Imoral

O aumento de 20% do preço do pão, em Portugal. Pena é que um gajo não possa ainda comer chamadas telefónicas, visualização de filmes e os bytes da internet. Por estas e por outras é que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior devia reservar uma parte substancial do seu orçamento para a investigação científica dedicada à realização de implantes de clorofila em seres humanos. Resolver-se-ia, de uma vez por todas, os problemas da fome e a malta ficaria com uma parte substancial dos recursos financeiros disponíveis para telefonar, ir ao cinema e navegar à vontade na net. Sem necessidade de interromper o que quer que fosse para comer…

19 Respostas to “Imoral”

  1. Manel Says:

    pois … façam rusgas às empresas …, mas deviam começar pelo IRC e não pelo IRS.
    O Paulo Macedo, que andou comigo pelos bancos da faculdade, é muito inteligente (óptimo aluno), mas não é muito inteligente, ou então não está a ter a coragem suficiente.

  2. ac Says:

    Mas o melhor ainda é dizer em tom de vitória que o SMN em 2011 será de 500€!!! Tão a gozar com a gente e depois colocam-se com artimanhas de empregada de limpeza espertalhona:
    Decidir combater a má gestão do sistema geral de S. Social e da CNAposentações, com a integração dos subsistemas, que tiveram uma gestão inteligente e saudável e por isso são lucrativos é insultar quem trabalha e farta-se de descontar para impostos e afins!
    Se tivesse a coragem de acabar com os subsidios disto e daquilo, em especial, aquela coisa que veio substituir o rendimento minimo garantido então sim eu começava a acreditar neles – até lá serão sempre politicos com conversa de treta!

  3. ac Says:

    e agora vou jantar enquanto posso ao preço actual :)

  4. miguel Says:

    Nem mais Manel, sobretudo o IRC!

    ac, é mesmo insultuoso um SMN de €500 apenas em 2011…

  5. Manel Says:

    Tás vivo, mas não respondeste à “minha” dos trapinhos.

    Beijinhos,

    Manuel

  6. mph Says:

    Francamente acho de uma demagogia extrema as discussões de salários minimos e acho o conceito repleto de uma quase total inutilidade e com efeitos perversos graves do ponto de vista económico. Salário minimo é aquele pelo qual alguém está disposto a aceitar um trabalho. Obrigar uma empresa a empregar alguém pelo ordenado minimo significa que menos empresas sobrevivem e que menos gente tem oportunidade de ter um emprego (por muito mal pago que seja). O valor é uma miséria? é sim, mas isso é irrelevante porque o que as pessoas ganham está ajustado ao mercado onde se inserem. Pronto, devo estar a ficar uma total capitalista, liberalista, whatever.

  7. mph Says:

    Já agora, digo-te o que é imoral (ando a matutar nesta há umas horas e já me está a dar raiva): imoral é sermos um país pobre, com a pior taxa de crescimento da europa e, no entanto, termos um estado que acha que o dinheiro que lhe damos cai das árvores e pode ser deitado à rua. Imoral é termos uma porcaria de um país não sei quantas vezes mais pobre que França, com um sistema de saúde horrorosa e pavorosamente mau, com tudo a funcionar mal comparativamente a França. No entanto, o governo português acha-se no direito de cobrar imposto automóvel de tal modo absurdo que torna alguns carros 50% mais caros em Portugal do que em França. Isso é um insulto, isso é um escândalo, é imoral! O estado obriga-nos a viver pior que nos outros países europeus para poder gastar mais e aplica mal o dinheiro que nos tira à força dando-nos em troca serviços inexistentes. Se alguém trabalhou para comprar o carro, porque carga de água o nosso estado vai buscar 1/3 do valor total de algo que eu já produzi e sobre o qual já paguei impostos? porque estou numa nação onde tudo funciona tão bem que é preciso sponsorizar toda esta qualidade?! É tão escandaloso….! é um autentico assalto.

    (e atenção, eu tenho a noção de que do ponto de vista fiscal temos um sistema benéfico mesmo comparado com o Francês. Só que os Franceses têm os benefícios do que pagam, nós não).

  8. miguel Says:

    Tás com a garra toda mph ;) Vou agora para uma churrascada (aqui são +2 TMG) mas ainda cá venho mais logo.

  9. miguel Says:

    Manel, vai preparando as coisinhas boas que vocês têm para dois dedos de conversa ao vivo, correndo tudo bem ;)

  10. Jo Ann v. Says:

    Mas a França tá a ir pra trás, crise após crise, aos trambulhões…
    Os Franceses tão a fugir pra Bélgica, Suíça e Inglaterra…

  11. mph Says:

    Jo Ann, os Franceses estão tão mal habituados, estão habituados a ter tudo de mão beijada, pelo que lhes vai ser complexo serem emigrantes. São o exponente máximo do povo que acredita que o dinheiro do estado cresce numa árvore e que aparece sem que tenhamos que produzir para o obter. Aliás, consideram que têm um direito adquirido à sua parte da maquia do dinheiro do estado, o tal que cresce das árvores. Nem consigo imaginar um Francês a adaptar-se à suiça, é uma ideia que me dá vontade de rir. Em inglaterra, umh frrranncês tehem semmmprre o seu charrme.

    Os tugas também se comportam como se o dinheiro caísse das árvores e o estado lhes tivesse que garantir tudo mas pelo menos entendem que têm que arranjar um esquema qualquer para conseguirem umas massas a mais que o vizinho (bem, se calhar porque aprenderam que como nosso estado esbanja o dinheiro que lhe cresce da árvore das patacas, também não podem contar com o dito para lhes dar de comer e tratar da saúde).

    França tem também um outro enorme problema que é o facto de ter uma parte da população imigrante (e pobre, como são tradicionalmente as classes imigrantes) a causar grandes disturbios. Isso eu vejo como sendo preocupante porque não há nenhuma solução óbvia

  12. miguel Says:

    Isto merece uma análise mais cuidada, antes de responder…

  13. miguel Says:

    ora bem mph, as situações vistas de forma abstrata e racional até farão algum sentido quando conduzidas de determinada maneira. Mas tu, tal como eu e todos nós, sabemos que muitos são os trilhos que podem ser percorridos. Acima de tudo, o que a mim me incomoda – e não é pessoalmente porque, felizmente, ainda tenho dinheiro para comprar pão e não tenho prole para alimentar – é constatar que Portugal não avançou tanto quanto se queria e podia, é constatar que as pessoas continuam a viver mal, é constatar que se alimentam cada vez pior, é constatar que cada vez mais são carne para canhão, agrilhoadas num sistema do qual não podem sair e que lhes retira cada vez mais de si num círculo vicioso contrário ao que se pretenderá numa sociedade equilibrada e justa: o desenvolvimento económico em prol de todos. Não será assim?

  14. miguel Says:

    Manelito, eu fico cada vez mais parvo com a malta que andou contigo na faculdade LOLLLLLLLLL! Até os meus profs foram teus colegas pá! És um must ;)

  15. mph Says:

    E parece-te a ti, portanto, que a melhoria das condições económicas para as empresas é o que impede as pessoas de terem emprego? não será exactamente o contrário? Protega-se a galinha dos ovos, não se esfomeie a dita. Regulamenta mais, cobra mais, gera mais complicações à livre movimentação das pessoas e dos capitais e terás as galinhas cada vez mais magras: bem-vindo ao nosso país. Só se safam as empresas que fogem aos impostos, que empregam pessoas em condições não legais porque exactamente empregar nas condições impostas é impossivel e insustentável. Terás exactamente o nosso país.

  16. miguel Says:

    O que me parece a mim é que a melhoria das condições económicas das empresas não passa necessariamente por uma política de baixos salários e exploração até ao tutano de muita malta jovem (e não só) que tem que se esfalfar toda para manter o emprego precário… A mim incomoda-me e incomodar-me-á sempre, a extinção de milhares de postos de trabalho com o único objectivo de aumentar os dividendos por acção em €0,01 no fim do ano e aumento brutal dos prémios aos gestores/administradores. É daquelas merdas que me deixam perplexo quanto à racionalidade e lógica do sistema capitalista contemporâneo, onde a rede para os trapezistas – a grande maioria – pura e simplesmente não existe. Repara, não estou a falar de uma maior rigidez das leis laborais ou algo do género até porque nunca reflecti seriamente sobre o assunto no que ao mercado português diz respeito. Agora assusta-me constatar a forma como a situação evoluiu em Portugal sabendo-se quão pouco dinâmica é a nossa economia e o mercado de trabalho. Não me parece a mim que o busilis da questão esteja no mercado de trabalho e na legislação associada. Os problemas, esses, são muito mais complicados de se resolver do que simplesmente despedir pessoas.

  17. mph Says:

    Enganas-te… a realidade é que quem tem e quer mesmo trabalhar, trabalhará em quaisquer condições: precárias, legais, ilegais, contratos precários, metade declarado, metade sem ser pago, you name it. A única coisa que muda é que quem quer cumprir e seguir as regras tem cada vez maior dificuldade em sobreviver. Aliás, se queres que te diga, eu até assisto muito mais ao fenómeno contrário (sim, aí a falha é minha porque estou em Lisboa e não nas realidades das fábricas, o meio urbano é uma distorção da realidade…): assisto às empregadas domésticas que se recusam a declarar ordenados, a descontar e a pagar impostos. Querem que lhes paguemos o passe, a segurança social (a minha parte e a delas), querem que lhes pague uma segurança social mais cara para poderem ter subsidio de desemprego, querem não ser declaradas durante o período em que recebem o subsidio de desemprego, querem que se lhes dê o dinheiro para a mão da segurança social (mas depois “descobrem” que afinal não foi paga – claro, quem fica em sarilhos sou eu, o empregador explorador), querem os seguros extra, querem que no fim do ano eu lhes passe uma declaração em como só receberam X e não 3X porque não querem pagar nem um tostão de impostos: é que para pagar impostos, que paguem sempre os mesmos: os que lhes pagam o ordenado, os que lhes pagam a segurança social, o subsidio de desemprego, o passe. Ah, e claro, acham normalíssimo ganhar o mesmo que um recém-licenciado (é o caso). É com enorme surpresa que por vezes descobrem que afinal a patroa ganha menos que elas só que não tem passe e não tem almoço pago.

    Isto está a precisar é de ser moralizado, não precisa de mais regras, precisa que as que existem sejam cumpridas.

    O que nos leva mais uma vez a mudar de assunto: tens assistido ao rescaldo da operação furacão? afinal o que parecia ser um rescaldo parece começar a ser o verdadeiro incêndio.

  18. miguel Says:

    Isto daria uma bela discussão numa boa pastelaria da baixa, o que dizes? Mas não vale atirar bolos à cara um do outro! ahahhahahahaha! Não é por causa de atirarmos os bolos à cara um do outro mas sim porque haveria muita gente a ver! LOLLLLLLLLLLLLL!

    Quanto à Operação Furacão, digamos que é um assunto interessante, sim. Se a montanha não parir muitos ratos, talvez possamos começar a acreditar que algo estará a mudar. Até lá, vamos lendo os jornais…

  19. mph Says:

    Nem digas…. todos dias aparecem novas empresas a serem investigadas. Acho que têm ali material para moralizar muita gente e para gerar o inicio da ideia de que não dará para se fugir eternamente a tudo.

    Desgraçados os clientes daqueles bancos, é o que te digo… correm riscos de serem usados como exemplos.

    Quanto aos bolos, epá, teria o seu quê de graça, ehehe!

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