Sona(r)ir

Na realidade, Angola conta já com inúmeras companhias aéreas que servem um grande números de aeroportos e similares em todo o território nacional. Assim, de repente, lembro-me de várias. Para além da TAAG, existem a Diexim Express, Air Gemini, Sonair, Air26, SAL, etc… Por norma, dispenso as que fazem parte do “etc…” e ando nas que me garantem alguma qualidade, sendo a preferida a Air Gemini logo seguida da Diexim Express.

Ontem só arranjaram bilhete para o Soyo na Sonair. Avião porreiro, um turboprop (F50), boa tripulação até… bom, até chegarmos ao Soyo. Tudo aparentemente normal, trem de aterragem descido, porta do cockpit aberta e o solo cada vez mais perto. O comandante com a mão nos manípulos que aumentam a potência dos motores enquanto descíamos para, de repente, (vi eu) empurrar os manípulos para a frente e sentirmos todos o avião a ganhar potência e ir em frente, recolher o trem de aterragem e subir ligeiramente. O passageiro de trás já dizia que não era o Soyo, que se tinham enganado porque lá em baixo era Cabinda. A velha que ia ao nosso lado a olhar pela janela e para nós. E nós a olharmos um para o outro e pela janela tentarmos perceber o que estaria a acontecer. Sem qualquer piada, desceram novamente o trem de aterragem e por ali andámos às voltas a baixa altitude. Cruzámos a pista a baixa altitude na perpendicular, demos mais umas voltas bem baixo sobre o rio Zaire até que aterrámos calmamente. Visto noutra perspectiva, só há que agradecer pela volta de quase 10 minutos a baixa altitude pelo Soyo e rio Zaire, com umas viragens algo apertadas, à esquerda e à direita, que nos deram a ver o Soyo noutra perspectiva (extremamente molhada, por acaso).

Hoje, no regresso, a cereja. Já um velhinho Boeing 727-100 (dá-me sempre um grande gozo entrar por trás), ali, na placa, connosco a apanhar uma seca de quase uma hora ao sol. Nessa hora vimos os passageiros saírem, a Toyota Hilux transportar as malas para junto ao “edifício” do aeródromo, algumas hospedeiras saírem para comprarem mandioca “à moda do norte profundo e místico”, seguidas do comandante que foi comprar o mesmo enquanto nós torrávamos, literalmente. Quando nos deixaram entrar no avião, atirámo-nos logo para os lugares mais espaçosos e esperámos. De repente, já portas fechadas, o avião começou a andar e só ouvimos a voz do comandante (?) anunciar à tripulação a descolagem. Fizemo-nos à pista e o avião descolou (uma pequena nota: a tripulação não fez qualquer demonstração das instruções de segurança). Durante a subida, em vez do habitual anúncio “senhores passageiros, por favor mantenham os cintos de segurança apertados até…” blá blá blá, etc e tal, ouvimos uma música brasileira em altos berros, de muito mau gosto, sobre qualquer coisa de Ipanema, e isto durante bastante tempo. Alguém deve ter dito alguma coisa e lá desligaram. Se não fosse a distribuição de um sumo de pêssego, diria que, por momentos, ninguém se apercebera que o avião transportava passageiros (pagantes)!

(Para quando os aviões azuis e brancos a voar por aí?)

5 Respostas to “Sona(r)ir”

  1. Emiéle Says:

    Mas a aterragem no Soyo não seria culpa do controlador do tráfego aéreo? Não vos deram nenhuma explicação? De qualquer modo se o controlador mandou descer não se entende que mandasse borregar depois! É realmente misteriosos.
    Quanto ao Boeing é mesmo desleixo. Não há um livro de reclamações ou coisa assim? Até para ficar registado e não voltarem a repetir(
    só uma nota – não fazia a menor ideia de que existissem tantas companhiazinhas por aí!)

  2. pp Says:

    lol miguel, tinham cintos??? sumo de pessego??? melhorou!!!!!
    [de prata :)]

  3. maria Says:

    Acho bem, porque não aviões azuis e brancos? LOL :)

  4. Manel Says:

    bem … e a Sonair é de quem???

    Pois, o grupo é todo assim e controla uns 75% da economia Angolana …

    Estará tudo explicado?!

    Nem com uma geração lá vai …

  5. miguel Says:

    Emiéle, não faço a mínima. Cheguei mesmo a pensar se não seria um 727 cargueiro na pista. Explicações? Nada. Nem quando borreguei em Lisboa a bordo de um A340 da TAP deram qualquer explicação. E olha que foi por pouco que não nos espetámos na pista… Era só malta a gritar lá dentro! LOL! Livro de quê?! Ainda me atiravam pela saída de emergência fora pá! (há mesmo muitas companhias…)

    ó pp, não me digas nada. Nunca gostei da Sonair. Nunca. Quando andava para os lados de Cabinda era a última companhia em que queria voar.

    Havemos de chegar aí maria. Nunca se sabe.

    Meu, Manel. Sem comentários, como deves compreender.

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