Volatilidade

É impressionante o que tem estado a acontecer nos últimos dias, com variações diárias violentíssimas nos mercados (accionista, mercadorias, moeda, taxas de juro, etc…). Depois da maior queda de sempre ontem de vários índices (maior da história, em pontos, do Dow Jones Indutrial Average, maior queda do S&P500 dos últimos 21 anos, maior queda da capitalização bolsista do mercado norte-americano, etc), eis que hoje os mercados recuperaram uma parte substancial das quedas de ontem.

Afinal, o que aconteceu hoje que tenha mudado o sentimento? Bom, em primeiro lugar hoje não faliu ou foi intervencionado qualquer banco… hummm… tirando o Dexia, mas isso já estava descontado, provavelmente. No fundo, a especulação tem sido rainha e, tal como está, não está mesmo para brincadeiras. Supostamente, uma boa parte da subida terá sido alimentada pelo “short-covering”. Por outro lado, diz-se que houve empresas tão castigadas que foram hoje alvo de caçadores de pechinchas… Há ainda o fecho do trimestre que terá sido igualmente responsável pelas subidas já que há a necessidade de melhorar o “quadro”. O presidente Bush, 45 minutos antes da abertura, fez um discurso a pressionar o Congresso para aprovar uma versão do pacote de $700.000 milhões sob pena de assistirmos a um desastre global. Finalmente, alguns dados que saíram da economia americana foram menos maus do que o esperado.

Noutros mercados, a situação nas últimas 24h foi também de forte volatilidade. Destaco, a título de exemplo, a Libor O/N que subiu de 2,56875% no fecho de 2ª feira para 6,875% no fecho de ontem! E as taxas, em todos os prazos, continuam a subir.

Atendendo a que se espera agora que seja aprovado um pacote “generoso” pelo Congresso ainda esta semana, e analisando o índice de volatilidade sobre o S&P 500, o qual esteve ontem perto de máximos históricos, o qual corrigiu hoje tendo desenhado um bearish harami, é natural que os ganhos dos mercados continuem amanhã e, eventualmente, na 5ª feira. Como é que a semana terminará? É uma grande incógnita. O meu palpite, apesar de tudo, é que se não for encontrada uma solução que agrade ao mercado, isto é capaz de abanar um bocadito…

Continuo a pensar que a situação é extremamente delicada e termino este post citando o economista-chefe do UniCredit, em Londres, “We are facing a systemic crisis of confidence in the global financial system that is pushing us increasingly closer to a complete meltdown“.

PS- Ontem, a notícia de que o banco Wachovia tinha sido “salvo” através da sua aquisição pelo Citigroup, num negócio patrocinado pelo governo americano, provocou uma queda das acções do banco de 81,6%, ie, passou de $10,00 por acção para $1,84. Hoje, subiu “apenas” 90,22% para $3,50…

6 Respostas to “Volatilidade”

  1. Cat Says:

    Sim, mas a Libor Overnight (tá cheio de jargão o teu texto, caneco) é uma coisa de curtíssimo prazo. Tens que ver taxas a longo prazo e essas não estão com variações tão grandes. A minha estimativa? Plano aprovado, mercado delirante (só estão à espera disso), índices a subir à força toda. Vamos ver… e na Europa já se viu que nada vai abaixo, nem pensar.

    Nem nos USA, como é evidente. Penso que seja uma questão mais de braço a torcer, mas que o pacote é aprovado, isso sem dúvidas. Ninguém quer gente a saltar pela janela e isso seria apenas a ponta do princípio do fim. Alguma vez se vai escaqueirar a economia mundial? Nem pensar.

  2. pp Says:

    Chefe, promete que amanha nos elucidas de uma forma mais “soft”, e’ que se a cat nao comenta fica tudo muito mas mesmo muito mais negro. :p

  3. miguel Says:

    Cat, acabei de colocar dois gráficos neste post com as taxas Euribor (Euro) e Libor (Dólar), ambas a 6 meses. Como podes ver, apesar dos esticões serem mais violentos nas taxas de curto prazo, repara só no spike da Libor6m no dia de ontem… disparou até aos 4%! Agora não tenho tempo, mas é um assunto interessante de ser analizado, a correlação existente entre as taxas das várias moedas, em diferentes prazos, e as taxas directoras de referência dos bancos centrais. Quanto ao jargão, sabes que há coisas que são mais difíceis de não referir em poucas palavras senão utilizá-las e, mesmo assim, não está assim tão cheio lol.

    Quanto às nossas perspectivas são algo diferentes. E repara que, neste momento, os futuros sobre os índices norte-americanos estão em queda. Isto independentemente de que tudo será feito para aguentar o sistema, sem dúvida.

  4. Miguel A. Says:

    Ó chefe, o mundo espera pelas tuas soluções para salvar a humanidade. Das desgraças já sabemos… lol

  5. miguel Says:

    Ó Miguel A., não seja por isso. Vamos todos para a Guiana…

  6. Miguel A. Says:

    boa, subscrevo. Preferia Nova Zelandia ou Austrália, mas tb serve…

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