Verde

O governo da República Democrática do Congo anunciou hoje que pretende cancelar 2/3 das licenças de corte de madeira, ao abrigo de um programa governamental, apoiado pelo Banco Mundial, no sentido de proteger a segunda maior floresta tropical, a seguir à Amazónia. A ideia, para além de combater a corrupção e proteger o ambiente, consiste em reduzir a área florestal destinada a exploração comercial de 22 milhões de hectares para “apenas” 7. De facto, seria uma lástima perder o imenso mar de verde que observei durante horas no vôo de Cabinda a Kigali.

Este assunto é-me caro. Enquanto vivi em Moçambique, testemunhei o massacre de parte da floresta. A corrida desenfreada de alguns ao que tinha sido preservado durante a guerra pela inacessibilidade dos locais mais recônditos da floresta moçambicana. O pau-preto de Cabo Delgado, as árvores de tronco grosso de Mueda, a umbila, chanfuta, panga-panga e tantas outras da Alta Zambézia. E os chineses que levavam tudo o que lhes aparecesse à frente, tivesse crescido ou não, estivesse dentro dos limites ou não.

Jamais esquecerei a seiva vermelha que saía da casca da umbila cortada, tal e qual como se de sangue se tratasse. Impressionante. E os restos mortais das árvores que ficavam abandonados na floresta?

11 Respostas to “Verde”

  1. Cat Says:

    É impressionante como grande parte das pessoas, assim que vê uma árvore, imagina-a logo em peças…

  2. engricky Says:

    Isto está bom pra mim, anda tudo virado pró ambiente :) Até O Mais Velho agora quer novas políticas ambientais…

    Cat, essa das peças apenas revela imaginação. Impressionante é o facto das pessoas não se chocarem com zonas desmatadas apenas com os tocos das raízes enterrados e sem vida nenhuma. Não lhes ocorre q não se estão a matar apenas as árvores, mas todo o ecossistema circundante e, duma maneira global, o planeta.

    VIVA UM MAIOMBE SAUDÁVEL!

  3. maria Says:

    Miguel,

    Este é um assunto particularmente pungente. Há um blog 5 biliões de * que eu acompanho (faz muito tempo) por variadíssimas razões que passo a enumerar:

    O autor é absolutamente cativante (um homem interessantíssimo de todos os pontos de vista), sabe escrever e comunicar de tal forma que quando descobri o blog tive que ler tudo o que estava em arquivo, tem um sentido estético que aprecio, é um dos melhores fotógrafos que já vi online, tem um filho que é uma “moca” e uma mulher à altura e com a qual tenho aprendido sobre a Corea, embora mais reservada.

    Nesse blog e a propósito do “Verde” e dos Chineses foi-me dada a conhecer uma realidade assustadora. Deixo o link, as imagens falam por si e recomendo que sigas os links. Vale muito a pena.

    Deixo também o link para o fotoblog. Imperdível. Absolutamente inspirador. Para quem gosta, claro.

    http://www.mexicanpictures.com/headingeast/2008/06/benoit-aquin.html

    http://www.mexicanpictures.com/

  4. catarina Says:

    Revela apenas imaginação? LOL! De quem? Das pessoas que querem cortá-las?

  5. engricky Says:

    ya cat :D Estava a ser irónico.

    Bonito o blog Maria

  6. migas Says:

    Realmente esta semana fiquei um tanto ao quanto chocada, numa certa província, com uma exuberante floresta e que me parece que está a ser brutalmente explorada. Alguém me diga se sabe que o que se passa no Uíge, é normal? Aquilo cheira-me a exploração a mais… Mas eu também percebo pouco. Para ter sido tema de conversa, durante a viagem, é porque não foi só um camiãzito… :o( Mas se o engricky diz que isto anda virado para o ambiente, a malta acredita.

  7. engricky Says:

    Xé!? Você não ouviste o Camarada Presidente? Habitação e Ambiente. Já!

  8. Miguel Says:

    maria, obrigado pela indicação do blog :)

    catarina, verdadeiramente impressionante. Mas o que mais me chocou ainda foi ver na floresta os “destroços”, ie, para se tirar um tronco com 3 metros de comprimento, ficava no chão da floresta o resto da árvore, cerca de 3 ou muitos mais metros e um diâmetro brutal. Tudo ali, atirado para o lado porque não tinha valor comercial. Uma chacina.

    migas, enfim. Só te digo que a sobreexploração de madeira em determinados países é de tal forma intensa que o pau-preto foi considerado em vias de extinção na Tânzania… Em Moçambique, a velocidade do corte sem o devido planeamento e reflorestação levará a que espécies bem famosas, para além do pau-preto e mogno, possam um dia desaparecer para sempre – jambire, chanfuta e mesmo o pau-rosa.

    Ya Ricky. Faltam os actos ;)

  9. migas Says:

    Mas era assustador miguel, a quantidade de troncos bem grossos. Acho que naquele caso, também são os chineses a fazer a exploração. Se é ou não controlado, não sei. Mas fiquei com a impressão que não era, dada a quantidade. :o(

  10. miguel Says:

    Acredito que sim. Sabes que os chineses aproveitam tudo! Por exemplo, o pau-rosa ou pau-ferro não era serrado pelos meios convencionais após cortado por ser demasiadamente duro. Nós tínhamos equipamento da Máquinas Pinheiro (Trofa) e, mesmo assim, se puséssemos lá um tronco, rebentávamos com a serra de fita rapidamente. Bom, o que é que os chineses faziam? Compravam tudo, levavam para a China (normalmente Hong-Kong) onde havia um depósito permanente de algumas dezenas de milhar de metros cúbicos de diversas madeiras mergulhados na água. No caso concreto do pau-ferro, o tronco era cozido para amolecer a madeira e depois cortavam o tronco como bem queriam…

  11. kianda Says:

    Este post deprime-me :-(

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