Société Générale

Apenas um comentário: diz muito de como funcionavam bem os controlos internos do banco… (ainda falamos do BCP).

Comunicados do responsável máximo da Société Générale (demissão? Forca mazé!) aos clientes e accionistas.

Estima-se que as perdas de 4.900 milhões de euros representavam uma exposição de 50.000 milhões… Para quem tiver curiosidade, fica um link para uma listagem dos maiores “blunders” de sociedades financeiras nos últimos 15 anos, sendo de destacar a extremamente mediatizada falência do Barings Bank, o banco de investimento mais antigo do Reino Unido, provocada por um dos seus traders baseado em Singapura.

Miguel

17 Respostas to “Société Générale”

  1. cat Says:

    E supostamente o Banco de França é bem mais apertado que o BP…

  2. miguel Says:

    Isto das suposições é tramado!… LOL!

  3. kianda Says:

    pois …

  4. cat Says:

    O gajo é que a fez bem feita, provavelmente. Mas não deixa de ser absolutamente inacreditável, com todo o tipo de controle que existe, de auditoria interna.

  5. miguel Says:

    O que é engraçado é que ou há sempre tipos mais espertos que todos os outros ou será que os sistemas não estavam a funcionar como deviam? Continuo a achar que algo de muito estranho se passará na Société Générale…

  6. cat Says:

    (esse link para os tipos que levaram financeiras à falência tá muito giro)

    Não há sistemas infalíveis, claro. Mas a informática, tendo as suas vantagens, também tem o seus problemas: se o gajo faz transacções fictícias (é sempre a mesma coisa), se calhar ninguém vai ver porque o sistema não acusa nada. O outro foi a mesma coisa, só quando o buraco ficou grande demais é que se deu por isso. Resta saber quanto tempo é que durou o buracão, ou se os 5 bio foram só nas últimas semanas.

  7. miguel Says:

    (por acaso :))

    Claro. Mas, continuo na minha, tem que haver quem olhe para as coisas. Tem que haver quem dê o ok para determinadas transacções. Tem que haver alguém que chegue ao fim do dia e veja o que se passou. Tem que haver alguém que, sobretudo, olhe para os grandes números… Ou não será assim?! 4.900 milhões de euros não são exactamente tostões. Ou terá a Société Générale assim tantos clientes que assumam posições alavancadas estimadas em 50.000 milhões?!

  8. cat Says:

    Não sei, temos que ir ver ao Relatório e Contas. Mas pode ter sido uma coisa súbita. Não estou a desculpar nada, obviamente os controles internos falharam por completo. Mas não sabemos se o tipo andou a enrolar em montantes mais baixos e discretos durante muito tempo e tenha agora visto a coisa a fugir da mão (desta forma incrível) só nas últimas semanas.

  9. cat Says:

    http://www.ir.socgen.com/en/download_a/Societe-Generale_Docref_09-07_gb.pdf

    “The total assets managed by Societe Generale Asset Management and SG Private Banking amounted to EUR 451,1 billion at the end of the quarter”

  10. miguel Says:

    Desculpa lá, 11% do valor total é gravíssimo que tenha passado “despercebido”.

  11. kianda Says:

    Pelo que percebi ele jogava na bolsa e ocultava as fraudes em contas ficticias, acredito que o esquema durante alguns meses desse certo, o problema foi o crash que fez o buraco virar milhões e a careca apareceu …

  12. cat Says:

    Mas não passou despercebido, tanto que apareceu. De resto absolutamente de acordo, gravíssimo.
    Ainda hoje em conversa, levantou-se outra lebre: estes são os que correm realmente mal. E os outros? os que só correm vagamente mal? E os que correm BEM?

  13. pp Says:

    dpois de ler as 35 pags…
    imagino como estara o Mr. Daniel Bouton a esta hora.

  14. miguel Says:

    cat, os que correm bem passam assim mesmo… Disfarçados igualmente, mas como é em alta, nem se dará propriamente por ela. E, acredito piamente, que se o mercado tivesse corrido na mesma direcção das suas posições, jamais teria a exposição adquirido estas proporções, não é? :p

    O Daniel Bouton? Bof… Quis pirar-se mas não o deixaram… lol!

  15. miguel Says:

    Como seria de esperar, a procissão ainda vai no adro e dados adicionais sobre o caso Société Générale começam a vir a público. Segundo o banco, o trader estava exposto em €30.000 milhões no EuroStoxx, €18.000 milhões no DAX e €2.000 milhões no FTSE (cerca de 1/3 do PIB nacional).

    Já os advogados defendem que o trader até 31.12.2007 estava com um lucro de €1.500 milhões e que as perdas de €4.900 milhões se devem a terem desatado a vender todas as posições. Este último argumento é contraditório com o que se refere a esta situação como um acto de atirar areia para os olhos da opinião pública, clientes e accionistas, por parte do banco de modo a esconder os prejuízos provocados pela exposição ao subprime, encontrando no trader o bode expiatório.

    Isto promete…

  16. Miguel A. Says:

    Uma perguntinha apenas ao ‘nosso’ especialista: explica lá como se fossemos miudos de 6 anos, no que consiste ao certo o Sub-prime?

  17. miguel Says:

    Bem, já aqui tinha escrito um testamento dos diabos lol. Ora vejamos… O subprime é a designação do crédito imobiliário de alto risco nos EUA. Por sê-lo, o mutuário paga uma taxa de juro bem mais elevada que as pessoas “normais”. Era este o ganho. Num sector onde se registavam valorizações ano após ano, pelo que o risco seria mais baixo.

    Os mutuantes (banca) pegavam nestes créditos sobre os mutuários e revendiam-nos a taxas interessantes permitindo-lhes encaixar a diferença e diluir o risco ao transferi-lo para terceiros. É que muitos destes produtos, embora não o tenha confirmado, não seriam de capital garantido pelo que o risco é assumido por quem adquire.

    A grande questão é que muito deste crédito imobiliário de alto risco não foi assim vendido mas sim “empacotado” com outros activos de menor risco, de modo a “passar” pelas agências de rating garantindo assim a sua “comercialização”. Ou seja, se tens um puto que não gosta de um medicamento, misturas com algo que ele goste e provavelmente engolirá tudo sem notar praticamente nada, não é?… lol

    O problema é que a crise nos EUA (aumento da inflação e consequente subida das taxas de juro – 15x – aumento do desemprego, desaceleração da actividade económica, redução da confiança quer dos consumidores quer dos empreendedores, logo com impacto previsível na contratação e possível impacto no aumento dos lay-offs faz com que as perspectivas da economia americana, em que 3/4 são consumo privado, não sejam exactamente as melhores) provocou o aumento do desemprego, redução do investimento das famílias e empresas em bens duradouros, redução do consumo, redução do rendimento disponível por via do aumento da factura energética e de juros (entre outros), etc Ora este fenómeno conseguiu provocar um forte disparo no número de incumprimentos e consequentemente execução das hipotecas associadas. Pela primeira vez em 40 anos, o preço médio anual das casas em 2007 sofreu uma variação negativa. É que a procura sofreu um forte abalo sendo a compensação feita do lado da oferta.

    Daqui em diante podes imaginar. Crédito mal parado em alta. Activos cujo valor de mercado caiu significativamente. Enfim, o que à partida poderia ser um balanço engraçado acaba por conter activos cujo valor escriturado não corresponde aos valores de mercado. E por aí fora…

    Deu para perceber? lol

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