Antes assim. Fui recebido pela sul-africana, loira, olhos azuis e origem holandesa. Que maooooooosssssssss! Nao quero outra coisa. Vou querer fisioterapia todos os dias. Mamma!!! Agarrou-se-me as pernas com tal afinco que temo ficar curado antes do tempo. E ela tao novita, vinte e tal anos, simpatica sempre com um sorriso engracado e uma tecnica claramente acima da media! Esta Africa do Sul promete… ;)

A guesthouse

27 Novembro 2006

Optou-se por esta solucao por ser mais apropriada a situacao. Gente conhecida de ha muitos anos, ela escocesa e marido ingles, pouca gente e atendimento extremanente personalizado. Ela incansavel, tem andado comigo para tras e para a frente, excelente cozinheira, bom sentido de humor e, acima de tudo, a 5 min do hospital.

Acima de tudo, a possibilidade de neste periodo de recuperacao estar a ser bem acompanhado e integrado num outro espaco que nao o habitual ou na frieza de um qualquer hotel, a contar as horas. Tem sido extremamente interessante para mim perceber e ouvir mais do que se passa actualmente na Africa do Sul, a partir de quem ja ca vive ha mais de 30 anos. Deles e dos filhos agora com 20 e 21 anos. Tem sido uma experiencia interessante. Ate para as fotografias da praxe… :P

O espaco tem excelentes condicoes, desde piscina a jardim, bons quartos, area de churrascada a serio, muita vida animal na area, muito verde, enfim extremamente relaxante e agradavel.

G. na Africa do Sul

27 Novembro 2006

O G. e um patusco alemao que veio a Joanesburgo para uma accao de formacao na Sasol. Supostamente era para ter comecado na sexta-feira e terminado no sabado, mas nada! O alemao lixado no fim-de-semana com a situacao por ja ter tudo programado para outras paragens. A parte a historia recambolesca do fim-de-semana – sim, nao e so a mim que acontecem coisas fora do normal – hoje apanharam-no as 6 da manha para iniciar a formacao. Ontem a noite, quando nos despedimos, estava todo entusiasmado porque, finalmente, ia comecar a trabalhar e na quarta-feira regressaria a Alemanha.

Estavamos a varanda quando vimos o G. chegar. O que nos fartamos de rir com a historia que nos contou, e indescritivel. A ele, alemao! Com aquela rigidez que lhes e caracteristica, os sul-africanos bateram-no aos pontos. Quando chegou as instalacoes petroquimicas, submeteram-no a uma accao de formacao de higiene e seguranca de 6 horas (!). De seguida, enfiaram-no numa sala para fazer testes psicotecnicos com 81 perguntas (ahahahaha), para ser colocado numa cabine apertadissima – tambem o tipo e grandinho – sem ar condicionado com auscultadores nos ouvidos para testar a sua audicao durante 15 minutos. Acabado o teste, teve que fazer analises a urina, ao sangue, raios X, entre outros, para ser chumbado na medicao da tensao arterial. Por estar muito elevada, e apesar dos seus protestos invocando quao apertada era a cabina onde anteriormente tinha realizado os testes de audicao, que ela era muito bonita e que era a primeira vez que estava em Africa, nao foram na conversa e mandaram-no para o medico por forma a ser medicado para a tensao arterial. O que gozamos com o G. e com a forma como contou a historia! LOL. Ele, o alemao que iria dar formacao ao pessoal sul-africano durante 2 dias, ser chumbado e examinado com tanto detalhe… Ele e o motorista, lol, que tambem foi examinado e foi chumbado por nao ver um boi a sua frente! AHAHAHHAHA! Nem queria acreditar. Nem nos!

Done!

26 Novembro 2006

Apareceu um tipo grande todo coberto a minha procura no quarto. Mau pressagio, afinal era mesmo para me levar para o theatre. Descemos para a cave e encostaram-me a parede ladeado por mais pacientes em stand-by para a sua vez. O anestestista espectacular. Todo sorridente, trocamos algumas impressoes e tive que lhe fazer a pergunta: “Comue? Local?….” Foi com grande alivio que ele me disse ser geral. Prefiro, mil vezes. Como e que eu iria suportar ver o cirurgiao pegar no martelo e no escopro, desatar a martelar no joelho, pegar na serra e afins? So se me vendassem os olhos e me dessem um MP3 que tivesse uma potencia de som que me pusesse quase surdo. Disse-me ele que a operacao e de tal forma dolorosa que nao suportaria as dores, ate porque poderia dar-me a epidural mas que nao aconselhava porque so se conhecem os casos de sucesso, os outros nao sao muito revelados. E como nao estava gravido…

Ja no bloco, o medico acolheu-me todo sorridente. Um afrikaner espectacular. Ja dentro dos 40 e picos, alto, loiro, grande e um ar extremamente simpatico e cool. Mostrou-me no monitor o que se passava com o joelho, mas como estava sem oculos foi a mesma coisa que nada… Mas informou-me que o menisco tinha ido para o meio do joelho, atras da rotula, abaixo do femur e acima da tibia e do peronio – acho que acertei na componente anatomica – pelo que tentaria recoloca-lo no sitio. Mostrou-me de seguida como e que faria a intervencao com todo o material high-tech e que ate ia gravar tudo em DVD para me dar. Uau! Vou poder ver do que e sou feito e a estupidez que fiz ao joelho.

Ja deitado, o anestesista e a ajudante a procura de veias na mao esquerda e eu a pedir-lhes para irem para a direita que tinha mais veias mas nao, tinha que ser aquela.

– Now this is gonna be the worst part of this all. This might hurt a little bit. – disse-me o anestesista enquanto tentava enfiar a agulha na mao.

– Don’t worry. Just go ahead as I like to think of myself as a tough guy. – disse-lhe eu cheio de coragem inexistente provocando o sorriso da equipa do bloco.

Nao me lembro de mais nada. Apenas de acordar meio grogue e, como sempre, sentar-me de imediato na maca e querer ir embora, lol. Afinal, a operacao que deveria ter demorado 40 minutos demorou 2 horas e meia tendo o cirurgiao conseguido recolocar o menisco no sitio e restaura-lo aplicando-lhe 2 pontos. Ufa.

Apesar de tudo, muita sorte. As aventuras no quarto foram demais com uma presenca excentrica de um joquei com grandes crencas tradicionais e do que la se passou durante a noite.

No Suninghill Hospital

24 Novembro 2006

Cheguei a pensar escrever algo do genero “Aventuras e desventuras de um handicapado temporario”, mas pareceu-me longo demais. Porreiro o hospital, parecido com um hotel. Tem todo um conjunto de “facilidades” que tornam o espaco agradavel. Tal como poder escrever este post. Bom, na realidade, fui de tal forma insistente que acabaram por me deixar ter acesso ao PC do administrativo do meu andar ;)

Ontem fui visto pelo Dr. H. Volkersz, cirurgiao ortopedico. Antes de ser recebido, fiquei algo arrepiado com o que estava exposto na sala de espera. Havia uma mesa de centro com um tampo de vidro que permitia observar todo um conjunto de instrumentos, proteses, placas metalicas e parafusos (entschuldigung Herr Doktor?!). Ao meu lado esquerdo, um armario que, para alem de uma replica do triplano do Barao Vermelho (bonita, por acaso) tinha um conjunto ainda maior de instrumentos. Confesso que quando fui recebido ainda lhe disse que ja estava quase curado, ate ja conseguia estar de pe e andar. E que com umas massagens e alguma fisioterapia estaria em condicoes de, em pouco tempo, poder competir com o Obikwelu. Sorriu e baixou os olhos para me informar que a cirurgia teria lugar hoje! Blaaaaa :(

Fixe foi a ressonancia electromagnetica. De olhos fechados ate parece que estamos a realizar uma viagem no espaco, a velocidades estonteantes, projectados por forcas gravitacionais e apanhando boleias em quaisquer tuneis do espaco-tempo, dai aqueles barulhos formidaveis. Acabada a viagem o diagnostico: montes de fluidos e menisco torcido (ufa! afinal esta so torcido. Eu bem disse que nao era nada e que estaria quase bom. Ja nem sequer tinha dores!).

Parece que persistem na intervencao. Disseram-me ha instantes que e melhor ja do que ficar com um problema para o futuro. Ok. Nao ha crise. Ja me puseram 3 pulseiras no pulso. A branca e a amarela ainda percebo, a cor-de-rosa e que nao estou a ver bem porque…

E chega de treta. Esta marcada para mais logo. Ultimos dados, das 5:30 de 24.11.2006: tensao arterial 122/82, pulsacao 55, O2 no sangue (esta e nova!) 98%.

Em Jo’burg

22 Novembro 2006

Chegado apos uma seca de 4 horas no aeroporto de Luanda e sucessivos atrasos do voo. Claro que passei por varias peripecias, sendo de destacar a ocorrida no aeroporto de Luanda apos o controlo de passaportes. Entre a DEFA e a sala de embarque ha um controlador de metais – semelhante ao que existe em Lisboa e qualquer parte do mundo – por onde os passageiros passam. Esvaziados os bolsos, passei pelo detector de metais com as muletas e claro que a maquina apitou. Mandaram-me voltar para tras, apesar de varias pessoas estarem a dizer que era das muletas. Como ja sei o que a casa gasta e perante a insistencia dos tipos, enfiei a merda das muletas na maquina de raios qualquer coisa e passei o detector de metais ao pe coxinho sem apitar. E nao me apetece fazer muitos comentarios sobre isto, para alem de dizer muitas asneiras. Primeiro perderam o meu passaporte o que fez com que nao gozasse ferias, nao consegui sair antes do pais porque andavam a procura do passaporte ate o encontrarem e, finalmente, obrigam-me a passar o detector de metais ao pe coxinho? Dasseeeeeeeeee! @*+?#$%&!!!

Bom, a ligacao a net e muito ma (dial-up e uns miseros 42.6 Kbps nominais – tipo taxas de juro dos emprestimos) pelo que, muito provavelmente, nao sera possivel andar muito por aqui. Andiamo vedere cosa sucede

Melhor Blog 2006

22 Novembro 2006

Andava aqui a pensar para os meus botões se não se arranjaria assim, como quem não quer a coisa, um prémio do género o “melhor blog emigrante residente em Luanda, com vista para o mar”, para ver se o meu ego não vai de rastos para Portugal?

[foto] A caminho de Muxima

21 Novembro 2006

Chegar a Kabala foi obra do acaso já que não fazíamos ideia qual o local onde terminaria a estrada. E muito menos sabíamos que tinha fim, quando abalámos estrada fora. Aí chegados, deparámo-nos com um ferry-boat que mais parecia uma plataforma com motores, o qual se encontrava avariado. Ali, imóvel, à espera de peças para reparação dos motores, os candongueiros do rio aproveitavam para fazer os seus business, conforme se pode ver na fotografia.

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O barco em si era excelente, independentemente do conforto oferecido aos passageiros transportados em classe única. Tinha motor e tudo…

É daquelas imagens que me transportam rapidamente para Moçambique. Dos rios que atravessei em “embarcações” genuínas, feitas em troncos escavados, sem motor. Com tanta ou mais gente do que a que se vê na fotografia, com mota – a nossa – e ainda toda a carga dos passageiros que incluíam bicicletas, mantimentos, gasóleo e peças de vestuário, entre outros. E era ver o “capitão” da embarcação a coordenar o local onde os passageiros deviam estar para ter a almadia equilibrada. Uma vez a almadia organizada, remava-se junto à margem rumo à nascente, para então se atirar – a ele e a nós que com ele íamos – destemido para o meio da fortíssima corrente que carregava tudo à sua frente. E eles remavam vigorosamente de modo a que a almadia descrevesse a diagonal desejada para chegar à outra margem. O alívio que sentíamos ao chegar à outra margem sem que a almadia se tivesse virado no rio com crocodilos era enorme! Era assim que íamos para Vila Valdez, uma das nossas plantações, via Zalala e Macuse, sendo este episódio o derradeiro rio que era necessário atravessar para se chegar a Vila Valdez. A zona de influência do delta do Zambeze é impressionante.

[foto] Atalho

21 Novembro 2006

Por cá, vale tudo. Esta foi tirada casualmente na marginal com alguém a fazer inversão de marcha numa estrada que serve igualmente como pista para teste de carros e acrobacias, com carros e motas. Os semáforos estão lá, os traços também, já para não falar dos sinais. Ah, e a polícia também vai andando por aí. Mas que ainda vale tudo, vale. Resumindo, nunca poderia fazer uma série de posts como os da catarina “no semáforo vermelho” pois tal, por cá, é completamente impossível!

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What da fuck?

21 Novembro 2006

Tradução: o que é que ainda estou a fazer aqui?!

Talvez amanhã para a África do Sul. Senão, 5ª feira para Portugal. Bonito, bonito…

[foto] Nos tempos do Marburg

21 Novembro 2006

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[foto] Marginal à noite

21 Novembro 2006

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[foto] Baixa de Luanda

21 Novembro 2006

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[foto] Gosto disto

18 Novembro 2006

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[foto] C.

18 Novembro 2006

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Buracos negros

18 Novembro 2006

Não deixo de ter pena, ao constatar para mim, da existência de buracos negros com forma humana.

Pesadelos

18 Novembro 2006

Encontrava-me num qualquer sítio, aparentemente na Europa, num país germânico pois agradeci em alemão a uma delicadeza de alguém. Dei comigo numa paragem de autocarro com um conhecido sem que me recorde de quem se tratava. Esperávamos calmamente pelo transporte, num ambiente tranquilo, quando, de repente, começámos a ouvir tiros. Vários. Não muito longe do local onde nos encontrávamos. Afastei-me alguns metros da paragem para tentar indentificar a origem dos tiros quando todo o cenário mudou, repentinamente. Obervei o local que estava a ser alvo dos tiros e que era uma esquadra da polícia, toda ela pintada com o azul forte característico. Era bem visível o tracejado das balas, o seu impacto na parede e audíveis as rajadas que lhes davam origem. O som característico da kalachnikov. A resposta era igualmente forte. Ao regressar para o local de onde partira para alertar os demais, confirmei a mudança de cenário constatando estar em território africano. Mal começara a falar, fui interrompido pelo aproximar de homens fardados de beige armados com AK47, agachados por entre os carros enquanto os combates prosseguiam. Levaram-nos rapidamente para uma sala onde ficámos aparentemente detidos. Ao longe observávamos movimentações de comboios, misto ferroviários/rodoviários (não sei como), com vagões metálicos hexagonais prateados os quais acabariam por descarrilar com o deflagrar de engenhos explosivos. Com grande habilidade, as tropas espanholas (porquê espanholas?) que se encontravam nas imediações acabaram por conseguir controlar a situação e o comboio prosseguiu a sua marcha (já não me lembro bem onde é que entravam aqui os camiões). Procurei uma forma de me afastar do local onde estava invocando a necessidade de fazer uma chamada telefónica numa cabine ali próxima e daí encetar uma tentativa de fuga. Quando me apercebi que tinham descoberto os meus intentos acordei. Pouco passava das duas da manhã, com a garganta seca.

Há muito que não me lembrava de um sonho/pesadelo. Provavelmente lembro-me perfeitamente deste porque foi interrompido abruptamente quando vi os tais tipos de beige na minha direcção com cara de poucos amigos.

[foto] Baía junto ao Porto by night

18 Novembro 2006

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Comentário

18 Novembro 2006

Com direito a post. O primeiro comentário do meu pai nestes 2 anos de blogger. Uma honra. Ei-lo:

Tarolas Says:
Novembro 17th, 2006 at 2:58 am

Finalmente vim cá parar…Gostei muito dos parabéns, mas não me agradou andares a medir as “pilas” no ginásio… Aquela de Joanesburgo foi boa! Valeu a pena o investimento na máquina, porque o resultado compensa. Um abraço”

Um abração, claro!

Adiamento

18 Novembro 2006

Da partida para a África do Sul. Saída apenas na próxima 3ª feira, ainda dentro do prazo definido pelos médicos para uma assistência, por razões profissionais – tem sido reuniões importatíssimas todos os dias, desde 4ª feira até hoje – e por razões documentais (incrível e sempre um dos cenários avançados hipoteticamente agora materializado). O joelho que aguente. Ele e eu.

[foto] Floresta

16 Novembro 2006

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Jo’burg

16 Novembro 2006

Para os amigos. Foi a minha primeira entrada em África, não considerando a aterragem em Kinshasa à ida. A Kinshasa tórrida e húmida vista no aeroporto graças à porta aberta pelo meu pai nas traseiras do avião, para que visse melhor as relíquias da aeronáutica que por ali estavam parqueadas. A Kinshasa dos telhados de chapa de zinco reluzentes, no topo das casas ao longo de uma vasta extensão junto ao rio Zaire.

A aproximação a Jo’burg proporcionou-me um sem número de novas paisagens que nunca antes conhecera. A imensidão do deserto, a terra vermelha, a zona das minas de ouro e a cidade do planalto. Naquele inverno europeu, verão escaldante na África do Sul, o apartheid estava a dar as últimas sendo já permitido, no hotel em que ficámos, a entrada de negros. Ficámos no Sun Towers, perto de Small Street local onde depois das 16-17h era difícil encontrar um branco. Hoje o hotel já desapareceu já que se encontrava numa área que passou a ser de extrema insegurança. Tal como o hotel, Small Street mirrou remetendo para a história todo o seu esplendor. Poucos dias depois rumámos para Pretória tendo eu ficado perplexo com o nível das infraestruturas, com o civismo dos condutores, com a organização, com a arrumação do espaço físico, com a simpatia das pessoas. Tal como fiquei com a entrada e permanência de vários dias no Kruger e de tudo o que lá vi. O fim de tarde dentro da piscina num plano elevado com vista sobre o rio que ali passava, não muito distante, com os hipopótamos e antílopes a deliciarem-nos com as suas movimentações. E o pôr-do-sol. E o amanhacer. E a batucada para o pequeno-almoço. E o calor. E o calor das pessoas. E as cores. Das fardas, das árvores, dos animais, do céu, das nuvens, da terra, da fruta, ah! África.

Disse ao meu pai olhando para o mapa, para darmos um salto a Moçambique. Claro que não fomos. Mal sabia eu que 4 anos mais tarde lá estaria de armas e bagagens… Tal como agora, 15 anos depois, uma estadia mais prolongada em Jo’burg.

Regressou

16 Novembro 2006

Embora de cá nunca tivesse saído, a cólera continua a fazer vítimas em Luanda. Os últimos dados apontam para 4 novos casos diariamente no município do Cacuaco, onde tudo começou no ano passado. Dados da OMS e ONGs apontam para largas centenas de novos casos, de 24.10 a 8.11, incluindo algumas dezenas de mortos. Não é difícil de imaginar, agora com o início da época das chuvas, qual a evolução previsível da epidemia.

[foto] Evolução da baía

16 Novembro 2006

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Acho que vou ter que dizer adeus a este apartamento, tão porreiro. Primas: estão a trabalhar 24/24 e isto vai durar 5 anos! Sigas: vão construir 5 torres de 20 e tal andares no aterro que se está a ver à frente, segundo os últimos relatos. Trigas: poderá haver uma melhoria da qualidade de vida após a conclusão das obras, mas duvido que ainda esteja por cá.

África madrugadora

16 Novembro 2006

Se me dissessem há uns bons anos atrás que acordar às 5 e tal da manhã seria normalíssimo, diria que alguém estaria grosso. Eu, um noctívago inveterado que sempre gostei da noite. Do silêncio da noite. Desde que vim para África, ainda gosto da noite mas já me habituei a acordar cedo. Como hoje. Deu para ver o raiar do dia, às 5:36. Cerca de uma hora mais tarde, a visita do médico para ver a evolução do joelho. Parece que voarei já no sábado para Jo’burg. Adiante. Receber o Dr. T. é sempre agradável, pois constitui uma boa oportunidade para dois dedos de conversa.

[foto] Vroommmmm!

14 Novembro 2006

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Teste com a máquina fotográfica (objectos em movimento). O gozo ainda está no início com muito a aprender.