They make ‘em better ‘n better these days

Trocar dinheiro na África do Sul é uma valente seca. Pedem-nos o passaporte, dão-nos um impresso que nunca mais acaba só faltando pedir o grupo sanguíneo, e sujeitam-nos a uma longa espera apesar de sermos roubados “violentamente” com as comissões que cobram. Já depois do médico, passámos no First National Bank o qual tinha má reputação. Qual quê? Fantástico. Apenas pediram que aguardasse uns instantes enquanto chamavam a supervisora para validar as notas. Anuí. Instantes depois chegava a especialista. Pegou nas notas, tocou-lhes e olhou para elas contra a luz. Deu o seu ok. Enquanto o funcionário ia fazendo a operação e olhava para as notas, não resisti em perguntar-lhe “they make them better and better these days, don’t they?”. Escangalhámo-nos os dois a rir.

E fez-me lembrar este episódio um outro ocorrido no JFK, em Nova Iorque. Os americanos são uma seca dos diabos pelo facto de se levarem muito a sério, por norma. É só normas e normas e ainda mais normas. Lembro-me perfeitamente, da primeira vez que lá fui, ter passado o traço amarelo no chão na área de controlo de passaporte, para estar mais próximo do meu pai, e do tipo que lá estava ter começado a mandar vir comigo. Eu, puto. Bom, mas adiante. (Em 2000) Depois de umas férias porreiras, check-in feito, tivemos que passar por um controlo qualquer da companhia para irmos para a sala de embarque. Atrás dos funcionários estava um painel enorme onde se lia o que era proibido levar para dentro do avião (mísseis, submarinos nucleares, cimitarras, fisgas, clips com elásticos, entre outros). Mesmo assim, fizeram várias perguntas até que chegaram “à pergunta”:

– Are you carry anything against the regulations?
– Such as?
– Fire arms, knifes?
– No I am not. Well, except for two hand grenades, some dynamite and all.

E sorri para o tipo. Levantou de imediato a cabeça, olhou para mim com um ar do piorio e disse-me que me podia mandar prender por causa do que eu tinha acabado de dizer. De nada adiantou dizer-lhe que se transportasse comigo o que quer que seja que não devia, jamais o declararia não é?

8 Respostas to “They make ‘em better ‘n better these days”

  1. cat Says:

    Agora irias mesmo preso. :D
    (muita falta de sentido de humor, essa rapaziada…)

  2. cat Says:

    (por outro lado, se calhar uns edifícios a cairem e tal, tira o sentido de humor à malta…)

  3. miguel Says:

    Bom esqueci-me de dizer que a cena foi em Setembro de 2000… E sempre me deixou boquiaberto este tipo de questionário porque, obviamente, o “culpado” nunca se denuncia. Aliás, só nos States é que me fizeram perguntas daquelas, em mais lado nenhum o fizeram, mesmo no pós-911.

  4. Isabela Says:

    Oh, Miguel, eu estou a escrever isto a rir. Que poste bestial! Tu és doido de todo… então, se no aeroporto de Lisboa, sei eu que eles perguntam a quem embarca numa das companhias americanas, se alguma vez cometeu genocídio…

  5. Emiéle Says:

    Costumamos brincar é com as chamadas perguntas parvas, do tipo «os bolos são frescos» quando a resposta só pode ser uma. Mas essa da verificação das notas e as perguntas, afinal ingénuas, dos tipos do aeroporto são formidáveis! Apesar de duvidar bastante que tivesem algum sentido de humor…
    Cá na Europa o euro facilitou muito essas voltinhas todas. E as «caixas multibanco» onde se pode levantar dinheiro mesmo sem ser euros. Levantei rublos na Rússia e coroas na Dinamarca em dois minutos…

  6. miguel Says:

    Essa é linda Isabela ahahahhahahaha!

    Eles, sentido de humor? Nada! Imagino que sim Emiéle, só que eu não tenho cartões cá. Ando mesmo só com cash, senão daria para fazer o mesmo nas ATMs de cá (até em Moçambique já dá há uns 7 anos) :)

  7. ac Says:

    As minhas entradas nos EUA dariam várias histórias no mínimo caricatas no momento do inquérito policial… mas acho que nenhuma relatada com o requinte das tuas;)
    beijinhos

  8. Miguel azevedo Says:

    Logo a seguir ao 9/11, a 13 viajei por motivos profissionais para Colónia, alemanha. No regresso, perguntaram-me, entre outras coisas, se trazia algum corta-unhas comigo. Como trazia (embora dentro do estojo da barba, que ia dentro da minha mala), tive de o deixar. Já dentro do avião, servem o almoço. O faqueiro era em metal… com uma faca de meter respeito :)))) Áh, a viagem era via Lufhtansa, não por nenhuma daquelas companhias de 2ª linha. Por isso já não estranho nada… :

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