Archive for Dezembro, 2006

Mais África

12 Dezembro 2006

Não deixa de ser arrepiante o que se vai lendo sobre o continente, desde a imprensa a publicações especializadas, confirmando o que é a nossa percepção das diferentes realidades no terreno. No The Sunday Independent deste fim-de-semana, uma notícia chocante na página 2: “Esperança de vida na África do Sul caiu para os 50 anos”. E avança que a sida é responsável pela redução em 13 anos, apesar dos retrovirais os quais chegam apenas a uma pequena parte da população (lia há dias que cerca de 85% dos infectados não tomam ARV) e da distribuição de preservativos sem que tenha havido a esperada redução de sexo desprotegido, sobretudo entre os adolescentes. Na África do Sul, a esperança média de vida não é homogénea existindo diferenças abismais em função das diversas províncias. O estudo da Actuarial Society concluiu que a esperança média de vida nas províncias sul-africanas é a seguinte: Cabo Oriental 49, Free State 47, Gauteng 52, KwaZulu-Natal 43, Limpopo 56, Mpumalanga 47, Cabo Norte 58, Noroeste 50 e Cabo Ocidental 62. As mortes devido à Sida na África do Sul sofreram variações brutais nos últimos 10 anos. Estima-se que as mortes provocadas pela Sida em 1995 tenham sido de 14.000, subindo para 130.000 em 2000 e 330.000 em 2005.

No continente, alguns dados igualmente esclarecedores. O Zimbabwe, de Robert Mugabe, tem a mais baixa esperança média de vida do continente africano com as mulheres a atingirem os 34 anos e os homens os 38 anos. A média no Botswana é de 38, Malawi 38 e Zâmbia 39.

Quanto ao Zimbabwe, a única coisa que ainda resta devem ser as Victoria Falls…

[foto] Cobra

11 Dezembro 2006

Esta foi uma parte engraçada do dia de ontem. A apenas dois metros de mim, alguns exemplares de cobras idênticas às que viviam perto de nós, em Moçambique, ou que víamos passar na estrada. Já para não falar dos rastos em grande quantidade na área em que operávamos, na cidade de Montepuez. Oportunidade única para tocar numa cobra. Numa pitão. Sensação agradável já que sempre pensei que fosse do pior possível e imaginário – pelo menos no sentido que nos disseram para lhe tocar, se fosse ao contrário seria uma sensação horrível.

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[foto] P’ró Thomas

11 Dezembro 2006

De todo o parque, eram as únicas feras sem espaço próprio. Muito provavelmente ainda na fase inicial do programa de reprodução em cativeiro como forma de preservação da espécie, o casal de tigres de Bengala estava em constante movimento, de um lado para o outro. Animais fenomenais.

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Chá de coca

11 Dezembro 2006

Depois do jantar de ameijoas à Bulhão Pato e uns queijinhos a preceito, regados ao de leve com um bom tinto sul-africano, da região do Cabo Ocidental, a sobremesa na forma de mais um Baci com um texto mais do que certeiro e um chá de folha de coca, 100% natural hecho en Peru, descoberto acidentalmente numa loja grega.

On my way home…

11 Dezembro 2006

Tornando-se cada vez mais difícil a minha permanência na África do Sul, por questões profissionais, surge agora uma enorme contrariedade: os vôos estão todos cheios até ao fim do mês de Dezembro. Boa. Entretanto, a fisioterapeuta não deixa de manifestar surpresa perante a evolução do joelho. Tenho andado a exagerar um bocado, como forma de garantir que, perante a eminência da minha partida, testo tudo enquanto tenho um bom médico, fisioterapeuta e meios de diagnóstico como deve de ser à mão. Foi assim que ontem desci a uma gruta a 40 metros de profundidade com uma escadaria interminável, andei pelo parque dos leões e tenho andado aqui e acolá. A forçar dentro de limites comportáveis. Assim sendo, parece que dentro de umas 6 semanas já poderei regressar à pista! Tanto melhor porque já me convidaram para participar na próxima corrida de 94,6Km que se disputa anualmente por estas bandas!

Luanda, pois claro

11 Dezembro 2006

Noticia o semanário Agora, na última edição, que, segundo um estudo divulgado na África do Sul, Luanda surge como a segunda cidade mais cara do continente africano tendo como referência um conjunto de 125 bens e serviços. E qual é a cidade mais cara do continente? Qual é? Qual é? Pois é, nada mais nada menos do que a “pujante” Harare do demente Robert Mugabe. A vizinha (de Angola, claro) Kinshasa, urbe do amigo e companheiro JoKa, aparece na 5ª posição. Tudo isto porque, na realidade, nós, os tais 2% que ainda vão podendo, constituímos o mercado que permite os preços exorbitantes de alguns bens e serviços transaccionados nestas cidades. Se o mercado fosse definido em função dos outros 98% estas cidades deixariam de ser as mais caras pois, pura e simplesmente, os tais bens e serviços nem sequer fariam parte da oferta…

[foto] Indubitavelmente, o Rei da Selva!

11 Dezembro 2006

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[foto] Wild dogs

11 Dezembro 2006

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[foto] Olho de crocodilo

11 Dezembro 2006

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[foto] A grande fera

11 Dezembro 2006

Sem que o esperássemos, surgiu-nos ao virar de uma curva a maior fera da reserva. A única que se encontrava em espaço reservado, com rede, vedação eléctrica e todo um conjunto de dispositivos e estruturas para que o visitante não corresse qualquer risco. O meu problema foi mesmo encontrar uma maneira de saltar para dentro da vedação…

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[foto] No céu

10 Dezembro 2006

A leoa era simplesmente linda e extremamente meiga. Não era esta a grande fera que procurávamos, na nossa ida ao parque.

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[foto] A grande surpresa

10 Dezembro 2006

Uma leoa branca com alguns meses de idade. Simplesmente fenomenal, já que se trata de uma variante devida a um gene recessivo não sendo, por isso, albina. As fotografias evidenciam bem a beleza da pequena com a qual brincámos, tendo-nos sido permitido o contacto físico durante uns bons minutos.

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[foto] Mais à frente…

10 Dezembro 2006

… encontrámos estes que nos encararam com cara de poucos amigos. Sempre a controlar-nos os movimentos. É engraçado como estes animais selvagens ferozes têm mais piada ao longe.

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[foto] Na selva!

10 Dezembro 2006

Morto de sono e mais para lá do que para cá, bateram-me à porta duas vezes e perguntaram, como de costume, “Miguel, are you awake?” @?*%&! Porquê não sei, mas respondo sempre que sim em português. O dia ia ser um espanto. Muitos predadores etc e tal. Chegámos ao local e os primeiros animais selvagens que vimos foram as avestruzes da fotografia. Boa, a excitação era grande no nosso seio…

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[foto] No sul

10 Dezembro 2006

Lá tanto insistiram que acedi ir à zona que já foi o bastião dos portugueses em Joanesburgo. Segundo a J. é ainda lá que se situa uma das melhores – mamma! – lojas da cidade. Precisavam da minha ajuda para comprar algumas coisas. Bem, a aproximação à zona, com direito a ver um hotel com ar encardidíssimo com o nome de Hotel Estoril (grande lata!), mete já algum respeito. Nota-se o abandalhamento generalizado, tipo entrar num Bronx, lixo por toda a parte, os edifícios com ar desmazelado, o comércio com aspecto decadente e, mesmo lá no meio da rua, a loja dos portugueses. Junto à entrada, circulando na zona até 2 metros na estrada, vários seguranças com coletes à prova de bala e shotguns. Tudo normal. Lá dentro, a música pimba do pior possível e imaginário, aquela merda toda ao monte, os papeis em cima do pão informando o cliente que era fresquinho (tásse mesmo a ver…), uma salganhada do caraças. As velhotas simpáticas, metendo logo o português na primeira abordagem, com os anormais dos filhos ou mesmo originários da santa terrinha, mas mais novos, a escusarem-se falar em português.

Dizer mais o quê? Deu para comprar uns queijinhos frescos, tremoços, vinho tinto, queijo da serra, bolo rei e morcela. Os ingleses e escoceses cá de casa iam morrendo com os tremoços! E com o queijinho fresco que enchi de pimenta preta até desaparecer o branco do queijo que é como eu gosto e disse-lhes que era assim que nós comíamos…

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Tradução

10 Dezembro 2006

Alguém tentou obter uma tradução automática deste blog em inglês e conseguiu isto:

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Inferno

9 Dezembro 2006

Foi ontem à noite, no Emperors Palace. Um musical bem conseguido, cheio de ritmo, excelentes vozes (a da vocalista era uma coisa do outro mundo) e alguma originalidade coreográfica. Com músicas em inglês, afrikaans e zulu, o espectáculo decorreu sempre acelerado com um corpo de sete dançarinos entre os quais duas que eram de cair para o lado. A mais excêntrica tinha ar de ser eslava, pela tez e feições. Afinal, cof cof cof, era de origem portuguesa! Excelente também o cocktail “sex on the beach”. Com o joelho neste estado, só dá para beber mesmo…

(o par, Craig Smith e Natalie Marques)

Imoral

8 Dezembro 2006

O aumento de 20% do preço do pão, em Portugal. Pena é que um gajo não possa ainda comer chamadas telefónicas, visualização de filmes e os bytes da internet. Por estas e por outras é que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior devia reservar uma parte substancial do seu orçamento para a investigação científica dedicada à realização de implantes de clorofila em seres humanos. Resolver-se-ia, de uma vez por todas, os problemas da fome e a malta ficaria com uma parte substancial dos recursos financeiros disponíveis para telefonar, ir ao cinema e navegar à vontade na net. Sem necessidade de interromper o que quer que fosse para comer…

Tá decidido

8 Dezembro 2006

Vou juntar os trapinhos!

Alucinogénios

8 Dezembro 2006

Devem fazer parte da poluição atmosférica, só pode. Ou isso ou a cadeia alimentar está completamente contaminada. Os casos que vão surgindo são simplesmente inacreditáveis e que merecem alguma reflexão. O que leverá as pessoas a terem uma noção da realidade tão distorcida? Independentemente do conceito de realidade, necessariamente heterogéneo.

[foto] Soneca

8 Dezembro 2006

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O jóquei

8 Dezembro 2006

Perto das três da manhã, acordei com os gemidos do vizinho da frente. Acendeu a luz e vi-o claramente. Pouco mais de metro e meio de gente, carapinha grande, barba farta e densa já com zonas grisalhas, dois rasgos nas orelhas com uns três centímetros cada e magro. Parecia assustado. Levantei-me e perguntei-lhe se estava bem sem que me respondesse algo que me fosse perceptível pelo que limitei-me a ligar-lhe a televisão pois percebi que não conseguia dormir.

Quando acordei, umas horas mais tarde e com as enfermeiras a medirem-nos os sinais vitais, cumprimentei-o e, ao fazê-lo, dei início a uma grande conversa, dentro do possível, com ele. Era jóquei e encontrava-se no hospital porque tinha tido uma queda com o cavalo, provocando-lhe a fractura da clavícula. Queria ir embora do hospital porque andavam atrás dele, quando adormecia. Sentia umas mãos a puxarem-no para fora da cama e várias mãos a agarrarem-no pelo corpo todo. Repetiu-o inúmeras vezes. Que ouvia vozes mas Deus é que evitava que as mãos que o agarravam o levassem. E dizia qualquer coisa em zulu, provocando alguns sorrisos no vizinho do lado. Não parava, sempre de um lado para o outro, aproveitando para insistir sobre a necessidade de sair urgentemente do hospital cada vez que uma enfermeira por ali passava. E repetiu-mo diversas vezes, olhando para a rua, enquanto eu estava sentado à janela.

Dormia serenamente quando saí do hospital.

Soca bis

8 Dezembro 2006

Quando por lá ando, invariavelmente acabo por me escangalhar a rir com elas. A Santinha da Casa deixou dois posts que merecem uma leitura atenta, aqui e aqui. Ficamos a aguardar pelas próximas regras… Entretanto vamos analisando a oportunidade de um possível lançamento de uma Fatwa sobre A Santinha da Casa.

Na barbeira

8 Dezembro 2006

É interessante a quantidade de negócios geridos a partir de casa ou cujas instalações nada mais são do que dependências das [magníficas] vivendas das pessoas. Esta manhã a tão necessária ida a alguém de confiança da dona do sítio onde me encontro para um corte de cabelo. Uma vivenda enorme e uma dependência a funcionar como cabeleireiro, com um aspecto fantástico. Extremamente descontraído com cores berrantes, uns sofás com umas capas em tecido multicolores giríssimas, uma área de lavagem e a dona a tratar do resto. Super despachada, alta, magra, com um cabelo que já não se usa no hemisfério norte e desproporcional à magreza da cara, não deixou de ser interessante. Piercing na sobrancelha direita, tatuagem no ombro direito, a trabalhar descalça, unhas dos pés pintadas de laranja avermelhado, via-se, pela forma como se movia, que percebia do métier. Pelo equivalente a $10, o cabelo foi cortado, deu para darmos umas boas gargalhadas e termos um dia com boa disposição.

No carro, perguntei à J. que idade é que tinha a barbeira estilista de cabelos. Nem queria acreditar quando disse 35. De tal forma o manifestei que a J. disse logo de seguida que não parecia mesmo nada e tal devia-se ao facto dela se tratar muito bem desde nova. Claro que me calei e guardei para mim que a amiga não parecia nada ter 35 mas sim uns 42|43!

Já ando :D

7 Dezembro 2006

Depois de alguns exercícios mais arrojados ontem com a fisioterapeuta, hoje senti-me de tal forma bem que comecei a andar. Nadei bastante – o sol está tão abrasador por estas paragens, 32ºC – e andei dentro da piscina a ver se isto recupera rapidamente. Nunca imaginei é que pudesse voltar a andar tão cedo, 13 dias após a operação.

[foto] Controlo

5 Dezembro 2006

Saída(Entrada) principal da área em que vivemos. Completamente vedada, a área tem apenas 3 pontos de acesso ficando apenas um aberto 24/24. Após a implementação do sistema, a taxa de homicídios e violações caiu para 0%. Contudo, não deixa de ser uma estranha forma de viver afinal cada vez mais comum a vários países.

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[foto] Fixação

5 Dezembro 2006

Foi uma das imagens que mais me chocaram aquando da primeira visita à África do Sul, em 1991. As centrais de produção de energia eléctrica tão diferentes das nossas e do que já vira até então. Agora, tal como na altura, a mesma opinião: arrepiante.

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Pré

5 Dezembro 2006

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Aquisições

5 Dezembro 2006

E porque devia estar mais tempo parado – hoje andei tanto de muletas que já rebentei com um polegar – aproveitei para dar uma saltada à Executive Books. As mais recentes aquisições:

Da Zuma Code, J. Zapiro, 2006
The God Delusion, R. Dawkins, 2006
The Scramble for Africa in the 21st Century-A View from the South, H. Stephen +, 2006
Africa – A Modern History, G. Arnold, 2005
The Power of One, B. Courtenay, 1989
Oxford Paperback Thesaurus, M.Waite, 2006

Dia em cheio

5 Dezembro 2006

Com a remoção dos pontos e a confirmação por parte do médico da excelente recuperação do joelho. Aproveitei para fazer uma grande fita com as enfermeiras, a propósito dos 2 pontos, mas fui rapidamente desmascarado – há sempre alguém a dizer que somos uns grandes fiteiros bah! O regresso está já para breve (mais uns 10 dias por cá). A introdução de pesos com a fisioterapeuta começa já amanhã. Yebo!!!