Veselin ii

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Naquele verão, o ponto de encontro era Barcelona, para uma temporada numa qualquer terreola junto ao mar. Um grupo enorme constituído por familiares e amigos, de gente grande e pequena. Férias inesquecíveis também graças ao episódio hilariante no meio do trânsito, no regresso de Andorra. Tipicamente latino, no seu melhor. Esse episódio e o incêndio do Chiado que vimos na televisão, em Espanha. Adiante. Já havia decidido, contando com o total apoio do meu pai (só e apenas dele), que iria, nas férias grandes, dar uma volta à Bulgária. O alibi era o Veselin, quando na realidade era a necessidade de, com 17 anos pintados de fresco, querer ver com os meus olhos como era um sistema comunista. Andava com fortes tendência de esquerda, tal não era a desilusão com a época que então se vivia em Portugal. O sistema, as pessoas e como eu apercebia toda a realidade envolvente em que me inseria. Regressado a Lisboa, foi com grande ansiedade que levantei o passaporte com o visto e aguardava pelo dia da partida. Com $500 no bolso e alguns conselhos do meu pai, entre os quais “este gajo não se aguenta lá mais do que três dias, não te preocupes.”, lá fui, todo animado. A minha primeira grande viagem sozinho tinha início, via Paris, rumo a Sófia.

Os primeiros sinais de mudança de “mundo” ocorreram quando deixei a manga para trás e entrei no avião* da Balkan. As caras, as pessoas, o avião velho ainda com cortinas no interior para tapar a claridade. Aquele sim, era outro mundo. Mas a excitação de ir à Bulgária e de andar num avião de fabrico soviético era bem maior do que tudo o resto. A bordo, a catástrofe sob a forma de comunicação. Ninguém falava línguas. Mau presságio. Acabei por comer o que me deram e que se resumiu a uma sandes mista sintética, regada com água. E voámos, Europa fora, rumo ao “outro lado” cruzando inúmeras fronteiras pelo caminho. À chegada, parecia que o avião ia partir-se todo tal não foi a aproximação e eu, já com muitas horas de vôo, completamente à rasca até ao momento em que pôs as rodas no chão… Auf wie der sehen, tchuß und bye-bye! Olá Sófia!!!

*Tupolev 134

6 Respostas to “Veselin ii”

  1. Miguel Azevedo Says:

    Curioso, Por essa altura, fui a Varsóvia (a minha mulher é de lá…) e tb andei num Tupolev igual, de apenas 2 cadeiras de cada lado e gelo nas janelas, mas do lado de dentro :)))))). Até hoje, só lufhtansa ;). as ideologias morreram quando vi as filas para comprar carne no Natal de 88. Horripilante. E outas cenas k nem é bom contar…

  2. miguel Says:

    Mas que grande coincidência Miguel lol. Eu acabei por resistir 1 semana em Sófia, mais por teimosia do que vontade. Não podia voltar ao fim de 3 dias… Se eu era de esquerda, daquela mais forte, deixei de o ser, como tu, depois de ver e viver aqueles dias em Sófia. De fugir. Completamente. Aqui deixarei um relato do que era na altura aquilo por lá. Abraço.

  3. Miguel Azevedo Says:

    Eu não era de esquerda, mas tinha curiosidade em ver como funcionavam as ditaduras do proletariado. Primeiro grande murro em 85, quando dei uma volta pela europa e estive em Berlim Ocidental e depois oriental. Tal e qual como nos filmes de espionagem… cenas de espiões no metro k ligava os dois lados, pancadaria… e ver o mesmo povo (Alemão) tão diferente, de um lado para melhor, do outro como animais assustados. Abraço tb. E o Joelho? e a … Carla?

  4. Isabela Says:

    Viajei na Air Balkan de Lisboa para Tunis, e depois o regresso, em 1990. Nunca me esquecerei, porque os aviões metiam ar (juro que sentia!) e tinham graffitis na paredes do interior. Ainda hoje conto isto aos amigos. Air Balkan, que saudades!

  5. miguel Says:

    Oh Miguel, o joelho está melhor do que nunca. Inexplicável. Já a Carla, basta leres o post lá mais para cima…

    É uma experiência única Isabela. Agora só a poderás realizar na ex-União Soviética. És capaz é de não poderes contar qualquer história aos amigos lolllllll.

  6. billy Says:

    hi.good site.

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