The State of Africa (3)

” Após terem debatido se o levariam a julgamento ou simplesmente interná-lo num hospital psiquiátrico, os familiares (de Nguema, 1º presidente da Guiné Equatorial) optaram pela primeira opção. O julgamento teve lugar em Setembro de 1979, no cinema Marfil, em Malabo. As acusações incluíam genocídio, paralisia da economia e apropriação de fundos públicos. De um total de 80.000 homicídios incluídos na acusação, Nguema foi considerado culpado em 500 deles. Nguema rejeitou todas as acusações, sugerindo que o responsável pelos crimes seria o seu sobrinho, Obiang Nguema (líder do golpe de Estado). Juntamente com cinco dos seus colaboradores mais brutais, Nguema foi condenado à morte.

Receosos dos seus poderes sobrenaturais, nenhum soldado local estava predisposto a fazer parte do pelotão de fuzilamento. Por isso, a tarefa foi entregue a um grupo de soldados marroquinos.[…]”
p. 243, Ch13 The Coming of Tyrants

O livro é rico em episódios impressionantes, a todos os títulos, sendo, reitero, uma leitura obrigatória por todos os que gostem destes assuntos (história, política internacional, África, história das ideias políticas e sociais, geoestratégia, etc).

Miguel

3 Respostas to “The State of Africa (3)”

  1. Miguel A. Says:

    TIRADO HÁ 5 MINUTOS DO SAPO… (A~PROPÓSITO DO AUMENTO EM 50% DA TARIFA DOS ‘CHAPAS’ – Candongueiros em Luanda…

    ** Pedro Figueiredo, Agência Lusa em Maputo **

    Maputo, 05 Fev (Lusa) – A capital moçambicana está ainda transformada numa cidade em estado de sítio, de onde só se entra ou sai a pé, com barricadas de fogo em algumas das artérias da cidade e o acesso ao aeroporto a fazer-se apenas com escolta militar.

    A avenida Acordos de Lusaka, a principal artéria que conduz ao aeroporto, está transformada num cenário de batalha campal entre polícias e manifestantes, que conseguiram cortar este acesso da cidade com um carro e vários contentores de lixo a arder.

    No local, milhares de pessoas percorrem os passeios procurando regressar a casa, correndo para as ruas estreitas dos bairros vizinhos sempre que se ouvem disparos da polícia – a que os manifestantes respondem arremessando pedras.

    Nesta avenida, que é uma das “linhas da frente” da confrontação entre as forças policiais e os manifestantes, é ainda possível ver carrinhas todo-o-terreno repletas de militares empunhando metralhadoras, que servem de escolta aos carros prioritários que seguem para o aeroporto.

    Por todo o lado, nos pontos mais altos, centenas de populares observam de longe a confrontação, enquanto nos semáforos, atrás da barreira policial (muitos agentes estão à paisana) dezenas de carros esperam que uma acalmia da situação lhes permita sair da cidade – quem se aventura numa travessia solitária é sumariamente apedrejado pelos manifestantes, caso de um carro de reportagem da principal televisão privada em Moçambique, a STV.

    A “linha da frente”, montada na avenida que ostenta o nome dos acordos que conduziram à independência de Moçambique, repete-se um pouco por toda a cidade, mas agora apenas nas principais saídas.

    Mas no centro de Maputo estão ainda as marcas da violência que se espalhou um pouco por toda a cidade, como resposta ao aumento do preço dos transportes semi-colectivos de passageiros, o meio de transporte utilizado pela maioria dos habitantes da capital moçambicana e arredores.

    Contentores de entulho virados, montes fumegantes de pneus ardidos, pedras espalhadas por todo o lado, seguranças empunhando armas automáticas em alerta, carros de organizações internacionais circulando com a respectiva bandeira desfraldada de fora da janela, carros a fazerem inversão de marcha e a circularem em quatro piscas sempre que pressentem que uma rua esteja bloqueada mais à frente: eis os sinais visíveis dos tumultos.

    Ao contrário de todos os outros dias, hoje não existem “chapas” (as pequenas carrinhas de passageiros que asseguram o transporte na cidade) em Maputo, os carros a circular são muito poucos e é possível ver milhares de pessoas a percorrerem a pé a cidade, resignadas à perspectiva de não terem transporte para sair da cidade.

    De resto, Maputo foi hoje uma cidade paralisada, já que a ausência de transportes impediu muitos milhares de trabalhadores residentes nos bairros periféricos de chegarem à cidade.

    Os bancos, hipermercados, escolas, lojas e outros estabelecimentos comerciais permaneceram encerrados ao longo de todo o dia, depois de manifestantes terem partido montras e vandalizado alguns deles.

    A noite, que entretanto caiu em Maputo, trouxe uma relativa acalmia da situação, esperando-se que as negociações entretanto encetadas entre o Governo e os transportadores consiga trazer a paz às ruas da capital moçambicana.

    Lusa/fim

  2. miguel Says:

    Pois é… nem tudo o que parece é! Às vezes, falta apenas o pretexto. Sorte tive eu de nunca ter passado por algo semelhante nos anos que vivi em Moçambique. É óbvio que isto vai para além dos chapas 100.

  3. miguel Says:

    Uma pequena correcção Miguel A.. O aumento foi de 50% nos pequenos trajectos e de 33,33% nos demais. Ora, conforme se pode ler na história escrita por um funcionário nosso, quando por lá andava, no ano 2000, na altura o chapa 100 custava 4.000 Meticais (ou 4 Meticais, agora). Actualmente custava 5.000 e queriam aumentar para 7.500 Meticais. Ou seja, aumentou apenas 25% em 7 anos. Não tenho dúvidas que por detrás de tudo isto, entre outras coisas, está o aumento dos combustíveis (só pode). Agora, como é que o governo vai subsidiar os proprietários dos chapas? Devem estar a gozar! Porque é que não instalam em Maputo um sistema de transportes públicos a sério que funcionem como deve de ser para servir a população e deixar de dar a ganhar a alguns devido à ausência de transporte próprio de quem tem que se deslocar?!

Os comentários estão fechados.