Perplexidades

Ouvir alguém dizer que por ter 42 anos já é velha demais para trabalhar*. É evidente que o nosso modelo de desenvolvimento é um falhanço total.

Miguel

* frase proferida por uma operária fabril que perdeu o emprego por extinção do posto de trabalho.

13 Respostas to “Perplexidades”

  1. ac Says:

    uiii falta pouco para me reformar então… LOLLL

  2. maria Says:

    Eu também :))… com o novo “modelo sócrates” faltam-me 42 anos pá reforma lololol

  3. miguel Says:

    O que vale é que levam isto tudo para o gozo lol. Tenho é pena daqueles a quem lhes vendem precisamente a ideia que, com essa idade, já não servem para a sociedade… Embora radical na conclusão, não deixo de ser empurrado para o extremismo quando confrontado com estas realidades.

  4. cat Says:

    Passando ao lado do dizer logo “42? ganda lata!”, fui jantar primeiro lol. Acho que a questão não é ter 42 anos (a idade é muito relativa), mas sim ” e a que idade é que começou a trabalhar?”. É que, por exemplo, a Etelvina que se reformou há uns anos, ainda nem com 50, aos oito anos saiu de casa dos pais, que a puseram a trabalhar numa quinta; dormia sozinha no estábulo das vacas, na parte da palha. Depois disso nunca mais parou de trabalhar. Portanto é tudo relativo, a idade e o envelhecimento precoce, que às vezes é mesmo muito real.

  5. miguel Says:

    Claro lol. Nessa perspectiva. A que eu queria associar este post é a da sociedade que já não encontra lugar para quem perdeu o emprego com essa idade e já não consegue reentrar no mercado de trabalho por ser demasiadamente… velha.

  6. cat Says:

    É uma sociedade com uma taxa cada vez mais alta de desemprego. Não é uma questão social, é a realidade. Não vai arranjar mesmo.

  7. emiele Says:

    Engraçado (engraçado não é nada, maneira de falar…) o modo diferente como se leu este post, desde o gozo (cada um enfiando a carapuça em si mesmo) à perspectiva séria do fantasma do desemprego.
    Eu, que devo ter uma costela esquizofrénica, vi logo os dois lados! Alguma indignação pela ideia de que “um jovem” de 40 anos possa ser classificado de ‘velho-demais-para-trabalhar’ (!!!) Então para que é que serve?… E, olhando à minha volta onde vejo tanto rapaz e rapariga de 30 anos que andam para aí a fazer estágios de graça ou a recibo verde, ou a acumular mestrados e doutoramentos e o raio de modo a dar tempo ao mercado de trabalho melhorar um pouco…
    Depois, vejo o tal lado de que fala a Cat. Quem comece a trabalhar ( e nem precisa ser a Etelvina aos 8 anos) aos 17 certinhos, e aos 47 tenha já uns 30 anos de trabalho em cima. Com pouco mais de 50 devia ter direito a uma reforma, mas…
    E ainda, casos que conheço, como o que decerto deu origem ao post, de gente que está bem apta, mas cuja firma faliu e não consegue arranjar mais trabalho por estar «velha»!
    Complicado, isto tudo. Até porque, mesmo do ponto de vista de saúde mental, o trabalho, ou uma actividade constante, ajuda a manter-nos ‘vivos’ e sem depressão. Mesmo após a reforma devia ser estimulado uma outra actividade.

  8. emiele Says:

    Tchiii…
    Desculpa-me Miguel. escrevi aqui um lençol, e virei para o sério uma graça.
    Não volto a repetir. :(

  9. kianda Says:

    Pois … é sério o problema seja de que prisma for encarado. Talvez o tal modelo de desenvolvimento não seja um falhanço, talvez tenha começado tarde … o caso concreto do post , não vi, mas acredito que seja o problema de pessoas que trabalham a vida toda no mesmo sítio, não estudaram, e acreditam aos 42 que não sabem fazer mais nada … e têm vidas bem diferentes da maior parte de nós, estão cansadas fisica e mentalmente aos 42 para pensarem em “começar” de novo !!!
    Eu aos 36 peguei nas imbambas, pus o filho nas costas e mudei de País e vida e acreditem não foi fácil e foi super cansativo … e tinha a vida bastante facilitada, por vezes a conjuntura da vida em certos momentos é tão pesada nos ombros que nos sentimos “velhos”, independentemente da idade.

  10. miguel Says:

    emiele, claro que não! Este post não era uma brincadeira e muito menos irónico, palavra por palavra. Por outro lado, aproveitando o que dizes, é cada vez mais premente uma actividade após a reforma. O meu pai, que está a ver se se reforma o mais tarde possível embora esteja a mudar de ideias devido à reforma das reformas lol, está preocupado com isso porque, segundo estatísticas americanas, cerca de 3/4 dos que se reforma na área dele acabam por morrer até 5 anos após a reforma…

    kianda, normalmente os malucos safam-se bem lol (por mim falo lol). Quanto ao resto, embora concorde com muito do que dizes, infelizmente para a grande maioria das pessoas não é assim tão “simples”. E é aqui que o Estado tem um papel importante a desempenhar…

  11. ac Says:

    Meus caros! Rir é por vezes a melhor forma de afastar os nossos fantasmas! Naturalmente que a sociedade descarta as pessoas cada vez mais cedo porque surge sempre alguém mais novo, talvez com um pouco mais de energia (nem que seja apenas inicial) para o substituir. Porém chateia-me que as pessoas se resignem como se fosse uma fatalidade e a sociedade não fosse constituida por todos nós!
    Conheço pessoas que na faixa dos cinquentas recomeçaram uma nova vida e venceram esse novo preconceito de que quem entra nos “entas” já é velho demais para ser contratado.
    A solução não passa por apenas sentar e reclamar, mas agir!
    Quem quiser continuar a trabalhar deve ter essa oportunidade e lutar por ela e não ser “encostado ou encostar-se” por causa da idade. Mas não é suposto nós podermos aproveitar o que de melhor a vida nos pode oferecer enquanto caminhamos nas duas pernas, temos os nossos dentes para mastigar e ouvimos sem ajuda de um aparelho?

  12. miguel Says:

    ac, penso que não se deve ter uma visão unilateral. Isso é o que tu pensas e muitas pessoas pensam. E os que não são assim?!

  13. ac Says:

    não são assim como? não gostam de ter opções na vida de continuarem a produzir ou viverem a vida com outro ritmo? ou de não se conformarem com aquilo que alguém lhes impõe como “lei da vida”? Se não for por um caminho terá de ser por outro…

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