Maputo

Basta um “pequeno” acontecimento para servir de catalizador da acção. Tudo parecia calmo e “harmonioso”. Quem diria uma reacção desta envergadura? É só surpresas…

Miguel

PS-Escolta militar até ao aeroporto?! Xéeeeeeee… Ainda não acredito…

17 Respostas to “Maputo”

  1. emiele Says:

    Estive a espreitar uns blogs de lá e o Jornal «O País» que encontrei online.
    Ando a ver se entendo o motivo de uma explosão destas. Não pode ser pelo motivo aparente, ou pode?…

  2. miguel Says:

    É o chamado efeito caldeirão Emiéle… As pessoas têm um limite para tudo. A dimensão da reacção é que é impressionante. Na minha perspectiva, o problema concentra-se em quem manda e que não tem quaisquer credenciais de respeito. Não é crível e muito menos facilmente compreensível que em 13 anos – altura em que pus os pés pela primeira vez em Moçambique – o Estado não tenha sido capaz de criar uma empresa pública de transportes públicos que contrariasse o escândalo chamado Chapa 100. É um povo sofredor e que ganha extremamente mal. O custo de vida em alta. O saberem-se as coisas, se percebes o que quero dizer… O que é que se esperava? Lê o livro que eu tenho referido. Se extrapolares o que se passou noutros lados, começas a ver com outra luz o que se vai passando pelo continente.

  3. kianda Says:

    Onde é que o Estado/governo não criou uma empresa pública de transportes e o povo tem que se socorrer dos candongueiros seja a que preço for ??? Onde ??? Moçambique !!?? Por momentos pensei que seria outro País, é que por vezes é tudo tão semelhante que o meu medo toma forma !!!

  4. Teixant Says:

    Se já antes não conseguia imaginar como a maioria dos moçambicanos conseguia sobreviver, depois destes aumentos não consigo mesmo. Acho que esta crise é um bom abanão na elite moçambicana, se isto se passa em Maputo que é tradicionalmente uma área de apoio da Frelimo, imagine-se se alastra ao centro ou norte. Concordo como Miguel quando se pensa que o governo não “conseguiu” criar uma rede de transportes pública minimamente eficaz. Como serão as negociações com os chapeiros, muitos dos quais, dizem as más línguas, são gente da nomenklatura.
    Hoje parecia que o feriado se tinha prolongado por mais um dia em Maputo (estou a referir-me cidade de cimento), tal era a parca circulação automóvel, mas muita, muita gente a pé. Aconselho, como fonte de informação para seguir os eventos o blog: http://oficinadesociologia.blogspot.com/

  5. miguel Says:

    Completo abanão Teixant. Algum dia teria que acontecer. Nos anos que aí vivi, do Rovuma ao Maputo, vi diariamente como era difícil a vida dos nossos trabalhadores e do cidadão comum. Obrigado pela referência ao blog. Quanto aos chapeiros, claro, sempre ouvi dizer isso. Aliás, quem é que tem mesmo dinheiro aí, em Moçambique, para ter chapas?

    Kianda, é mesmo em Maputo… quanto ao resto só me pronuncio quando estiver no Brasil ou em Cabo Verde lol.

  6. Miguel A. Says:

    O Site é muito interessante Teixant, obrigado pela dica…

  7. emiele Says:

    Foi exactamente esse blog que estive a ler.
    Dos que ‘folheei’ foi o que me pareceu mesmo em cima do acontecimento. Entendo o efeito de acumulação, mas…
    (Miguel, acho que perdi o sítio onde tinha guardado a referência ao livro; mandas-me por email? Obrigado)

  8. Paulo Says:

    Caro Miguel,

    por acaso estes acontecimentos eram de certa forma previsíveis devido ao facto de não serem inéditos.
    Já antes havia ocorrido situações deste género nos bairros suburbanos de Maputo, sempre relacionados com o aumento do custo de via, especialmente dos chapas.
    E a sua análise foi perfeita. A culpa é de quem faz uma gestão “ad-hoc” do sector dos transportes públicos.
    A absoluta falta de soluções que o governo moçambicano oferece aos moçambicanos, força estes a verem-se entregues aos chapas que, por sua vez, fazem e desfazem do pobre cidadão moçambicano [trabalhador, estudante, etc.] que vê metade, ou mais, do seu escasso salário servir só para pagar os transportes.
    Rotas encurtadas pelos “chapeiros” para maior lucro fácil, obrigando os passageiros a apanhar 2/3 chapas [pagando em cada uma das viagens], sem qualquer tipo de fiscalização da polícia ou com a conivência dela, aliado a um aumento nada suave do preço da viagem, foram o barril de pólvora.
    Mas atenção que não podemos confundir a manifestação da população com as pilhagens a lojas e mercearias e os apedrejamentos de viaturas.
    Nestas situações, como sempre acontece, surgem oportunistas que de reivindicadores têm pouco. Foi o caso aqui.
    Gostei foi da postura da RENAMO.
    Em conferência de imprensa dada pelo seu porta-voz, acusou a FRELIMO de ser a responsável pela reacção da população e pelo actual estado do sector dos transportes públicos do país, mas repudiou qualquer acto de violência e apelou à calma e à ordem a todos.
    Estiveram bem.
    Nada os impedia de terem a tentação de incitar a população, procurando tirar dividendos da situação.

    Paulo

  9. kianda Says:

    Fazes bem Miguel, falas lá de cima, do balão … o vaio , o telemóvel ligado ao satélite … “as verdades do quadrado I, II, III ………..”

    Foi também esse blog que estive a ler ontem para tentar perceber o que se passava, muito bom.

  10. pp Says:

    muito interessante o blog, teixante.

  11. miguel Says:

    Paulo, obrigado pelo comentário a partir daí. Interessante a posição da Renamo o que também não deixa de ser previsível. Jamais poderia dar a oportunidade de se ver associada à confusão.

    Pois é Kianda… :p

  12. Miguel A. Says:

    Segundo amigo meu residente em Maputo (e Moçambicano), o Estado teve uma empresa de transportes, como em qq parte do mundo, mas deixou-a falir, para interesse de alguns, claro… o normal, nada de espcial…

  13. Teixant Says:

    Bem o Estado ainda tem a empresa TPM (Transportes Urbanos de Maputo) e há uns tempos adquiriram alguns autocarros (ou machimbombos como se diz por cá) à China, permitindo a criação de algumas poucas carreiras para locais a uns 20 kms de Maputo (Boane e Marracune) mas foram umas gotas de água no oceano da necessidade. No entanto, mais recentemente os TPM adquiriam uns autocarros de luxo para carreiras inter-provinciais! Mesmo se houvesse fundos para a aquisição dos 100 a 150 autocarros que necessitam vejo muitos problemas na capacidade de gerir o sistema. Não daria mais de um ano para que a maioria já não estivessem a funcionar.

  14. miguel Says:

    Teixant, como deves compreender, nada me espanta… O que penso sobre este assunto em concreto é que o investimento é a decisão mais fácil de ser feita, já a gestão é outro assunto muito mais delicado.

  15. RiBa Says:

    Parabéns pelo blog Teixant.

    Chefe, d boas intenções está o inferno cheio.

    Fico feliz por as coisas terem acalmado. Primeiro pela empatia q tenho pelo Povo Moçambicano, segundo porque programei aí uma semaninha d férias e não me apetecia muito ter uma multidão enfurecida a cruzar as ruas… :P

  16. pp Says:

    venho retirar o “e” do teixant e vou ver as actualizacoes.

  17. miguel Says:

    Boas férias RiBa! Moçambique vale a pena! :D

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