Archive for Dezembro, 2006

Aos seus lugares!

31 Dezembro 2006

Hummmmmm último dia do ano. Não faço grandes balanços, já que a vida é um acto contínuo e não é propriamente no último dia do ano que reflicto sobre acções/situações passadas. O passado pertence aos livros de história, bons para ir relendo a tempos, tal como o da nossa vida pessoal que acaba por sedimentar-se, em camadas sobrepostas, no nosso eu mais recôndito, cujo acesso implica sempre um grande esforço, quando deliberado ou provocado, e nem sempre com os melhores resultados. Afinal os anos são todos feitos de grandes momentos, bons e maus. Intensos, de preferência, como eu os gosto. No pain, no gain, assim fui treinado. E este foi um vintage, saboreado demoradamente, a cada trago. O futuro será sempre melhor. É tudo uma questão de perspectiva que ultrapassa o estritamente material.

Por muito lírico que possa parecer, há pequenos pormenores que tornam esta passagem algo de verdadeiramente extraordinário, acima de tudo o que nos possa arreliar no dia-a-dia. É preciso é sair de alguma letargia e começar a viver o que é realmente importante e que nos faz feliz, a nós e aos outros. E é tanto. Como escrevia Tupak Soiree em “O que aprendi na montanha”, fui à pesca!

E agora, nada mais nada menos, proveniente de muito longe e a breves instantes de chegar até ao local em que nos encontramos, é com grande prazer e alegria que daremos as boas vindas a 2007!!! Depressa: foguetes! champanhe! beijos! abraços! festinhas! strip-tea… (grumpf! Isto de tirarem um microfone a um gajo enquanto discursa, está mal!)

OpenOffice, a alternativa

31 Dezembro 2006

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Após ter mudado do Lotus 1-2-3 (fantástico), DBase e Wordstar, nos tempos das disquetes de 5 1/4 e 3 1/2, ah! e dos 8086, para o Microsoft Office, nova mudança ao fim de 14 anos de relacionamento intenso. Fartei-me. Tal como há uns 2 anos passei do Internet Explorer para o Mozilla Firefox. Bastante mais rápido e, num primeiro olhar, com grande potencial, adoptei o OpenOffice 2.1 da Sun Microsystems. Totalmente gratuito aqui e descrição dos programas aqui. :)

Está?

30 Dezembro 2006

Ao folhear os jornais deste fim-de-semana, deparei-me com uma situação insólita e totalmente inesperada. Foi notícia de jornal, por cá, a missiva remetida por um ministro ao primeiro, a desejar um ano de 2007 cheio de prosperidade. Se a moda pega…

África na berra

30 Dezembro 2006

Depois de décadas de estagnação da grande maioria das economias do continente africano, têm surgido cada vez mais, nos tempos mais recentes, histórias de sucesso relativo quanto à viragem da página do subdesenvolvimento. Se assim os governos o quiserem e se as condições de mercado o permitirem. Se, inicialmente, o reescalonamento e/ou perdão (parcial ou não) da dívida externa de muitos destes países permitiu-lhes reafectar recursos financeiros, actualmente vive-se um verdadeiro boom de bonança proporcionado pela forte subida das cotações internacionais das matérias-primas.

Se a Zâmbia estava numa rota descendente devido à forte queda das cotações do cobre a partir de 1975, a espectacular subida de $3.270/ton em Janeiro de 2005 para $8.009/ton em Maio de 2006, sendo o terceiro maior produtor mundial, permitiu ao pais olhar o futuro de forma diferente. Baixa inflação (<10%), redução da dívida interna e externa, apreciação da moeda e aumento do investimento estrangeiro, criaram condições para uma melhoria substancial da actividade económica. Simultaneamente, e de modo a reduzir a dependência do cobre, a Zâmbia tem incentivado a produção de outros recursos minerais como o níquel, urânio, ouro, diamantes, zinco e cobalto.

No mundo do petróleo são igualmente de assinalar importantes desenvolvimentos. Para além dos já conhecidos casos da Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe, o mais recente, com importantes reservas a serem descobertas, é o Uganda. De assinalar igualmente a forma excepcional como evoluíram alguns indicadores da economia nigeriana. Défice orçamental de 1,1%, dívida pública nos 28,3% do PIB e, mesmo assim, pessoas a morrer para roubar algum combustível…

No extremo oposto está o expoente máximo da estratégia mais correcta rumo ao desenvolvimento sustentado está o sempre surpreendente Zimbabwe, do Mugabe. A UE pretendia emprestar €3 milhões, por forma a evitar o fim da indústria de café naquele país, condicionando a sua concessão à interrupção dos “ataques” às fazendas produtoras de café. A proposta foi liminarmente recusada pelo governo zimbabweano. Das 180 fazendas de café existentes em 2000 apenas sobram 13, três das quais receberam uma nota oficial em Setembro para serem abandonadas. A produção de café no Zimbabwe caiu de 18.000 toneladas/ano em 2000 para menos de 500 toneladas/ano em 2006. Cá para mim, suponho que o Mugabe não deve gostar de uma boa bica.

Tudo isto tem o seu interesse, residindo o maior não só no surgimento da China e Índia como novos players nos mercados de commodities mas, sobretudo, pela transferência de grandes fundos dos mercados cambiais para os de commodities por parte da indústria de hedge funds. E quando esta bolha rebentar?

Das dores

30 Dezembro 2006

Enquanto aguardava (im)pacientemente para ser visto pelo médico, durante mais de três horas e meia, tive a oportunidade de ir registando alguns dos diálogos que iam surgindo à minha volta. O mais hilariante deu-se entre um paciente e a recepcionista.

– Mas nas urgências o doente não é logo visto pelo médico?
– Mas aqui não são as urgências. Se o mandaram para cá das urgências a culpa não é nossa. Se o doutor tiver outros doentes à espera o senhor vai ter que esperar.
– A senhora está a dizer isso porque não sabe o que são as dores horríveis de um braço partido. Há uma hora que aqui estou à espera e nada!
– De um braço partido não sei, mas sei muito bem quais são as dores de um dedo partido!
– …

O A. e eu ríamo-nos para o lado que nem uns perdidos, perante o diálogo de surdos.

[foto] A [nova] cidade

29 Dezembro 2006

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[foto] Ainda se pesca na baía

29 Dezembro 2006

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Ainda é de noite em Lisboa

29 Dezembro 2006

Acordei particularmente cedo, mas já com o sol a iluminar-me a casa, como tanto gosto. Enquanto revejo vários documentos, tenho a televisão ligada na SICNotícias e dei comigo perplexo ao constatar ser ainda noite cerrada em Lisboa, quando aqui já é dia há 3 horas… Que saudades do frio, de uma cama dura, enrolado no edredão e uns pezinhos quentes nos meus, na madrugada gelada.

Bafo de eucalipto

27 Dezembro 2006

A época das chuvas estava no seu pleno, durante o verão moçambicano, tórrido e húmido como é característico de Cabo Delgado. Para além da roupa que se colava ao corpo assim que íamos para a rua, sensação apenas vivida anteriormente em Macau, foi lá, em Pemba, que pela primeira vez vi relâmpagos horizontais. Algo de extraordinário. A chuva a deslocar-se na nossa direcção proveniente do outro lado da baía, o estrondo dos trovões. Ahhhhhhhh. A água que escorria a grande velocidade pela rua principal da cidade, do palácio do Governador até ao cinema ao ar livre ou à feira.

Naquele fim-de-semana, tínhamos ido almoçar ao Santos. A minha, foi a última vez que lá fui. Estava eu, o U., o C. e o M., cliente que tinha vindo de Maputo. Uns camarões deliciosos, bem regados, no tasco dele na rua principal da baixa, não muito longe do Niassa Comercial, do Claudino e tio, com as suas máquinas de calcular metálicas e um manípulo que ora girava para a frente ora para trás. Era lá que nos abastecíamos de mercearias, regra geral. Aquele foi mesmo o meu último almoço no tasco do Santos depois de ter ido à casa-de-banho e visto onde, como e por quem estavam a ser feitos os camarões…Nesse mesmo dia, vomitei o almoço todo acompanhado por uma diarreia como há muito não tinha. A mala que tinha levado de Portugal ia, pela primeira vez, dar-me um jeitaço dos grandes. Toca de tomar Ultra-Levure e Dimicina, para ver se a coisa acalmava. Qual quê? Estava cada vez pior, com a febre a não parar de subir.

A J. chegou já perto do fim do dia, anoitecido umas horas antes. Encontrou-me já com uma febre altíssima, com fortes suores, vómitos, mesmo com o estômago vazio, diarreia e fortes dores em tudo quanto era sítio. Alarmada com o estado em que me encontrava, fez-me companhia toda a noite, colocando-me, de tempos a tempos, toalhas com gelo na cabeça de modo a tentar controlar a temperatura que nem com paracetamol lá ia. Foi o maior febrão que tive e uma das piores noites da minha vida. Consegui encharcar uma cama, já não via bem e as articulações doíam-me todas, acompanhadas de uma cabeça que só me apetecia arrancar. Para a J. não havia dúvidas. Nem para a médica francesa dos Marins Sans Frontiéres que, assim que me viu, fez logo o diagnóstico: malária. O teste no hospital serviu apenas para confirmar a forte suspeita. Positivo, com uma cruz. De imediato, deram-me a dose única de Fancidar. Um alívio!

Para ajudar na rápida recuperação, a J. convenceu-me a fazer um dos tratamentos tradicionais. O bafo de eucalipto. Depois de encontrada a árvore na cidade, ferveram uma panela cheia de água e folhas de eucalipto. Todo nu, com a panela destapada entre as pernas abertas e um cobertor grosso a cobrir-me por completo, tive que inalar durante, o que me pareceu na altura, um longo período de tempo os vapores escaldantes que saíam da panela. Passado o tempo adequado, descobriu-me e levou-me para a banheira onde me deu banho com uma toalha encharcada na água da panela. Demoradamente, a J. lavou-me o corpo todo, com particular destaque para as articulações. Uma a uma, massajou-me com vigor todas elas. Parecia um homem novo, quando me deitei, ao lado da J..

A China SA

26 Dezembro 2006

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Não deixo de ficar perplexo com o que se vai vendo, ouvindo e lendo sobre a China. Que são isto, aquilo, frito e cozido. Dito pelos outros, não por nós. Traduzindo, os outros não estão propriamente convencidos, mas a cavalo “dado” não se olha o dente e eles são tão generosos… De tal forma que até “dão” gente, para todo o tipo de trabalhos. Não reclamam, não protestam, não fazem greves, trabalham 24/24, se for necessário, e são muito rigorosos, deles se diz. E que quando querem até fazem coisas “boas”. Uau! Fiquei impressionado. A única coisa que não percebo, é porque carga de água só mandam homens. Se fizessem pelo menos um esforço para o 50/50, podia ser que a sua presença por cá nos despertasse algum interesse mais específico.A última, contada por quem está a viver na Namíbia e veio a Luanda para as festas, dá conta que o governo namibiano adoptou – esta é linda! – 40.000 famílias chinesas. Só. Isto porque a Namíbia está com “falta” de gente e os chineses “adoptados” são todos eles altamente qualificados. Imagino-os poliglotas, cientistas nucleares, arquitectos, engenheiros de toda a espécie e, ah!, economistas e afins formados nas melhores universidades americanas chinesas. Em prol do desenvolvimento, consequência da fraternidade entre povos “irmãos”. De tal forma amigos são os governos que Pequim até, supostamente, terá oferecido ao presidente namibiano a sua actual residência.

Quanto aos chineses, nada a dizer até porque não constituem qualquer perigo para a hegemonia “ocidental”. Já outros, que nunca mais me venham com merdas de discursos de neocolonianismos e afins que apanham logo com uma coisa amarela na testa…

Não sei…

26 Dezembro 2006

… porque carga de água, mas isto acontece-me sempre a mim. Não me importo nada porque farto-me de rir e a galhofa fica assim muito mais composta. A minha fisioterapeuta actual, uma cinquentona toda divertida, cheia de tatuagens, pulseiras de ouro no tornozelo etc e tal, decidiu começar a experimentar roupa, vendo-se ao espelho, no único que por lá há, a cada muda de camisa. Apesar de estar a fazer exercícios deitado, o meu ângulo de visão permitia-me ver tudo o que estava a acontecer. Já com as outras na sala, teve início um verdadeiro espectáculo, boca para aqui e boca para ali comigo, por simpatia, a sorrir e a levar, como “prémio”, com uma camisa aberta e lingerie branca de cetim. A lingerie até era bonita… Desatámos todos às gargalhadas, por razões diferentes!

E esta história recorda-me, assim de repente, aquela noitada em Braga em que apanhei a Cláudia, a Maria e a… ahn? O quê? Não é aqui? Ok, ok…

Impossível!

26 Dezembro 2006

Ainda há pouco tempo, um reputado economista da praça [angolana] dizia, aos microfones da rádio, que sim senhora, diversos indicadores da economia angolana eram interessantes e encorajadores mas subsistia um contraste flagrante entre o actual crescimento económico e desenvolvimento económico. De tal forma assim é que não se percebe porque carga de água, estamos a sofrer permanentemente cortes de energia eléctrica, mesmo no Natal, os quais se prolongam por inúmeras horas. Já para não falar da água que só aparece quando alguém se lembra de abrir a torneira… Para contornar estas situações há que ter em casa um gerador e reservatórios de água. Nós.

Get up, get on up…

26 Dezembro 2006

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Bom Natal!

24 Dezembro 2006

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À minha família e amigos, todos, daqui, dos “trópicos”. Com muita cor, calor, luz e sorrisos, muitos sorrisos. E abraços, os que também eu daria se estivesse aí.

Falso alarme

22 Dezembro 2006

Bom, afinal trata-se de uma inflamação da membrana sinovial. A operação ao menisco foi perfeita, já que todas as acções induzidas ao joelho esta tarde revelaram-se negativas no que à dor diz respeito. Para melhorar isto, mais ginástica com alguma calma, andar a pé com calma, fazer tudo com calma – até é capaz de não ser assim tão mau quanto isso, dependendo das situações. Para ajudar toma lá com Tilcotil 20mg (10, 1 por dia).

Noch einmal

21 Dezembro 2006

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Ahhhhh

21 Dezembro 2006

Fonte de mel
Nos olhos de gueixa
Kabuki, máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás

Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Vocé é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim

Você é forte
Dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir
No Abaeté
Areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você
Mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer

Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim

Gosto de ver
Você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter
Sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal

Linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz

Isto está mau

20 Dezembro 2006

Mau, mau, mau. Não sei se não terei que regressar à África do Sul…

Impotência

18 Dezembro 2006

– Olá Dr. Miguel, como está a sua perna?
– Olá Sr. P., está melhor. E o Sr. P. como está?
– Mais ou menos. Mas ando com um problema de hemorróidas que me anda a atormentar…
– Caramba, isso é mais complicado, é!
– Se é. Até me está a provocar impotência, o que está a deixar-me muito preocupado.
– …

Angola n’OPEC

17 Dezembro 2006

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É oficial. Depois da aprovação em Conselho de Ministros, no passado mês de Novembro, a OPEC aceitou formalmente o pedido de adesão de Angola à organização, passando esta a ser membro de pleno direito a partir de 1 de Janeiro de 2007 (o 12º) e a única adesão dos últimos 30 anos.

Depois do abandono da OPEC por parte do Gabão, em 1994, após 19 anos na qualidade de membro, Angola torna-se assim no segundo país da África sub-sahariana a pertencer à organização, juntamente com a Nigéria. Tal como o Gabão, também o Equador abandonou a OPEC, após 19 anos de organização, em 1992. Com esta adesão, o cartel fica constituído por 6 países do Médio Oriente, 4 de África, 1 da Ásia e 1 da América Latina.

Interessante é constatar que a OPEC “culpa” o G7, e a generalidade dos países europeus, pelo elevado preço dos combustíveis nos seus países já que, de 2000 a 2004, refere a organização, a OPEC vendeu ao G7 “apenas” $1,3 biliões contra $1,6 biliões de receitas fiscais do clube.

Apenas para referência, 1 barril de petróleo é equivalente a 159 litros. Atendendo à heterogeneidade da densidade do crude, a média por tonelada é de 7,33 barris por tonelada.

Alambamento

17 Dezembro 2006

Confessou-me o C. que o encostaram à parede, não tendo mais espaço de manobra para fugir à obrigação. A actual namorada, de 23 anos e companheira há quatro, começou a pressioná-lo, juntamente com a família, para que “legitime” a relação. Está já marcado para Agosto. Até lá, terá que construir casa tendo já encontrado um terreno para os lados da Estalagem, com 150m2. De igual modo, para além desse esforço financeiro, terá que dar 8 grades de cerveja, 8 grades de gasosa e $300,00, juntamente com a carta. E, diz ele, teve sorte por que já é gente que veio para Luanda, do Uíge, há algum tempo pelo que não são tão rigorosos, senão seria forçado a dar grades de cerveja as quais deveriam, uma vez sobrepostas, atingir a sua altura…

Incesto

17 Dezembro 2006

Contou-me esta tarde o meu sombra C., algo surpreendido e indignado, a última grande desgraça que se abateu sobre a família. O seu irmão de pai, mais velho, lá do Uíge, foi apanhado este fim-de-semana, pela actual mulher, a “namorar” com a filha de 18 anos de uma das ex-mulheres. Como prova do acto que testemunhara, a legítima, ficou na posse das cuecas dos dois. Agora, ainda sem saber bem o que fazer, telefonou ao C., seu cunhado, para pedir conselhos.

8 anos…

16 Dezembro 2006

…e muitos cartoons depois, o artista continua a ter motivos para caricaturar o que vem do outro lado da fronteira. Com uma inflação anual, até novembro, superior a 1900%, uma esperança média de vida de 34 anos para as mulheres e 38 anos para os homens, a falência da famosa reforma agrária, com consequências catastróficas para o país, onde pontificou o já desaparecido – felizmente – “Hitler” Hunzvi, auto-proclamado líder dos “veteranos de guerra”, do Zimbabwe não chega nenhuma notícia que indique uma mudança da tendência.

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Fonte: http://www.cartoonist.co.za/zapiro.htm

A mais recente notícia do absurdo a que se chegou, reporta a invasão de uma área rica em diamantes (qualidade industrial, de menor valor), em Marange, por cerca de 6.000 a 10.000 pessoas as quais, no espaço de um mês, movimentaram 1 milhão de toneladas de terra, tudo à mão, na ânsia de encontrarem alguma pedra. Apesar da área ter sido concessionada a uma empresa, a invasão tornou-se inevitável sendo esta multidão composta por homens, mulheres e crianças. O espaço entre os buracos escavados é de cerca de 2 metros servindo estes como local de pernoita e latrina. Aproveitando-se desta situação desesperada, há todo um conjunto de abutres que lucram com a desgraça alheia ao ponto de se vender água a troco de diamantes.

[foto] A nova praia da marginal

16 Dezembro 2006

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O curandeiro

16 Dezembro 2006

Na altura em que tomámos a decisão, o nível de roubos na oficina era já de alguma dimensão. Meio alucinado, mas em total concordância com a sugestão por desespero de causa, o Director de Produção foi buscar o curandeiro algures à cidade. Não que acreditasse na eficácia sobrenatural da sua intervenção, mas… Curandeiro no local, tratou-se de fechar o portão da oficina e chamar todos os trabalhadores os quais formaram uma linha. E não é que logo após o início do seu “trabalho” o culpado desfaleceu estatelando-se no chão, confessando tudo após a sua reanimação?

(Pemba, Província de Cabo Delgado, Moçambique, 1996)

Porque é que…

16 Dezembro 2006

…na generalidade, serão as bancárias mulheres extremamente interessantes, bonitas e vistosas? Pelo menos por cá assim é, constituindo, de per si, um fenómeno assaz curioso.

O zeloso Cuanhama

16 Dezembro 2006

Cometi hoje o erro de voltar a conduzir. Sem trânsito não há qualquer problema, já no pára/arranca é mais delicado porque obriga a perna a muitos movimentos. Tendo que começar com o ginásio já hoje, para fortalecimento muscular, desloquei-me a casa para ir buscar o equipamento. Por não poder estacionar do outro lado da rua – esta malta é doida e não respeita os peões, não podendo correr para fugir deles – tive que encontrar um lugar perto de casa. Mesmo com lugares, mas porque aqui andam a “vender” espaços reservados e os moradores que se lixem, estacionem onde quiserem, fizeram-me sinal que não podia estacionar. Na boa, porque não tinha mais nenhum lugar perto, deixei o carro em segunda fila com o segurança munido da chave não fosse alguém querer sair enquanto ia a casa. Ao dirigir-me para o prédio, para grande surpresa minha, o segurança da entidade que tinha o espaço reservado barra-me o caminho e começa a dizer-me que não podia estacionar o carro ali. Embora lhe tenha explicado sucintamente que era uma paragem de 5 minutos e que o meu segurança estava ali, continuou a barrar-me o caminho pelo que lhe disse para chamar a polícia. Insistiu e eu a avançar até ao momento em que me agarrou e começou a empurrar. Beeeeeeeeemmmm! Disse-lhe logo que não me tocasse e muito menos me empurrasse/agarrasse. Continuou pelo que teve que ser o meu segurança a imobilizá-lo enquanto eu ia a casa com o tipo a tentar perseguir-me. Quando cheguei à rua, depois de ir a casa, estava já um ajuntamento, como é típico. Nem liguei porque espectáculos gosto mais de assistir nas salas. Fomos para o ginásio. Quando voltei, já tinha sido substituído.

O meu amigo R.

14 Dezembro 2006

É grande, amigo. Cheio de sede, procurei em toda a casa e tive a sorte de encontrar no frigorífico uma Sagres Bohemia. Geladinha. Só de imaginar o sacrifício que terá feito para não beber a última… É de Gajo pá!

Home, sweeeeeet home

14 Dezembro 2006

Independentemente de tudo, a nossa casa é a nossa casa. Já tinha saudades da vista, única. Do ocaso já perto das 20:00 quando a esta hora já era noite cerrada em Joanesburgo. Duas notas importantes para hoje. A inesperada despedida da M. às 6:30 da manhã – coitada da miúda! – e o grande abraço que nos demos. Um bom abraço é realmente algo de extraordinário. E depois, a comédia americana com a Uma Thurman e Anna Faris, My Super Ex-Girlfriend, que me fez soltar gargalhadas durante o almoço a bordo.

Luanda exactamente na mesma. A única novidade foi a conclusão da primeira etapa da obra na baía. Está “geometricamente” perfeito.

È finito!

14 Dezembro 2006

Regresso a Luanda, três semanas depois da chegada à África do Sul. Como o tempo voa. Entrei coxo, saio a andar. Vim parar a uma guesthouse simpática, de gente porreira, com hóspedes excepcionais. Todos os quartos com casa de banho e decorados com grande qualidade (o amigo irlandês da dona é decorador e gay, como ela fez questão de me informar e como se eu não tivesse topado alguns instantes depois de conhecê-lo. Não percebi qual a importância que ela atribui ao facto do seu decorador ser gay, mas tudo bem), casa bem dividida e área espaçosa com jardins, boa piscina, empregada porreira e uma dona da casa que sabe cozinhar tudo e mais alguma coisa. Ah, já me esquecia, a fantástica M., filha do casal, que é muito mais interessante do que aquilo que pensa. Mas também só com a idade e mais experiência de vida é que perceberá isso, quando tiver mais confiança. Bem bonita a miúda. Um nariz perfeitíssimo e muitas sardas. O suficiente para me convencer a sair ontem à noite para umas partidas de snooker onde, depois de me deixar ganhar as primeiras partidas, deu-me uma sova como há muito não apanhava. Eu e o puto dela, puto porreiro, também com 21 anos, afrikaner. E hoje, junto à piscina, estava eu na boa ao sol quando me apareceu com um narguilé. Como vinha toda satisfeita e sentou-se à minha beira a montar aquilo, acedi dar umas passas com ela (logo eu!). A única vez que travei na vida era caloiro, foram dois Marlboro, e jurei para nunca mais. Quando me levantei fui aos ésses para o quarto de tão zonzo que estava. Como hoje, ao fim de cinco inspirações profundas, desisti. Mas já deu para a M. ficar toda satisfeita. Nestas situações, dependendo das pessoas e quando estou nessa onda, deixo-me ir, ao sabor do vento. Também sabe bem. Gosto de ver as pessoas a sorrir (se rirem, ainda melhor!) e a M. está a precisar de rir muito mais.

Calhou bem esta passagem por cá já que aproveitei para adicionar alguns exemplares à minha colecção dos livros do Zapiro (falta-me apenas um), interrompida após a minha partida de Moçambique, em Setembro de 2001. Adoro o Zapiro pela qualidade dos cartoons, pela sátira política, visão global e não apenas confinada à África do Sul, acutilância e ironia da sua abordagem ao quotidiano, para além de me permitir, através dos cartoons, inteirar-me dos principais acontecimentos dignos de registo ao longo de um ano. Para além do Zapiro, a melhor aquisição foi mesmo o “Delusion of God”. Excelente e muito actual.

O único dissabor da viagem deve-se ao facto de não ter conhecido a Carla. Imperdoável e digno de registo. A Carla, a famosa Carla tão publicitada pela dona da casa. Italiana, lindíssima, de cabelo negro comprido, morena, olhos grandes, sensual e mamas grandes (esta parte da descrição a dona da casa fez questão de frisar de forma bem expressiva). E eu que aprecio, italianas. Ou, melhor, a mulher latina, de Lisboa a Istambul. Resumindo, saio daqui cheio de Carla para aqui, Carla para acolá, sem perceber bem porquê e, no fim, sem ficar a conhecê-la…Ca cena…

Amanhã, o meu primeiro dia de ginásio já em Luanda! Yebo!!!