Arrepios

Não ia falar no próximo referendo, já que a minha posição sobre o assunto é muito clara. Desde sempre. Contudo, depois de ouvir algumas declarações, esta noite, de representantes de um movimento pelo “não”, confesso ter sentido alguns arrepios. Afinal é tudo uma questão de dinheiro? Dinheiro?! Há coisas que não consigo encaixar, nomeadamente as pessoas que vêem o mundo apenas em termos financeiros. Revelador. De igual modo, fiquei sem perceber porque carga d’água a despenalização da IVG, nos termos em que é proposta, colide com o fomento de políticas pró-natalidade e melhoria dos circuitos de distribuição gratuita de anticonceptivos, por exemplo. Fico ainda com uma dúvida delicada, associada ao futuro dos meus possíveis descendentes. Qual o impacto, em caso de vitória do “Sim”, no défice orçamental e, já agora, na dívida pública? Seremos, por essa via, corridos do Euro?

4 Respostas to “Arrepios”

  1. ac Says:

    quanto ao tema do post não discuto, é uma questão de consciência e quando assim é, nenhuma lei será completamente justa!
    Agora quanto ao novo look do Título do Blog já acho imensa piada… em especial depois daquele período de borrão azul ;)

  2. miguel Says:

    Foi a minha fase “borrista”. Sabes que cada artista tem as suas fases :P

  3. clara Says:

    Não estando propiamente pelo não (é mais um nim) entendo perfeitamente o argumento financeiro: se há pessoas que passam anos sem se poderem mexer e cheias de dores porque estão em lista de espera para uma operação, se os meus filhos não têm direito a pediatra porque o sns só dá pediatras até aos 2 anos, se o sistema de saude está tão mal que todos os dias fecham urgencias e maternidades, como esperam ter dinheiro para providenciar ivgs? (com todos os custos de médicos, anestesistas, enfermeiros, material médico, cama, sala, etc que isso envolve).

  4. miguel Says:

    Clara, o meu post limita-se a contestar a relevância que um Movimento pelo Não pretendeu dar à questão. Não me parece que o essencial seja a questão financeira, a qual não terá sido descurada neste assunto. Se vamos discutir o assunto por esse prisma, aquele que alguns representantes daquele movimento utilizaram, então há muita coisa para analisar em termos de despesa do Estado, logo é uma abordagem completamente falaciosa e demagógica. Mal vai o país quando se pensa que há sangue novo nos partidos. Afinal não há.

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