África, a grande oportunidade

No meio da avalanche de más notícias que tem abalado o mundo nos últimos meses, com particular destaque nas últimas semanas, a Economist desta semana faz um retrato extremamente favorável ao continente africano, “região” subsariana. Excepto…bom, excepto alguns por motivos distintos: a Nigéria e a guerrilha do delta do Níger, o Zimbabwe e a hiperinflação, o Sudão presidido por um presidente que se quer julgar por genocídio, a Somália dos piratas e anarquia generalizada e, finalmente, a África do Sul cujo futuro político é algo incerto pela demissão “forçada” de Thabo Mbeki.

Tenho vindo a escrever alguns posts sobre o Zimbabwe nos últimos anos, por ter vivido ali ao lado e conhecido o país em 1999. E que país! É com grande perplexidade que vou acompanhando os acontecimentos com reflexos devastadores no quotidiano dos seus cidadãos. Alguns dados falam por si: inflação anual oficial de 231.000.000% (oficiosa: 531.000.000.000%) o que faz com que os preços dupliquem a cada 11 dias e 8 horas…

A segunda nota com maior valor facial jamais emitida, onde se vissem os números, é zimbabweana e foi emitida a 1 de Julho de 2008, com validade até 31 de Dezembro de 2008. A nota vale o valor astronómico de 100 mil milhões de dólares zimbabweanos (ZIM$100.000.000.000,00). Dava para comprar 3 ovos…

Em Agosto de 2008, o banco central zimbabweano redenominou a moeda retirando-lhe 10 zeros. De nada serviu. De agosto até agora, foi “forçado” a emitir notas até ao valor facial de ZWD$20.000,00 (antigos ZIM$200.000.000.000.000,00) e que valiam, ao câmbio oficial de 8 de Outubro, US$113,42 ou, no mercado negro, USD$0,02. Chegou a tal ponto que o governo zimbabweano autorizou a utilização de moeda estrangeira nas transacções directas em lojas e supermercados. E quem não tem?

3 Respostas to “África, a grande oportunidade”

  1. Ricardo Says:

    Tenho, infelizmente, sérias duvidas que africa venha a desenvolver-se como deveria e podia… será africa terra de oportunidades para os seus próprios povos? parece-me que nunca o será… tenho pena… mas a grande oportunidade de que falas é para meia duzia de europeus, chineses, russos e americanos que porque cá andam… e mais meia duzia de dirigentes locais.

    Assim esteja enganado…

  2. miguel Says:

    O título era irónico. O articulista foca, depois de passar em revista os maus exemplos, os casos de sucesso em África. E que o crescimento económico tem sido superior ao do resto do mundo, etc. Muito desse crescimento tem a ver com a forte subida das matérias-primas. E o resto? A sustentabilidade das economias a médio-longo prazo? Uma incógnita. Mesmo assim, afirma que o apetite do investimento estrangeiro por estas paragens estará em forte alta nos próximos anos. É como tudo, já li precisamente o contrário…

  3. Miguel A. Says:

    Agora no Zimbabwe a moda é cada um que possa (sobretudo comerciantes que NÃO estejam liggados à importação de alimentos) passarem a fronteira e carregarem os carros com bifes, ovos, etc, etc, que depois revendem, com baixa taxa de lucro, aos amigos e familiares. O suficiente para a viagem ficar de borla…

    Puro bizness ao melhor estilo mangolê. Confirmado ao vivo em Jo’an na passada semana por 2 zimbabweanos

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