Afinal…

… a coisa está, por assim dizer, a ficar negra. Ora, depois dos nossos amigos do Fortis que, foi ontem decidido pelos governos belga, holandês e luxemburguês, vai receber uma injecção de €11.200 milhões de euros (MEUR) depois de fracassadas as negociações para a sua aquisição por parte do gaulês BNP Paribas e do holandês ING Groep. Isto, 1 ano depois de ter adquirido, num consórcio com o Royal Bank of Scotland e Banco Santander, o ABN Amro por €73.000 MEUR, cabendo-lhe a si uma parte correspondente a €24.000 MEUR…

Um mal nunca vem só, diz-se. E é bem verdade. Como coelhos a sair da cartola, um após outro, os bancos estão a ser “salvos generosamente” pelas autoridades (as mesmas a quem caberia a responsabilidade da supervisão e legislação adequada).

Depois de, durante o fim-de-semana, ter sido tornado público o salvamento do britânico Bradford & Bingley – entretanto o Banco Santander já comprou os depósitos e a rede de balcões, ficando o governo britânico com o crédito hipotecário o qual deverá ser transferido para o já nacionalizado Northern Rock – foi hoje anunciado que o banco alemão Hypo Real Estate Group receberá qualquer coisa como €35.000 MEUR do governo alemão e um grupo de bancos privados, de modo a não ir ao tapete. As causas? Forte exposição ao mercado hipotecário de alto risco americano e problemas de financiamento provenientes da sua subsidiária irlandesa Depfa Bank PLC…

Em França especula-se que um banco deverá ser intervencionado estando a sua cotação a cair a pique na bolsa gaulesa. Trata-se do Dexia.

Na Islândia, o governo teve que injectar €600 MEUR no Glitnir Bank recebendo em contrapartida 75% do capital do banco, evitando assim o colapso do mesmo por dificuldades de financiamento de curto prazo.

Uff!… E nós, à beira-mar plantados?…

PS1-E as autoridades norte-americanas acabam de anunciar (há cerca de 20 minutos atrás) que o Wachovia foi comprado pelo Citigroup. Mais 1… embora a FDIC – Federal Deposit Insurance Corporation – tenha anunciado que o Wachovia não “falhou”, tratando-se de uma operação normal de mercado visando manter a credibilidade na banca americana atendendo às condições presentes do mercado.

PS2-Isto é uma grande seca para quem aqui vem, mas é para mim algo de verdadeiramente extraordinário merecendo, por isso, o devido espaço neste blogue. A última grande crise a sério do sistema, ocorreu nos anos 80 tendo, na altura, ido à falência mais de 1.000 bancos. Mesmo assim, ainda longe dos 4.000 que faliram em 1933.

5 Respostas to “Afinal…”

  1. emiele Says:

    Não é seca nenhuma, Miguel!
    Olha que tenho passado por cá, exactamente para «saber as últimas». És o meu explicador preferido, para estas coisas estranhas, que ditas por ti fazem sentido e quando leio noutros sítios não entendo peva!
    Eu, pessoalmente, não tenho mesmo dinheiro nenhum e não é por mim individualmente que estou preocupada, mas entendi que esta situação se transbordar sobra para todos, tenham ou não dinheiro.

  2. Ricardo Says:

    bom… quanto a ‘nós’ o melhor é nem pensar… sabendo a exposição e endividamento da banca portuguesa… o melhor é mesmo nem pensar… se a moda pega na europa…

    parabéns pelo blogue

  3. miguel Says:

    Obrigado emiele :) E é exactamente isso. Ao nível do consumo terá impacto assim como nos empréstimos de médio/longo prazo, com taxa variável, cujo indexante será espremido nos próximos tempos devido a problemas de [cedência de] liquidez.

    Obrigado Ricardo. Logo que possa farei uma visita mais demorada a mais um companheiro que anda por cá ;)

  4. miguel Says:

    Bom, foi anunciado hoje que o Dexia recebeu uma injecção conjunta da França e Bélgica no montante de €6.400 MEUR…

  5. Round 2 « SDBlog Says:

    […] Atlântico o pacote de ajuda e de, por outro lado, ter falhado o plano de se salvar o banco alemão Hypo Real Estate. Apesar do governo alemão ter assegurado €26.500 MEUR dos €36.000 necessários, os bancos […]

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