Matondo

Mais de 50 anos de Angola. Homem feito cá, casado e os filhos aqui nascidos. Teimosamente foi ficando, mesmo nos tempos mais difíceis. Era uma figura incontornável, logo pela manhã, para a bica – simbalino, pois – o adoçante e dois dedos de conversa. Todos foram, tendo ele ficado para trás. Era aqui que estava o sustento mas, mesmo assim, não deixava de ir amiúde às origens. Da mesma forma que a vida começa, num ápice, também ela termina, de forma abrupta. Um a um, a velha geração que persistiu em ficar por cá está a ir. Também ele foi, sozinho, na caixa metálica. Quem disse que os mortos já não sentem?

4 Respostas to “Matondo”

  1. Duda Says:

    You’ve described a life, in the history of a country, and a people, loaded with emotion. I often wonder, during the great exodus of Mozambique, what was to happen to the already buried ones? Did their loved ones leave them there?

  2. pp Says:

    some of them still there and here :)

  3. Duda Says:

    Where is there and here?

  4. pp Says:

    mozambique and angola :)

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