Archive for Junho, 2008

Bigodes

29 Junho 2008

A grande novidade da 2ª volta das eleições presidenciais no Zimbabwe não é o abandono por parte do candidato do MDC, das detenções arbitrárias, do caciquismo condutor das massas à sombra do bastão, do embaraçoso desempenho de Mbeki, do “fim” da economia zimbabweana ou das repetidas violações dos direitos humanos. Não. O elemento mais formidável desta eleições é o desaparecimento do ridículo bigode da face de Mugabe. Marketing político?

[foto] Simetria imperfeita

28 Junho 2008

O lavador

27 Junho 2008

Da última vez que aqui aportei, o homem que trata da roupa tratou da minha de forma impecável. Bem lavada e engomada, diariamente. Uma vez que nada me cobraram então pelo serviço, lá ia dando umas gratificações pela celeridade e qualidade do serviço prestado.

Hoje, ao chegar já quase no dia seguinte e sem vivalma à vista, depois de acordar o recepcionista para me dar a chave do quarto eis que ele, já desperto, informou-me que “o homem que lava a roupa, já tinha lavado hoje a roupa do mano e tinha ficado à espera do mano até há instantes mas que já tinha ido embora e…” interrompi-o dizendo-lhe para que me procurasse amanhã. Ora, toda a gente sabe que a intermediação onera sobremaneira qualquer transacção…

Das manutenções

27 Junho 2008

– Tu já viste esta direcção?
– Não, o que tem?
– Olha bem para isto…, e tirou as mãos do volante fazendo com que o carro, descompensado, fugisse para a esquerda.
– Eh pá!
– Pois! E saiu na segunda-feira da manutenção. Acreditas nisto?
– Realmente. Já falaste com alguém?
– Oh vou falar com quem? Nunca dizem nada! Deve ter partido algum apoio, porque o carro está completamente inclinado para a esquerda. Isso ainda desculpo agora os calços dos travões?
– Pois…

Chegados ao local, para mais umas horas de trabalho, saímos do carro e passados uns instantes virou-se para mim, junto à parte dianteira do veículo, e disse-me:

– Afinal é um pneu furado!

[foto] Asas da tranquilidade…

26 Junho 2008

Comunicação

26 Junho 2008

Sinceramente que, por ignorância pura, ainda não percebi porque carga de água os chineses falam uns com os outros aos berros. Será cultural ou um qualquer problema genético que lhes afecta a audição? E, já que estou nos chineses, reparei num pormenor interessante. Também eles gostam de deixar a etiqueta na manga do casaco do fato. Fiquei assim a par da qualidade do trabalho do estilista chinês Wang. Por isso e mais algumas coisas que observei enquanto esperava pelo avião, julgo que deve ser tramado ser chinês (ou chinesa…).

Fazer mais como?

26 Junho 2008

Parece que tenho pontaria! Mais um vôo doméstico atrasado. Vá lá que, desta vez, vim prevenido…

[foto] Nascer do sol

26 Junho 2008

O burro

23 Junho 2008

(continuação do post “8”, devido a esquecimento)

Já com o sol quase posto, à chegada ao Lubango, tempo para tomar um café expresso antes de rumarmos ao Namibe por estrada. Descer a serra da Leba às escuras tem o seu encanto, sobretudo porque perde-se a noção, excepção feita para as luzes das viaturas que estão muitos metros abaixo de nós, da dimensão da queda. Com a Huíla para trás, noite escura, e largados estrada fora eis que aparece, de repente, um burro pela frente a atravessar estrada (felizmente muito lentamente). Pela distância, quem está habituado a conduzir recorrendo muito à caixa de velocidades (eu, por exemplo, que aprendi a conduzir na África com estradas complicadas), seria possível fazendo sucessivas reduções aguentar o carro e travá-lo de modo a que o burro atravessasse a estrada. Para meu espanto, o motorista, agarrou-se ao volante, começou a travar e, vendo que o burro estava lento, enfiou o carro metro e meio fora da estrada e passou pelo burro… Confesso que os meus batimentos cardíacos dispararam. No caso concreto, a diferença entre reduzir a velocidade com a caixa e com o travão em simultâneo ou usar apenas o travão pode ser um desastre brutal (íamos a mais de 120). Escapámos. A única vez que passei por algo de semelhante foi na Suazilândia em 1996 quando, após uma curva, demos de caras com um grande boi no meio da estrada…

Frio? Nah…

23 Junho 2008

Vocês não imaginam o frio que está. Mesmo em Luanda, a temperatura já baixa dos 20ºC o que é, diga-se, um frio tremendo. Mais a sul, o frio está a atacar com toda a força. De tal forma que incursões à rua depois do pôr-do-sol já convidam a um bom camisolão e/ou um bom casaco. Safa! Não me lembro de, nestes anos todos, estar tanto frio.

8

23 Junho 2008

Foi o número de horas que esperámos no terminal de vôos domésticos de Luanda para embarcar rumo ao Lubango. Apenas 8 horas. Após 5 horas de espera, já com o check-in feito às 7 e picos da manhã no vôo que sairia às 9, fomos alertados, através do altifalante, que o vôo para Ondjiva/Lubango estava atrasado – por acaso, para que conste, nenhum dos passageiros que já tinha aguentado estoicamente 5 horas até ao momento do anúncio tinha reparado que o vôo estava atrasado… – e que partiria às 13:30. Qual não foi o nosso espanto quando à hora prometida alguém da companhia aérea abriu a porta e gritou Ondjiva. Claro que a malta do Lubango também se levantou e todos tomaram de assalto a porta como se tivessem medo de perder o avião… Afinal, os do Lubango que se voltassem a sentar que já chamariam. E os de Ondjiva lá se foram, sem grandes protestos. Bom, tirando o daquela senhora que já reclamava alto e bom som como é que era porque já não tinha mais nenhuma posição [de que se lembrasse] para dormir.

E o tempo passou, passou e continuou a passar. Funcionários da companhia aérea que dessem informações aos passageiros não havia nenhum. Ou porque era domingo ou porque a coisa que mais temiam era ter de enfrentar a fúria dos passageiros. Entre os que ficaram, os do Lubango, conjecturava-se sobre as razões da divisão dos passageiros. Uma passageira, mais velha, dissertava em voz alta que só podia ser por causa da bagagem. Era preciso separá-la. E olhava em redor à espera de apoio. E repetia. Choviam chamadas para o seu telemóvel e continuava com a sua tese. Desligava o telemóvel e lá dizia para o genro que só podia ser por aquele motivo. E olhava em redor. À sua volta, os que tinham despertado repentinamente com o chamamento para Ondjiva já tinham voltado à posição anterior e havia até já quem ressonasse. Alguns putos já choravam, de fome, de tédio, de cansaço. Nem nisto a companhia teve a preocupação. E o tempo passou. Até que, cerca de meia-hora após o chamamento milagroso para Ondjiva houve um dos passageiros para o Lubango, mais esperto e quiçá conhecedor destes mambos aéreos, que já do lado de fora do terminal virou-se para outro passageiro e, apontando para um avião da companhia que nos devia levar, disse-lhe que aquele que estava a descolar ia para Ondjiva. Xé! Burburinho na sala. Comentários alto e bom som. E o funcionário da companhia que tinha chamado para Ondjiva há muito que tinha desaparecido. Estávamos novamente entregues a nós próprios. Eu lá fui aproveitando para dormir mais um bocado.

E o tempo passou, passou e foi passando até… bom, até ao momento em que o funcionário entrou, toda a gente se pôs de pé, o autocarro chegou e o funcionário, já numa posição segura, atrás de todos os passageiros apenas disse que podiam ir para o autocarro. Que sim, sim, era mesmo para o Lubango. Já eram quase 15:30.

A parte gira foi ir para a província quase ao cair do dia. As sombras provocadas pelo pôr-do-sol no interior são magníficas. A parte hilariante, excepto para nós, teve a ver com a razão do atraso de 8 horas: o comandante faltou…

22

19 Junho 2008

O aniversário (claro que me lembrei miúda!) da minha querida maninha. A caçula e única mulher da família, gira ainda por cima. E forte! Só tem um grande defeito: não lê o que aqui escrevo. Mesmo assim, uma beijoca muito grande destas terras d’África!

10

19 Junho 2008

(A Bo Derek é muito melhor, sem dúvida!)

Ao fim de praticamente dois meses, o regresso ao ginásio e o corte de alguns “excessos” permitiu mandar embora 10 Kg. O que mais me impressionou foi ter perdido logo 7,5 Kg ao fim do primeiro mês… Lá no ginásio até já me chamam “caenche” (só me faltava esta!).

Escusado será dizer que a minha vida tem sido muito pouco net nos últimos tempos. Basicamente trabalho (muito), projectos que nunca mais acabam e o encerrar de processos, com o tempo livre passado a esfolar-me todo com muito gozo, diga-se. Uma vez mais, chego à conclusão que o mais importante para termos sucesso é a forma como encaramos os desafios. A “psique” é fundamental. Em tudo.

[foto] Vendedora

9 Junho 2008

Revelações

9 Junho 2008

É verdade que as Reservas Internacionais Líquidas de Angola não param de aumentar de forma vertiginosa. Em Dezembro de 2005 eram $3.179.080.000. No fim do mês de Abril de 2008 atingiam já o valor astronómico de $13.369.730.000, garantindo assim entre 25 a 28 semanas de importações de bens e serviços, ie, muito acima das 12 semanas standard. O petróleo a revelar aqui o seu enorme peso na economia angolana já que é o principal responsável por tudo o que está a acontecer por cá nos últimos tempos. Se em 2007 o petróleo já representou 95,4% das exportações angolanas (96,8% se juntarmos produtos refinados e gás), aos actuais preços dá para se ter uma ideia de como será 2008…

Indo um pouco ao cerne da questão que me levou a escrever este post, confesso que fiquei algo espantado com os dados referentes ao PIB per capita de Angola. Suspeitava que tivesse melhorado significativamente mas não com a magnitude que constatei. Em 2007, o FMI considera Angola como o 88º país com o maior PIB per capita, ie, $3.757, à frente de países como Tailândia, Colômbia, Namíbia, Ucrânia, Síria e Paraguai, apenas para citar alguns. No continente, a sul do Sahara, ocupa a 7ª posição apenas sendo ultrapassado por outros produtores petrolíferos com menos população ou paíse com outro tipo de estrutura económica como é o caso da África do Sul, Maurícias, Seychelles ou Botswana.

Já só falta mesmo o desenvolvimento económico.

Sugestão

9 Junho 2008

Ao circular na cidade ocorreu-me uma ideia que resolveria substancialmente o problema da difícil circulação na cidade. Submeter todos os condutores – nacionais e estrangeiros – a um exame de condução…

Kamikaze

8 Junho 2008

Tinha na altura 13 anos quando experimentei das sensações mais radicais da minha vida. Juntamente com apenas mais um do nosso grupo de férias de verão, escorregámos pelo kamikaze abaixo, um escorrega de água com 8 andares de altura, uma descida inicial com uma inclinação de uns bons 90% e uma recta interminável para com a resistência provocada pela água pararmos. A sensação ficou para sempre na memória.

Acredito que actualmente esta mesma sensação terão os traders dos mercados mais voláteis e que têm proporcionado, completamente alheios e indiferentes ao que vai ocorrendo por esse mundo fora, ganhos/perdas inimagináveis. Alguns exemplos:

1. O euro valorizou-se em apenas 2 dias mais de 400 pips contra o dólar.

2. O petróleo teve a sua maior valorização de sempre na 6ª feira, um dia que ficará para a história, 6 de Junho de 2008, registando uma valorização perto de $11 por barril provocando a suspensão momentânea da negociação por ter ultrapassado o limite máximo diário que era de $10, fechando no recorde de sempre nos $138,54 para o WTI (Nymex).

3. As bolsas “mergulharam” no vermelho no fecho de 6ª feira, com particular destaque para os EUA e todas as Sonae cotadas na Euronext Lisbon, sendo expectável que a procissão ainda vá no adro…

Tempos difíceis estes que vivemos… Assaltam-me inúmeros pensamentos decorrentes de algumas reflexões sobre a forma como tudo tem evoluído de forma vertiginosa e, acima de tudo, a total incapacidade, da grande maioria dos governos, em prever o que agora é já uma quase tragédia e ameça tornar-se uma verdadeira hecatombe de proporções “bíblicas”. Alguns sectores da economia começaram já a manifestar a sua preocupação e desagrado pela evolução dos preços da energia e bens essenciais. Quanto a isto não vou aqui desenvolver muito mais para não tornar este post demasiadamente extenso.

Termino fazendo referência a um livro que me chamou a atenção há uns anos, numa das minhas idas a Lisboa, em 2003,  e  no qual  “tropecei” nas arrumações por estes dias da biblioteca cá de casa. Trata-se de um daqueles livros “estranhos” dado fazerem uma abordagem “original” aos ciclos económicos. Com o título “Os ciclos económicos e a teoria das cinco transformações. Como prever as crises económicas e os períodos de prosperidade”, de Sérgio Domingues, publicado pela Gradiva em Julho de 2003 (1ª ed), ISBN 972-662-915-2, o autor, socorrendo-se da tal teoria mencionada no título da obra, aponta para que 2008 e 2009 sejam 2 anos de instabilidade, 2010 um ano de transição para o agudizar da crise que atingirá o pleno em 2011 e 2012. O ano seguinte será novamente um ano de transição para um período de prosperidade. Interessante? Para já parece-me daí que tenha reiniciado a leitura do livro.

Estavam a pensar sair já de Angola? Pensem novamente…

[foto] Entardecer junto ao BNA

8 Junho 2008

5 anos

4 Junho 2008

O blog da minha miúda fez 5 anos. Vale sempre a pena dar lá uma espreitadela ;)

Leve

4 Junho 2008

Enigmas

4 Junho 2008

Acho alguma piada a enigmas. Pelo gozo que me dá decifrá-los… Bom, quando me interessa, tenho paciência e estou para aí virado. Na sequência de uns mambos ocorridos hoje, chego à conclusão que uma parte do norte é para mim uma verdadeira incógnita. Tipo “e tudo o vento levou” numa área bastante vasta tendo como epicentro o Porto. Contudo, tal como nos ciclones, uma boa parte do Porto safou-se por estar no “olho” do ciclone. Comprovo-o do que conheço daquela magnífica cidade e das suas gentes (a minha família também não anda muito longe dali). Contudo, há ali uns espécimes que são uma coisa do outro mundo. O meu próximo enigma será o seguinte:

1. Alguns cursos de Engenharia tornam as pessoas arrogantes, prepotentes e convencidas que Deus está abaixo delas;

2. Alguns cursos de Engenharia contribuem para agudizar as tendências de arrogância, prepotência e convencimento de que Deus está abaixo delas;

3. É indiferente o curso de Engenharia que tiram porque antes de ingressarem nas Faculdades de Engenharia, os “futuros” já são arrogantes, prepotentes e convencidos que Deus está abaixo delas.

Desculpem-me os meus amigos engenheiros e demais que são pessoas normais mas há tipos que são inenarráveis e quase sempre dos mesmos cursos de engenharia (porque será?).

Disclaimer: pronto, confesso que a minha primeira missão no exterior foi, a partir de determinada altura, com engenheiros nacionais. Não vou descrever pormenorizadamente o que foram 18 meses de coabitação com gente reles, a todos os níveis.

Solidariedade

4 Junho 2008

Este blog apoia os pescadores e os vareiros. Ambos, gente em vias de extinção. Sinais dos tempos, puramente economicistas que trucidam tudo e todos sem qualquer pudor em desterrar para o esquecimento o que é a herança e tem sido um modo de vida de todo um povo ao longo dos tempos.

De repente, comecei para aqui a reflectir… E pescar com barcos à vela? Não dará? Aumentava-se a frota pesqueira, dinamizavam-se os estaleiros navais nacionais, criavam-se postos de trabalho em terra e no mar…

Há outras soluções mas que devem ser subsidiadas pela UE. Se os submarinos e porta-aviões têm reactores nucleares, porque é que os barcos de pesca não podem ter também?

Problemas na net

3 Junho 2008

Coisa estranha. Por onde ando agora, parece que a Movinet não quer funcionar em condições…