Archive for Junho, 2007

Das fotos

28 Junho 2007

Não há. E durante algum tempo muito menos. Abomino a imbecilidade pura, inata ou adquirida por qualquer meio (ainda se paga para se ser imbecil), empolada ao abrigo de um posto, um cargo, uma farda. Dei por mim, de repente, solicitado, sem me pedirem licença, para uma sala onde estavam diversos indivíduos fardados e alguns à civil a pedirem-me a máquina. Porque tinha fotografado a partir do avião sem ter autorização da empresa e do Ministério não sei do quê. Apesar de ter ficado extremanente indignado com tamanha prepotência, entendi não ter que fazer uso do telemóvel porque o caso assim não o exigia. Como as fotografias não tinham ficado nada de especial, acabei por apagá-las. Pergunta-me um agente à paisana “como é que sabemos que não escondeste as fotos num sítio qualquer da máquina para que não consigamos ver?”…

Post scriptum

28 Junho 2007

Claro que podia escrever aqui coisas fantásticas e fenomenais, enaltecendo as virtudes, as qualidades, o fantástico e fenomenal disto e daquilo. Mas não me apetece. Posso?

Clorofila

28 Junho 2007

(Que toda Luanda fosse como a sul…mas não é!)

Intermináveis, as obras prosseguem. Erguem-se novos edifícios, remodelam-se antigos, encerra-se o acesso a outros porque as obras serão (um dia) feitas. E à medida que vou circulando pelas ruas de Luanda, entalado aqui e acolá, procurando fugir a mais um tapume e desconseguir, com sucesso, mais um incidente rodoviário, olhando para pormenores que nos escapam à primeira vista, eis que me deparo com novas obras em espaços repetidos. Leio a tabuleta. De restauro. De renovação. De [re-]renovação. Até mesmo de [re-re-]renovação. Porque obrar é preciso.

NuRa

28 Junho 2007

As longas filas de trânsito para se ir a qualquer lado, acabam por se tornar, ocasionalmente, excelentes oportunidades para pormos a cultura radiofónica em dia. Invariavelmente fico-me pela 96.5 FM, alternando uma vez ou outra com a 99.9 FM. E foi numa destas ocasiões, após o noticiário, que fiquei a ouvir o programa da Edel naquela estação. Por curiosidade. Para além das mensagens [de sensibilização] do costume e de se dizer em voz alta, aos microfones da rádio, quem eram os maiores caloteiros (a Ingombota, pelos vistos, é terrível) eis que o locutor avança para um prédio num bairro da cidade capital, devidamente identificado, onde interpelou alguns residentes a propósito das dívidas. No meio da conversa, sai-se o locutor com esta pergunta a uma vizinha:

– É verdade que há moradores neste prédio que não pagam energia desde a independência?

Em negativo

28 Junho 2007

Após tantos anos, encontrei, pela primeira vez, um polícia [de trânsito] daltónico.

Interdição

28 Junho 2007

De circulação no espaço aéreo europeu da TAAG., na sequência da ocorrência de M’banza Congo.É uma pena o acidente de hoje pelas consequências do mesmo. Em primeiro lugar, a tragédia das vítimas. Em segundo lugar, o facto de uma companhia que recentemente tinha apostado forte na renovação da frota, com um dos melhores (senão o melhor) serviços a bordo das companhias aéreas a operar em Angola, ver-se agora privada de uma importante fonte de receita.

Fica ainda por apurar as causas do acidente que envolveu um dos antigos Boeing 737, pertencentes à frota da TAAG.

No imediato, mais confusão que certamente decorrerá desta interdição para quem viaja de/para Angola.

(nota: correcção à notícia após a confirmação de que se tratava de um dos antigos 737-200 e não dos novos 737-700)

(nota2: correcção ao texto inicial atendendo a que a interdição não se deveu ao acidente)

Prémio Chavez

27 Junho 2007

“A Petrobrás abriu o seu capital a investidores privados, ficando o Estado com apenas 31 por cento. Não acha que, deste modo, o Governo entregou o ouro a capitalistas?”

in JA de 22.06.2007

Suplementos

27 Junho 2007

Folheava o jornal local quando, na minha leitura diagonal, deparo-me com algo diferente dos mambos do costume. “Economia & Finanças”, no topo da página, e uma coluna, à direita, com sugestivos títulos: “Negócios” (boa, boa, é também para isso que cá estamos), “Serviços”, “Bolsa” (ahn? Bolsa? Komué? Vai ou não vai?) e “Finanças”. Parei o movimento dos dedos e direccionei toda a energia para o movimento ocular, concentrado no conteúdo da primeira página. E foi assim que fiquei a saber que a “hotelaria arrecada 167 milhões de dólares”, para ser informado de seguida que há “disparidade de preços no fabrico de carimbos” e que ““Angola poderá ser uma Suiça em África”” dito por M. Melo [1] (suponho que seja uma espécie de Lando lá da “banda”…)

Admito que o artigo sobre os carimbos constituiu, para mim, uma enorme surpresa. Sabia lá eu que um carimbo com 10 milímetros de largura e 25 de “cumprimento” custava 1.632 kwanzas… (e muito menos quais os requisitos necessários para se mandar fazer um).

O restante caderno está interessante, sobretudo porque avança já com uma secção do BPA com dados sobre os mercados internacionais. Tem os fixings para várias moedas, a evolução gráfica do índice Futsexinhua (China) nas últimas 9 sessões, valores para diversos crosses do mercado cambial, commodities, mercados accionistas e indicadores económicos relevantes, entre outros. Finalmente, encontro um jornal que apresenta a evolução do índice Futsexinhua.Custou, mas foi! Quanto aos indicadores económicos penso que são da maior relevância o ZEW, o IFO ou mesmo os Leading Indicators e a indicação do período a que se referem e se são MoM ou YoY. Safaaaaaaa!…

[1] Os brasileiros têm aquela capacidade imbatível de fazerem os outros acreditar que aquilo que dizem é mesmo o que pensam. Então isto aqui está cheio de montanhas e neve? É famoso pelos seus chocolates e pelo seu sistema financeiro? É um país interior? Etc, etc, etc…

Kafka passou por cá

27 Junho 2007

Ou de como a descolonização (e subsequente independência) não foi suficiente para promover a reforma e necessária desburocratização do extremamente ineficiente aparelho do Estado. São enormes os obstáculos com que se depara o comum mortal quando tem necessidade de realizar actos tão simples como a obtenção do livrete de uma viatura e do respectivo registo da propriedade. E o que dizer da renovação do visto de trabalho? Entre tantos outros…

Das situações que mais me espantaram – excepção feita ao enorme pesadelo que constitui uma simples renovação de um VT – é a que diz respeito à legalização de uma viatura. A título de exemplo, uma empresa adquire uma viatura, já matriculada e tal, pronta para circular mas, sem livrete e título de propriedade. Isto acontece porque circula com modelo O e uma declaração do fornecedor a autorizar o uso da viatura por parte do cliente. Claro que entretanto a viatura deveria ter sido inspeccionada. Mais um tormento já que obriga a marcação da data da inspecção na Direcção Nacional de Viação e Trânsito. Uma vez resolvido este passo, obtém-se um verbete provisório, até à emissão do livrete, o qual deverá vir acompanhado de uma guia para entrega na Conservatória do Registo de Propriedade Automóvel, conjuntamente com alguns documentos, para se obter o respectivo Título de Registo de Propriedade Automóvel. O documento em si é todo último grito, hi-tech. O problema é mesmo obtê-lo. Enquanto se aguarda pelo mesmo é entregue ao pobre coitado do feliz proprietário um recibo que substitui, para todos os efeitos legais, o título pelo prazo de 240 dias (8 meses!) o qual, na maioria dos casos, não é suficiente para que seja emitido o título… Mais 240 dias… E por aí adiante. Numa cidade em que são registados 10.000 novos veículos por mês, uma conservatória com 2 guichets é capaz de não ser suficiente para atender a tanta procura.

E dos VTs? Outra situação labiríntica. Os prazos raramente (nunca?) são cumpridos. De tal forma assim é que recentemente, a propósito de uma reunião de embaixadores de diversos países aqui acreditados e o governo através do Ministério das Relações Exteriores, a questão dos vistos foi profusamente abordada.

E por aí fora, por aí fora, por aí fora…

Apita o comboio!

13 Junho 2007

Finalmente, vi-o! E lá ia, em direcção a Viana, quase vazio à excepção de alguns chineses e outros, poucos, ocupantes. A locomotiva, uma carruagem mais pequena acoplada à locomotiva e três carruagens de passageiros. Bonitas. Pintadas num vermelho forte com as palavras CFL – Caminhos de Ferro de Luanda escritas a dourado. Falta agora saber quando chegará a Luanda (e a Malange). Só de pensar que já existiu uma estação de comboios na Maianga, não muito longe da Embaixada da África do Sul…

(Não percebi o que iam a fazer duas pessoas em pé, na frente da locomotiva e do lado de fora. Controlo de qualidade?)

Rigor

12 Junho 2007

Porque é que não pode ser colorido?

Sondagem

9 Junho 2007

Na edição deste fim-de-semana, o Semanário Angolense publica os resultados de uma sondagem realizada pela Consulteste/Semanário Angolense os quais são curiosos. Apesar de 3/4 dos luandenses ter uma opinião negativa sobre o governo de Angola (6,4% péssimo, 44,5% sofrível e 23,5% relativamente mau) contra 1/4 positiva (23,3% relativamente bom e 2,0% excelente), se as eleições fossem hoje, o MPLA ganharia com 59,1%, ficando a oposição com 16,8%, a abstenção  ficaria nos 22,9% e 1,2% sem intenção declarada de voto.

Alguém fica surpreendido? Nem por isso. Sobretudo porque, do lado da oposição, raciocinando por exclusão de partes, os cenários alternativos são de tal forma maus que não surge uma alternativa credível no panorama político nacional. A Unita, em particular nos últimos meses, está mergulhada em quezílias internas, numa luta sem tréguas pelo poder, estando a próxima batalha marcada para o próximo mês de Julho. Já os demais partidos é como se não existissem…

[foto] Futuro

8 Junho 2007

Representação

7 Junho 2007

do Lat. repraesentatione s. f., acto ou efeito de representar;

Pus o último grito de placas e segui o guião enquanto, do lado direito, apenas via e ouvia Ez Special.

Evidências

7 Junho 2007

Nos negócios, mais importante do que sabermos quem são os nossos amigos é conhecermos (muito bem) os nossos inimigos.

Relatório diário

5 Junho 2007

Querido diário,

Mais um dia “daqueles”. Resumindo:

06:00 – Despertador até às 06:16 carregado o botão de snooze para mais uns minutos até tocar novamente e levantar (a muito custo).

06:56 – Alta velocidade, estrada fora, para tentar chegar às 07:00 ao escritório

07:04 – F****! Mais um dia em que não consegui chegar às 07:00…

13:45 – Depois de um excelente caril de gambas (aaaaaaaahhhhhhhhh!) na ilha, um monumental engarrafamento antes de chegar à marginal. Completamente congestionada. Em vez de escolher a Agostinho Neto, optei por ir pela marginal para, alguns minutos depois, optar pelo Baleizão, contorná-lo ao ver que a Rainha Ginga estava igual ou pior que a marginal, enfiar-me pela cidade alta, cortar à direita antes da residência do embaixador da Grã-Bretanha e tentar novamente a Agostinho Neto quando reparo que agora já só se pode virar à direita… em direcção à marginal. Completamente parados, consegui inverter a marcha, subir para a cidade alta, descer pela DEFA, apanhar a rua do Estádio dos Coqueiros, passar em frente ao Palo’s, sempre na boa, sem qualquer trânsito, contornar os candongueiros no meio da estrada antes do Ministério das Finanças, subir, com o GPL do lado esquerdo, pela rua de Portugal e fazer o meu trajecto em pouco mais de 10 minutos. E a marginal, juntamente com a Rainha Ginga, completamente congestionada. Porque será? Rogo algumas pragas aos tipos do porto de Luanda e transportadores por insistirem em circular durante o dia. Antes de chegar ao Baleizão contei cerca de 20 camiões no engarrafamento entre a entrada da ilha e este largo. Ah e 32 navios ao largo à espera da sua vez para atracarem no cais do porto de Luanda…

16:52 – Telefonam-me a informar-me que localizaram os pneus para o meu carro. Acelero pelas ruas sem trânsito e chego ao local em pouco mais de 10 minutos. Um milagre. Depois de alguma discussão lá se consegue fazer o negócio. Já implementá-lo é que foi mais complicado. 3 funcionários demoraram apenas 1 hora a trocar 4 pneus…

18:00 – Consegui sair com os pneus trocados (mas não calibrados). Esqueci-me da chave de casa no escritório. Hora de ponta. Estou f***** pensei. Acertei em cheio.

19:00 – A custo, e depois de muito ziguezaguear pelo meio do trânsito, cheguei ao escritório (não sem antes um mulato gordo, com a barba por fazer, de calças de ganga, t-shirt vermelha com mangas azuis e boné cinzento, aparentando 30 anos e morador na rua… primo da caçula do quê, ex-namorado da J., namorado da T., prima da L. que é, afinal, concunhado da Chica lá do quê, com uma cicatriz por cima do sobrolho direito, ter saído da sua viatura na minha direcção depois de me ter mandado para o car… e que eu era um filho da – esta parte eu não percebi bem, talvez por causa do sotaque – de eu me ter rido para ele não sem mostrar o taco de baseball que tenho no banco de trás, e de ele ter tirado a ponta e mola e eu a Makarov e ele a Ak-47 e eu o Mig-29 e por aí fora…).

19:40 – Já quase a chegar a casa, telefonam-me para uma reunião urgente (começo a duvidar se o telemóvel terá sido uma grande invenção…)

21:00 – Lar, doce lar…22:22 – Post melga no blog! (não falhar)

23:00 – Ó ó?

[foto] Pointe-Noiriénne

3 Junho 2007

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Quelimane

3 Junho 2007

Uma nova referência, a um blog com origem ou sobre a cidade de Quelimane, capital da Província da Zambézia, onde vivi durante algum tempo até ao fim do século passado. Até me arrepiei quando vi algumas imagens que me são tão familiares. Obrigado pelo blog!

São muitos

3 Junho 2007

E cada vez mais os estrangeiros que aqui chegam. O nosso almoço que acabou em jantar, já noite caída, permitiu esta constatação simples pelo facto de atravessarmos o restaurante, da praia em direcção à estrada. A maioria das mesas repletas de brancos. Até já há quem por aí ande a dizer que Angola é o novo El Dorado dos portugueses… Será?

Brututo

3 Junho 2007

Fiquei ontem a saber – resumindo porque a história é longa – que brututo com olho de gibóia e uma outra raíz em pó fazem milagres. Do brututo já eu sabia, tantas vezes nela falam os velhos F. e P.. Bom, a minha avó também guardava sempre nuns frascos barbas de milho e mais algumas coisas, para fazer chá.

[foto] Novo penteado

3 Junho 2007

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Sonangol no BCP

1 Junho 2007

Soube-se hoje que a Sonangol adquiriu 2% do capital social do BCP, tendo por intermediários o novíssimo Banco Privado Atlântico (angolano) e o BIG (português). Depois de ter entrado na Galp através da Amorim Energia, agora o BCP. Não deixam de ser interessantes estas movimentações e a aposta, por parte da maior empresa angolana (lucros superiores a 1.000 milhões de dólares em 2006), em empresas portuguesas. Mais interessante ainda pelo facto do BCP não ter muita expressão em Angola – provavelmente terá aguardado pelo desfecho da OPA, no sentido de evitar a repetição do famoso episódio ocorrido em Moçambique, aquando da fusão com o Banco Mello, e que obrigou o BIM a absorver o BCM – como o demonstram a 10ª posição no ranking nacional no total de depósitos e 9ª posição no mesmo ranking no que ao crédito diz respeito (universo: 14 bancos). Ainda mais interessante, a apetência da Sonangol pelo sector onde já detém uma participação no BAI.