Round 2

Umas rápidas…

O forex abriu com o cross eurodólar em gapdown, ie, o euro está debaixo de forte pressão em resultado de, por um lado, ter sido aprovado do outro lado do Atlântico o pacote de ajuda e de, por outro lado, ter falhado o plano de se salvar o banco alemão Hypo Real Estate. Apesar do governo alemão ter assegurado €26.500 MEUR dos €36.000 necessários, os bancos comerciais que financiariam o resto retiraram a oferta depois de ter sido publicado um relatório do Deutsche Bank que adiantava precisar o banco em apuros de qualquer coisa como €50.000 MEUR até ao fim do ano e de €70.000 a €100.000 MEUR até finais de 2009. Para se ter um termo de comparação, o Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal em 2007 foi de €162.919 MEUR…

O Estado do Massachussets pediu, durante o fim-de-semana, ajuda federal de emergência para fazer face a despesas correntes.

Há instantes, 1 Euro valia 1,3650 Dólares. (Link para gráfico em tempo real)

PS-Acabou de ser noticiado que o governo alemão vai injectar €50.000 milhões porque o banco é “grande demais para falhar”. Claramente, nada será como dantes!

Uma resposta to “Round 2”

  1. miguel Says:

    Hoje foi um dia verdadeiramente fenomenal. Em ambiente de crash e desesperante para muitos, ameaçando mesmo que o céu cairia a qualquer momento, os mercados despencaram de forma vertiginosa um pouco por toda a parte dos dois lados do Atlântico, depois de um dia mau na Ásia. A título de exemplo, Lisboa conseguiu perder numa só sessão quase 10%, maior queda de sempre do índice PSI-20. É obra!

    Na Europa, o cenário não foi muito diferente com Paris, Frankfurt e Londres a registarem quedas igualmente assinaláveis. Com a abertura dos mercados no continente americano, a tendência de queda acentuou-se sobremaneira com os fechos que se verificaram.

    O Euro caía forte no mercado cambial tendo mesmo registado valores abaixo dos 1,35 contra o dólar. O petróleo deu igualmente de si no que terei forçasamente que caracterizar de movimentos fortemente especulativos. A volatilidade é de tal forma elevada que chega a assustar. Perguntas complicadas começam já a ser feitas pelo cidadão comum, perante as aberturas dos noticiários, as manchetes dos jornais e o barulho de fundo (e não só) que invade o quotidiano de quem não acompanha de perto estes mercados. Ainda hoje lia alguém que perguntava a um especialista “agora é que estou a ficar mesmo com medo! E se o sistema financeiro mundial implodir?”.

    Registo a necessidade de vários chefes de governo virem a terreiro dizerem para os cidadãos não se preocuparem que garante todos os depósitos. É obra!

    Nos EUA, o Citigroup que tinha “logrado” comprar o Wachovia por $2 mil e tal milhões de dólares, com o apoio das autoridades, viu-se ultrapassado pelo Wells Fargo que ofereceu 5x mais sem o apoio das autoridades no que levanta já algumas questões. Afinal quanto vale o Wachovia? Estava assim tão mal que necessitasse da ameaça da FDIC tendo que “aceitar” a oferta “amigável” do Citigroup? E que dizer agora do acção judicial interposta pelo Citigroup contra a Wells Fargo, Wachovia e algumas centenas de indivíduos por ter sido “ultrapassada” neste negócio exigindo agora uma indemnização de $60.000 milhões de dólares norte-americanos?!

    Finalmente, depois do descalabro asiático e europeu, os EUA fecharam em níveis aceitáveis, recuperando mais de metade das perdas catastróficas registadas durante a sessão, num dia em que os volumes transaccionados foram brutais. Para registo, o Bovespa – índice de acções brasileiro – chegou a perder durante a sessão mais de 15%!

    Felizmente, apesar das consequências nefastas no curto/médio prazo, parece-me que será o fim do capitalismo selvagem e da prevalência das visões mais radicais do neoliberalismo sobre a economia, com impacto na vida de todos nós (como aliás resultará da presente crise).

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