Jo’burg

Para os amigos. Foi a minha primeira entrada em África, não considerando a aterragem em Kinshasa à ida. A Kinshasa tórrida e húmida vista no aeroporto graças à porta aberta pelo meu pai nas traseiras do avião, para que visse melhor as relíquias da aeronáutica que por ali estavam parqueadas. A Kinshasa dos telhados de chapa de zinco reluzentes, no topo das casas ao longo de uma vasta extensão junto ao rio Zaire.

A aproximação a Jo’burg proporcionou-me um sem número de novas paisagens que nunca antes conhecera. A imensidão do deserto, a terra vermelha, a zona das minas de ouro e a cidade do planalto. Naquele inverno europeu, verão escaldante na África do Sul, o apartheid estava a dar as últimas sendo já permitido, no hotel em que ficámos, a entrada de negros. Ficámos no Sun Towers, perto de Small Street local onde depois das 16-17h era difícil encontrar um branco. Hoje o hotel já desapareceu já que se encontrava numa área que passou a ser de extrema insegurança. Tal como o hotel, Small Street mirrou remetendo para a história todo o seu esplendor. Poucos dias depois rumámos para Pretória tendo eu ficado perplexo com o nível das infraestruturas, com o civismo dos condutores, com a organização, com a arrumação do espaço físico, com a simpatia das pessoas. Tal como fiquei com a entrada e permanência de vários dias no Kruger e de tudo o que lá vi. O fim de tarde dentro da piscina num plano elevado com vista sobre o rio que ali passava, não muito distante, com os hipopótamos e antílopes a deliciarem-nos com as suas movimentações. E o pôr-do-sol. E o amanhacer. E a batucada para o pequeno-almoço. E o calor. E o calor das pessoas. E as cores. Das fardas, das árvores, dos animais, do céu, das nuvens, da terra, da fruta, ah! África.

Disse ao meu pai olhando para o mapa, para darmos um salto a Moçambique. Claro que não fomos. Mal sabia eu que 4 anos mais tarde lá estaria de armas e bagagens… Tal como agora, 15 anos depois, uma estadia mais prolongada em Jo’burg.