Archive for Fevereiro, 2007

O país em permanente evolução

20 Fevereiro 2007

Foi com agrado que notei estar o país, note-se a comunicação social, a evoluir a passos largos. Já não há apenas directos para políticos caídos em desgraça, ou para um estádio qualquer ou qualquer outro assunto sem interesse. Também já se fazem directos, durante o principal noticiário, de conferências de imprensa de CEOs de cotadas na ENLisbon. Gostei. Para além desse sinal notório de desenvolvimento, o facto de haver alguém nesse país que chame os bois, perdão os Belmiros, pelos nomes.

Cubanos

20 Fevereiro 2007

Se houve coisa que sempre me deixou perplexo prende-se com o prazer que alguns madeirenses têm em chamar-nos cubanos. Não foi assim, com surpresa, que vi no telejornal um reles madeirense com um placar onde se lia qualquer coisa de cubanos ladrões, referindo-se a nós, do continente. Tal como nada me surpreende vindo do seu actual dirigente. De lá só gostava de duas coisas, não existindo já uma delas: a pista curtíssima do aeroporto onde aterrei e descolei no início da década de 80 e o vinho. Mas mesmo este último está a anos-luz do dos cubanos do continente. Dito isto, do fundo do coração e sinceramente, independência já para a Madeira. Já, para ver se nos livramos deles de uma vez por todas. E, já agora, apresentem-lhes a factura dos milhões e milhões que lá enterramos desde a sua “fundação”, por assim dizer.

[foto] O on-shore, algures no mato

15 Fevereiro 2007

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Engraxar os pés

15 Fevereiro 2007

Enquanto almoçávamos, o cronista da guitarra alertou-nos para algo de insólito que estava a decorrer mesmo à frente da entrada do restaurante. Um pacato camarada cidadão a engraxar os pés. Os pés! Exactamente da mesma maneira como se de um par de sapatos se tratasse. A única diferença é que não foi aplicada graxa. E eu que pensava já ter visto de tudo na vida…

Estética

15 Fevereiro 2007

Enquanto aguardava pela minha vez, junto ao caixa da Casa dos Frescos, na Vila Alice, pus-me a micar a senhora que estava a pagar, atrapalhada. Inconscientemente, em momentos de pausa, acabo por ter todos os meus sentidos ao máximo, com particular destaque para a visão e olfacto. Talvez um grande defeito. Mas, voltando à senhora, pus-me a observá-la. Mais do que a sua atrapalhação à procura das notas, chamou-me a atenção o enorme e visível bigode que ostentava. Compreensível nalguns casos e nada de verdadeiramente extraordinário, não fosse o caso de ter umas mãos impecáveis e tratadas por uma manicure…

[foto] Ilha do Cabo, das nuvens

13 Fevereiro 2007

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80 minutos

13 Fevereiro 2007

Só me apetece dizer asneiras. Os 3% de qualidade de vida que me restavam por aqui esfumaram-se neste regresso à cidade kapital. Para além de continuar sem água (acabei de confirmar), não é que demorei “apenas” 80 minutos do Banco Nacional de Angola até à esquina do Hotel Presidente?! 80 minutos?! (acabei de confirmar, à janela, quase 1 hora depois que o trânsito continua parado). Estarão as gotitas que ontem caíram na origem deste kaos? (no meio desta merda toda um gajo ainda ouve um iluminado anunciar na rádio, em tom solene, algo de perfeitamente extraordinário: “a partir desta semana, todas as operações de tapa buracos passarão a ser efectuadas à noite para evitar transtornos no trânsito”. Mas é necessário tirar um curso superior, ser um laureado Nobel ou um génio para perceber que nesta cidade NÃO SE PODE FAZER QUALQUER INTERVENÇÃO NA ESTRADA DURANTE O DIA @?*+!#$ ?!).

Sona(r)ir

13 Fevereiro 2007

Na realidade, Angola conta já com inúmeras companhias aéreas que servem um grande números de aeroportos e similares em todo o território nacional. Assim, de repente, lembro-me de várias. Para além da TAAG, existem a Diexim Express, Air Gemini, Sonair, Air26, SAL, etc… Por norma, dispenso as que fazem parte do “etc…” e ando nas que me garantem alguma qualidade, sendo a preferida a Air Gemini logo seguida da Diexim Express.

Ontem só arranjaram bilhete para o Soyo na Sonair. Avião porreiro, um turboprop (F50), boa tripulação até… bom, até chegarmos ao Soyo. Tudo aparentemente normal, trem de aterragem descido, porta do cockpit aberta e o solo cada vez mais perto. O comandante com a mão nos manípulos que aumentam a potência dos motores enquanto descíamos para, de repente, (vi eu) empurrar os manípulos para a frente e sentirmos todos o avião a ganhar potência e ir em frente, recolher o trem de aterragem e subir ligeiramente. O passageiro de trás já dizia que não era o Soyo, que se tinham enganado porque lá em baixo era Cabinda. A velha que ia ao nosso lado a olhar pela janela e para nós. E nós a olharmos um para o outro e pela janela tentarmos perceber o que estaria a acontecer. Sem qualquer piada, desceram novamente o trem de aterragem e por ali andámos às voltas a baixa altitude. Cruzámos a pista a baixa altitude na perpendicular, demos mais umas voltas bem baixo sobre o rio Zaire até que aterrámos calmamente. Visto noutra perspectiva, só há que agradecer pela volta de quase 10 minutos a baixa altitude pelo Soyo e rio Zaire, com umas viragens algo apertadas, à esquerda e à direita, que nos deram a ver o Soyo noutra perspectiva (extremamente molhada, por acaso).

Hoje, no regresso, a cereja. Já um velhinho Boeing 727-100 (dá-me sempre um grande gozo entrar por trás), ali, na placa, connosco a apanhar uma seca de quase uma hora ao sol. Nessa hora vimos os passageiros saírem, a Toyota Hilux transportar as malas para junto ao “edifício” do aeródromo, algumas hospedeiras saírem para comprarem mandioca “à moda do norte profundo e místico”, seguidas do comandante que foi comprar o mesmo enquanto nós torrávamos, literalmente. Quando nos deixaram entrar no avião, atirámo-nos logo para os lugares mais espaçosos e esperámos. De repente, já portas fechadas, o avião começou a andar e só ouvimos a voz do comandante (?) anunciar à tripulação a descolagem. Fizemo-nos à pista e o avião descolou (uma pequena nota: a tripulação não fez qualquer demonstração das instruções de segurança). Durante a subida, em vez do habitual anúncio “senhores passageiros, por favor mantenham os cintos de segurança apertados até…” blá blá blá, etc e tal, ouvimos uma música brasileira em altos berros, de muito mau gosto, sobre qualquer coisa de Ipanema, e isto durante bastante tempo. Alguém deve ter dito alguma coisa e lá desligaram. Se não fosse a distribuição de um sumo de pêssego, diria que, por momentos, ninguém se apercebera que o avião transportava passageiros (pagantes)!

(Para quando os aviões azuis e brancos a voar por aí?)

Soyo sucks!

13 Fevereiro 2007

Onde é que vão enfiar os 6.000 expatriados e mais de 30.000 angolanos que ali rumarão à procura do próximo El Dorado?

[foto] Fogo na marginal

12 Fevereiro 2007

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Finalmente, a chuva

12 Fevereiro 2007

Depois de imensos dias de calor tórrido e húmido, com o céu carregado mas a não querer deixar cair nada lá de cima, finalmente a chuva. Serena.

1 mês sem água

11 Fevereiro 2007

E assim se continua. Como é que a empresa de água da cidade, EPAL, ganhou um prémio internacional de qualidade? Ou entrarão os ingleses no sector daqui a algum tempo?… Tirando a falta de água, nada como cortes de energia quase todos os dias…

Ahhhhhhhhh os jantares por cá

2 Fevereiro 2007

Sexta-feira à noite. Jantar na marginal, no magnífico Espaço Baía… Um camembert frito com molho de framboesa, fettuccine com salmão e caviar bem regado. Noite excelente, apesar de demasiadamente quente. De luar, com nuvens pelo meio. O peso da semana mais para o fim, durante o café, qual chumbo após o vinho. Terceira faixa no regresso a casa. Sorte que à noite não há traços contínuos e afinal, o trânsito por cá, é autodisciplinado. Quando aparece alguém à nossa frente, desviamo-nos. O mesmo é válido para os outros… Já nas escadas, a descoberta que a nossa casa já tinha ficado três andares para trás. E apenas descobrir isto com o tacto, dedos nos números da ombreira da porta… Mamma! Que noite (ainda começou… Niet?)