Archive for Março, 2009

6 anos

29 Março 2009

Fez no dia 7 de Março, 6 anos que cheguei a Angola. Com outros tantos de Moçambique e já lá vão 12. Jamais esquecerei quando me perguntaram ao chegar a Moçambique pela segunda vez, por quanto tempo ia ao que respondi na altura que por 2 anos no máximo. Sorriram e disseram-me que também eles o diziam anteriormente.

Replay

29 Março 2009

Nesta altura do ano, por sinal mais intensa em termos de trabalho, acabam por ser recorrentes as reuniões ao sábado. Neste caso foi fora de Luanda tornando o acontecimento algo “penoso”. Mais de 2 horas para chegar ao local da dita, no meio de um engarrafamento descomunal – a propósito, o CD já deve ter acabado pois vi no outro dia o 99-56 – e conós que têm carta sei lá eu como. Já no local, atrasado, tive que esperar quase 2h para reunir devido a um “imprevisto” programado inconscientemente. Sem sobressaltos, a reunião foi “rápida” e em conformidade com as expectativas e estratégias há muito definidas. É engraçado como, ao longo do tempo, muito se torna reflexo mais por comunhão de perspectivas do que por condicionalismos vários. Adiante.

O Giovanni estava eufórico como habitualmente. É uma figura incontornável da minha, da nossa, de muitas passagens por estas latitudes. Muito saber e experiência. Há sempre um. Em Moçambique era o Henriques, também conhecido por Wela Wela. Energia sem fim. Levei o comandante G. até ao R. pois este dizia-me sempre que lhe falava do Giovanni que gostaria imenso de voltar a vê-lo. Grandes kambas. Os dois juntos, são muitos quês. E riem-se, rimo-nos todos que nem uns perdidos após meia dúzia de palavras. Tantas histórias.

Saudades passadas, metemo-nos a caminho. Demos muitas e mais voltas, tentando assim escapar ao trânsito e fazendo-nos temer não chegar à cidade a tempo de evitar as nuvens cinzentas que se iam concentrando por cima de Luanda. Nem de propósito. Instantes depois de ter deixado o Giovanni em casa, caíram as primeiras gotas. Uns minutos depois e já caíam bátegas, não sendo a velocidade máxima do limpa pára-brisas suficiente para afastar toda a água que nos caía em cima. O vento fazia abanar até os semáforos como se fossem simples ramos. Mesmo assim, com velocidade reduzida, consegui chegar ao meu destino e fazer um compasso de espera na vâ tentativa da chuva acalmar. Qual quê! Piorou. Já não era só chuva forte acompanhada de vento. Começaram a cair os raios em toda a parte e mesmo por cima de nós. Relâmpagos enormes que rasgavam o negro do céu logo seguidos de trovões imponentes. Uma tempestade daquelas, famosas por estas paragens e que normalmente se seguem a dias demasiadamente quentes e abafados como o de hoje. Apesar de estar a apreciar o espectáculo que sempre é uma chuva destas – alguma vez esquecerei a chuva a atravessar o rio dos Bons Sinais em direcção a Quelimane? – tive que sair do carro e correr os 5 metros, com grandes quantidades de papeis debaixo dos braços, para chegar à zona seca desconseguindo evitar uma valente molha.

Já com menos chuva e vários papeis vistos, fui correr um bocado. Mais 10km. Hoje dediquei-me a contar quantas passadas dava num minuto. A12kmh, contei 176. Ou seja, 1,14 metros por passada. E como gosto de estatística, claro que calculei quantas passadas dei hoje durante a corrida… qualquer coisa como 9.460! Como a máquina dá o consumo calórico, também se chega ao valor por passada. Mamauêê!!! Ou seja, se comer um daqueles chocolatinhos que não gosto nada, mas mesmo mesmo nada, tenho que correr várias horas… é lixado!

A caminho da casa do príncipe, já com menos chuva mas muita água na estrada, foi possível ver alguns dos estragos provocados pela chuva forte do fim da tarde. Muita água, buracos destapados, pedras, terra, lixo, vegetação e painéis caídos. Até nas escadas dos prédios.

Depois da festa, ao levar um amigo do pai do príncipe à ponta da ilha, aproveitei para fazer um reconhecimento ao terreno pois estava programado irmos tomar um copo esta noite. Rapidamente percebemos que seria má escolha. Pelo caminho, alguns sinais recentes de grandes acidentes lembraram-nos de como é perigoso circular à noite em Luanda durante o fim-de-semana. Mais adiante, as chapas colocadas em várias obras não resistiram à chuva e ao vento e tombaram para o meio da estrada. A carga de água foi de tal forma que o trânsito estava perfeito. Quase ninguém. Melhor assim, pois a água era tanta que o inferno seria mais do que uma realidade. Caramba! Há tanto tempo que não via assim tanta água.

À chegada a casa, a chuva continua a cair mas agora com uma cadência muito menor. Imagino as notícias que sairão amanhã…

    Adiante

    25 Março 2009

    Que a “crise”  continua por aí. Vou acompanhando, mais ou menos à distância, a evolução da dita. Alguns contornos são interessantíssimos. Desde a recente divulgação que a Lehman Brothers pode ter ido ao “tapete” devido à prática proibida de naked short selling que terá estado na origem da queda vertiginosa das suas acções na bolsa, seguindo-se o colapso que culminou na presente crise até às recentes intervenções da China relativamente ao dólar americano.

    Não questiono se o que se seguiu [ao colapso da Lehman Brothers] poderia ter sido evitado ou não mas se a administração Obama estará tão preocupada em punir tão severamente os autores e actores do atrás descrito com tanta energia como a que demonstrou para a devolução dos prémios atribuídos a funcionários da AIG – e como é que está o processo do mega desfalque de centenas de milhar de milhões de USD dos contribuintes americanos desaparecidos no Iraque?

    As notícias, que em catadupa se atropelam nos streams, divulgam dados a uma velocidade vertiginosa. Sobre o desemprego, sobre as medidas de Obama, sobre a venda de casas usadas, sobre as medidas de Obama, sobre a venda de casas novas, sobre as medidas de Obama, sobre a forte contracção do total de plafonds atribuídos em todo o universo de cartões de crédito em circulação, sobre as medidas de Obama, sobre a revisão do PIB, sobre as medidas de Obama, sobre a variação do rendimento individual, sobre as medidas de Obama, sobre a variação da despesa individual, sobre as medidas de Obama, sobre o Chicago PMI, sobre as medidas de Obama…

    Claro que mais assustador é saber-se que as exportações nipónicas caíram 49% em Fevereiro, que se prevê agora que a economia alemã possa contrair-se este ano 9%, que a Roménia teve que pedir uma “linha” de 20.000 milhões para não entrar em default, que os anúncios de intervenção de vários biliões de dólares (triliões na versão americana) estiveram na origem da recente desvalorização da divisa americana, que o último leilão de OTs britânicas não conseguiu ser colocada na sua totalidade, etc, etc, etc.

    E o que dizer do imposto extraordinário de €1.000 por contribuinte a ser implementado este ano na Grécia?

    Sinceramente, acho que não é de se perder muito tempo com isto. Será extremamente interessante estudar este período da história contemporânea, numa perspectiva académica, e pouco mais. Bom, a não ser forçar a alteração das regras do jogo. Tirando isso, é aproveitar o que a vida tem de melhor já que esta crise é muito original. Quem lixou a confiança?

    Moeda ao ar…

    25 Março 2009

    É cada vez mais assim que olho para os bancos locais. Ora se tem sorte ora se tem muito azar. Mas, por cá, parece-me que a qualidade do serviço tem caído vertiginosamente. Hoje foi um daqueles dias de bradar aos céus…

    Adoro ir aos bancos. Sobretudo pelo tempo que se perde, por muito bem atendidos que sejamos. Por cá, acaba por ser sempre uma verdadeira maratona. O trânsito, lugar de estacionamento, as filas (sou muito cumpridor e não gosto muito de passar à frente de ninguém) e os diálogos por vezes surrealistas com as funcionárias. Explicar que, qualquer movimento bancário, sobretudo o que tenha a ver com débitos efectuados pelo banco são passíveis de emissão de documento comprovativo desse movimento pela entidade bancária. E não só de débitos falamos. Depois, porque o sistema não emite. A seguir porque já é do ano passado e o sistema já eliminou. Para terminar com o fenomenal do está no extrato!

    O melhor estava reservado para perto do fim do dia (bancário, claro). Cheguei ao banco por volta das 14:35 e, como é (a)normal, a gestora de conta não se encontrava presente. Esperei. E esperei. Esperei mais porque precisava mesmo dos documentos e não gosto de ter movimentos em aberto. Uma hora e tal depois, já perto das 16:00 e com o banco fechado, a senhora lá apareceu. Cigarro numa mão, chaves do carro na outra e uma descontração de quem já está com o espírito noutras paragens. Começou por atender uma “doutora”, independentemente de ter chegado muito depois de mim, com todo o deferimento e numa situação que eu só me ria porque se passou toda à minha frente. Então “doutora”? Qualquer dia é como no Brasil onde qualquer artista é “dôtô”. Voltando à minha queridíssima gestora de conta que me fez esta cena pela segunda vez mas, na primeira, mandei umas bocas e fui embora porque tinha mais que fazer, lá me atendeu. Fui rápido, curto e conciso. Pedi-lhe alguns comprovativos de movimentos bancários de uma certa dimensão. Olhou para aquilo e voltou a olhar. Que não podia ser naquele momento. Que deixasse ficar que “depois” trataria do assunto. Ok, aqui a minha pulsação deve ter disparado para os 150… Perante a minha estupefacção, disse-me que aquela hora já não podia fazer mais nada porque tinha que fechar o dia ao que lhe respondi que seria natural pois tinha ficado mais de 1h à sua espera… Repetiu para deixar ficar que depois tratava do assunto. Perguntei-lhe quantos anos é que demoraria a dar-me os documentos? 20, respondeu-me, perguntando de seguida se estaria bem.  Aqui as coisas azedaram um bocado… E que mandasse o nosso funcionário habitual. Estava lá eu, respondi-lhe. Nem o nosso funcionário e muito menos eu, tínhamos tempo para passar a vida no banco. Ora não havia sistema, ora não podia, ora não se encontrava no local de trabalho, ora que deixássemos, ora que ia falar com os colegas que tratam do assunto, ora que não sei o quê e não sei o que mais… E repeti que queria os documentos e se não conseguiam dar-nos a porcaria dos três papeis! E que não podia. Até porque estava a pedi-los pela primeira vez, como é que eu queria que mos desse naquele momento. Respondi-lhe então que não só tínhamos escrito a solicitá-los como o nosso funcionário já se tinha deslocado ao local inúmeras vezes sem sucesso. E perguntei-lhe, uma vez mais, se achava que nós não tínhamos mais nada para fazer a não ser passar a vida num banco à espera que nos entregassem por favor algo que era legitimamente nosso e obrigação do banco entregar ao cliente. Sem mais paciência, após perguntar-lhe com quem teria que falar uma vez que ela não era capaz de me dar os documentos solicitados, acabei por abandonar as instalações do banco. E a decisão tomada de tirar de lá todo o dinheiro. E a reflectir de como são umas bestas de uns incompetentes, displicentes, “arroguentes” e todas as palavras terminadas em “entes” que se possa imaginar e de como de vez em quando se lembram de nos contactar a perguntar porque é que não trabalhamos mais com eles, que não gostamos deles, etc e tal… Espelho, espelho meu…

    Após este testamento, lá tenho alternativa a não ser bater recordes atrás de recordes?…

    30.000|54:53

    25 Março 2009

    E 33.000 aos 60:00, com as ppm a dispararem da zona dos 135-140 para 173 na recta final. Começo a gostar disto e a aguentar longas distâncias sem me chatear. Posto isto, com a pulsação controlada há que apontar agora para uma primeira competição no fim do ano!

    Coisas da Terra

    20 Março 2009

    Fonte: Reuters

    Impressionante a erupção submarina ocorrida hoje ao largo de Tonga, no Oceano Pacífico. Noutras fotografias que vi, tiradas de outras localizações, dá mesmo a sensação de se ver um cogumelo atómico. Escapámos a algo do género, no dia 2 de Março, graças à passagem de raspão pela Terra do asteróide DD45 2009, apenas descoberto a 27 de Fevereiro, a 72.000km do planeta…

    Bem prega Frei Tomás!

    20 Março 2009

    Acredito piamente que, devido à falta de lucidez e demência precoce aliadas a uma inacreditável pobreza de espírito, tenha feito uma promessa de entrega generosa de dízimo extraordinário, à conta da boa-fé alheia, de modo a tentar evitar o lugar que já lhe está garantido e reservado no inferno. Verdade seja dita, com aquela cabeça completamente destruída por alucinações, gritos em ambientes colectivos e curas milagrosas por acção “divina” contra uma “esmola”, já vive, ela, num.

    A piada de toda a história é ter-me ameaçado um dia com a acção divina e que seria julgado no dia do juízo final. Depois de eu lhe ter dito em diversas ocasiões, anteriores à ameaça, que era ateu e que estava a perder o seu patuá? Para além de todos os outros defeitos – por isso é que se refugiou na religião, pois ser-lhe-á mais fácil pagar os perdões e fingir-se a beata das beatas do que regenerar-se – é burra que nem uma porta!

    O título do post tem a ver com o resto.

    Domani matina

    20 Março 2009

    Cá chegará o Papa.

    Felizmente decretaram tolerância de ponto, senão seria, ironicamente, um verdadeiro inferno na cidade. Sorte de quem tem a oportunidade de gozar mais um excelente fim-de-semana de 3 dias. São uns atrás dos outros para gáudio de quem os usufrui devidamente.

    Nada como ser ateu e ir para a praia sem remorsos ou complexos de culpa de qualquer tipo.

    49:49

    19 Março 2009

    Em resultado dos conselhos do meu “treinador”, dediquei esta semana ao controlo cardíaco em treinos mais prolongados seguidos de descanso de, pelo menos, 24h. Hoje foi simplesmente excepcional pois percorri os 10.000 metros sem grande esforço e “sem dar por ela” em 49m49s (12,1kmh, 699kcal, 154ppm), o que é um novo recorde pessoal em “pista coberta” e 2m30s abaixo da marca anterior.

    O grande objectivo era o de controlar o ritmo cardíaco e ir ganhando resistência. Aos 10:00 estava com 150ppm, aos 20:00 com 151ppm, aos 30:00 com 153ppm, aos 40:00 com 154ppm e terminei com 173ppm após 2:00 a 16kmh com recuperação para os 134ppm nos 0:60 seguintes. A média dos 10.000m ficou-se pelas 154ppm. Seguiram-se 10km de bicicleta em 20:00 com 131ppm em média. A minha FCmáx é de 183ppm (90% 165ppm, 80% (A) 146ppm, 70% 128ppm e 50% (R) 92ppm) pelo que o treino chegou aos 84,2% da FCmáx. Utilizando o método da RFC, tenho 123ppm o que coloca os 80% (A) em 158ppm e os 50% (R) em 122ppm. Seguirei este último método para determinar os meus limites os quais deverão ser “legitimados” por um médico na minha próxima deslocação a Portugal.

    Recorde aos 12:00

    13 Março 2009

    Grande dia hoje. Bati o meu recorde de sempre nos 12:00, ao fazer 2.980m, ie, uma média de 248,3 metros por minuto ou 14,9 km/h. Por apenas 20 metros não consegui atingir o objectivo! Peraí! Objectivo? Passo a esclarecer… o autor deste blog foi “descoberto” ontem por um antigo olímpico português no ginásio. Virou-se para mim, estava eu já a correr a alta velocidade, e disse-me “olha para a frente e não para baixo! não feches as mãos, gastas mais energia…”. Como já conhecia o tipo de correr a altas velocidades, acedi. No fim, disse-me que até nem tinha sido mau ter feito 2.890 metros mas que o objectivo eram os 3.000. Hoje foi por pouco…

    Entretanto

    12 Março 2009

    Preocupados com a saúde da economia, do mercado de trabalho, da próxima bolha a estourar e tantos, mas tantos, outros assuntos que se destacam nas agendas doméstica e internacional, a última coisa que se esperava era um incidente militar entre os EUA e a China e logo no Mar do Sul da China.

    O que é verdadeiramente interessante é que a cada inauguração presidencial, a China “testa” o novo presidente norte-americano. Apenas cerca de 2 meses após ter tomado posse como presidente dos EUA, George W. Bush era confrontado com um incidente relativamente grave envolvendo um avião Lockheed P3C Orion, cheio de instrumentos electrónicos, o qual, após colisão em pleno ar com um caça chinês, foi forçado a aterrar de emergência na ilha chinesa de Hainan e a sua tripulação detida. Pior sorte teve o piloto chinês que acabou por morrer. Desta feita, é Obama que é confrontado com um incidente naval, cerca de 2 meses após a sua tomada de posse. Contrariamente ao piloto chinês, as embarcações que se aproximaram do navio de guerra americano, ao apanharem com os jactos de água dos americanos, despiram-se e mostraram-lhes o cu.

    A precisão é impressionante, já os métodos denotam alguma evolução…

    Sistemas…

    12 Março 2009

    Volta e meia, quando se vai a qualquer lado, não há sistema. Pretende-se pagar a água na EPAL e… não há sistema! “E agora?”, pergunto. “Volte na 2ª feira…”, responderam-me.  Vai-se ao banco para levantar dinheiro, saber o saldo, entregar um documento e… não dá, porque não há sistema! Que não haja sistema, ainda vá que não vá, agora que o ar condicionado esteja avariado…

    O recordista dos sem sistema é o BFA. De tal modo assim é que, de tanto faltar o sistema, está-se já perante um caso…sistémico! (isso e encontrar no banco a minha gestora de conta, mas isso são outros mambos…).

    A raposa e a ovelha…

    11 Março 2009

    (ainda bem que o tipo é benfiquista!)

    “Unita acusa Vale de desviar um milhão”
    in Correio da Manhã, 09.03.2009

    O que me fartei de rir com esta notícia. Como é possível? Então passa-se um milhão para um tipo sem se ter mais informações sobre o mesmo?! Um cadastrado, alvo de tanta publicidade há não muito tempo?

    Raramente falo de futebol

    11 Março 2009

    Desde que me conheço, sou do Sporting. Não daqueles ferrenhos. Não dos de cartão ou lugar cativo. Mas “amo” o meu clube. Gosto do leão. Gosto do equipamento. Da mística, o que quer que isso queira dizer. Mas, sobretudo, porque o meu melhor amigo de infância, quatro anos mais velho do que eu, o Mário, era do Sporting! Bom, o meu pai também é. E a minha mãe, claro! E os meus primos quase todos, menos os que nasceram tortos e gostam do Benfica e um ou outro do Porto. Adiante. Após esta humilhação ultrajante a que nos submeteram, o que é que o Paulo Bento ainda está a fazer no Sporting?!

    Mudança de hábitos

    11 Março 2009

    Não deixa de ter a sua piada. Desde que recomecei a fazer desporto, a minha disponibilidade para outras actividades, praticamente desapareceu. Hoje em dia, a título de exemplo, se passar 1h diariamente na net é meramente por acaso e a maioria desse tempo por razões profissionais. Os [meus] dias, por norma, começam bem cedo, cerca das 6h da manhã. Seguem-se manhãs invariavelmente agitadas, seguindo-se um almoço na piscina e um resto de dia de trabalho já mais calmo. De modo a cortar o mais possível o stress, uma vez que não sei fazer por menos, segue-se uma sessão “violenta” de ginásio com preponderância na componente cardio. É o que mais rebenta comigo, distrai-me e, sobretudo, não quero ficar uma besta. Como acabo tarde, por volta das 21:00, já só tenho tempo para comer algo, inteirar-me do que se passa no mundo – o mesmo é dizer como é que fechou o cross eurodólar, o preço do petróleo, a evolução da crise, noticiário financeiro, o que se passa em Portugal (muito na diagonal) e no mundo, salto ao BNA para ver se já actualizou as estatísticas, um ou outro blog para ver se está tudo bem – não sem dar uma vista de olhos nas várias contas de e-mail que tenho (se tiver paciência e não tiver ainda adormecido no sofá!). Claro que Messenger não tenho, ie, não abro. Er… não tenho tempo. Nada do género. Uma vista de olhos aqui no blog e já está! Cama porque até tenho umas coisas para ler e preciso dormir… :p Ah claro, o corolário disto tudo é a consolidação em torno dos 70 e um certo regresso a hábitos antigos e que muito gozo me davam. Só falta recomeçar a desenhar.

    Os da minha rua

    9 Março 2009

    ondjaki_osdaminharua

    Já tinha lido alguns artigos sobre Ondjaki, o escritor angolano revelação da nova geração. Na semana passada, na piscina, uma amiga falou-me igualmente bem dele e do que escreve sugerindo a leitura de “Bom dia camaradas” ou “Avó Dezanove e o segredo do soviético”. Calhou um amigo regressado esta semana de Lisboa ter comprado o “Os da minha rua”, de Ondjaki, editado pela LeYa, em 2009, ISBN: 9789896530020. Li-o todo, de uma só vez, durante o dia de hoje. Algumas das vinte e duas “estórias” da infância do autor são simplesmente divinais as quais são enriquecidas por uma escrita que corresponde fielmente à forma de falar local, as palavras completamente mirabolantes como “abuçoitos”, “cambaia”, “esculú” ou “esquindiva”, para citar algumas. A merecer claramente um lugar de destaque na biblioteca e a procura das demais obras deste autor angolano.

    Excomungados de Abril

    9 Março 2009

    excomungados-abril

    Depois dos anteriores, foi a vez de “Os Excomungados de Abril, os Empresários na Revolução”, de Filipe S. Fernandes e Hermínio Santos, editado pela Dom Quixote, em 2005, ISBN: 9722029509. Para além de ser um tema que me atrai, o livro em si mostra uma outra visão da revolução e dos anos imediatamente a seguir. Suportado por diversas entrevistas e diversas fontes bibliográficas, não deixa de ser interessante, embora por vezes algo ligeira, esta viagem pelo período aos olhos dos outros.

    Aprendi que, em todos os temas e assuntos, há que “ouvir” as diversas posições, reflectir sobre as mesmas e retirar as devidas conclusões. Por isso e pelo facto de conhecer pessoalmente algumas das pessoas referidas no livro, esta leitura foi igualmente rápida e interessante.

    23 anos depois

    9 Março 2009

    No sábado, calhou ir à Papelaria Fernandes logo de manhã para comprar um cartucho para a impressora. Aproveito este tipo de situações para apanhar ar, mais do que tudo. Para grande azar meu, não havia. Na conversa com o empregado, reparei noutro cliente que se tinha aproximado do local e algo nele parecia-me familiar. Olhei mais um pouco e a sua postura tirou-me quaisquer dúvidas. Aproximei-me e perguntei-lhe “Rodrigo?”. E não é que era mesmo?! Nada mais nada menos do que o meu colega do 9º ano, o do fim-de-semana na Arruda dos Vinhos a jogar snooker nos intervalos dos estudos! Xé! Já não o via há 23 anos! Confesso que por vezes parece-me que sou a versão humana das máquinas de leitura biométrica…

    Chegou a Angola há 1 mês. Boa sorte companheiro!

    Literatura sobre Angola

    5 Março 2009

    ginga-livro

    Graças a tanta pedalada, e ao facto de achar uma grande seca pedalar ou correr parado, acabei por encontrar soluções para a monotonia do ciclismo parado. Primeiro li o interessante “Ginga, Rainha de Angola”, de Manuel Ricardo Miranda, editado pela Oficina do Livro, em 2008, ISBN: 9789895553822. Para quem não sabe quem foi a Rainha Ginga, valerá a pena comprar e ler o livro o qual retrata também a época em que esta figura célebre angolana reinou por estas terras.

    os-holandeses

    Seguiu-se o “Os holandeses no Brasil e na costa africana, Angola, Kongo e S. Tomé (1600-1650)”, de Klaas Ratelband, editado pela Vega Editora, em 2003, ISBN: 9726996996. Comprei este livro na Feira do Livro de Luanda, depois de dar acidentalmente com ele quando me preparava para sair desiludido com o que vira no certame. Lê-lo logo a seguir ao primeiro, é excepcional. Se o do autor português é romanceado, este, escrito por um holandês e, também por isso, aborda o tema com outros olhos, é sobretudo factual e riquíssimo em fontes de informação pelo que ficamos convencidos de espelhar bem o que terá sido a realidade. Magnífico e lido de um trago, apesar de todas as tragédias que nele são relatadas. Para quem viveu em Angola, vive, sendo estrangeiro ou nacional, este é um livro que se deve ter em casa obrigatoriamente. As descrições dos lugares são excepcionais, as intrigas, Luanda, o reino do Congo, os sobas, os produtos transaccionados, a origem de alguns nomes, as relações entre os diferentes estrangeiros, o comércio, a interligação entre os diversos domínios das potências coloniais e tantos outros temas abordados. Simplesmente excepcional.

    Receita afro-mediterrânica

    3 Março 2009

    Ultimamente tenho treinado um pouco mais do que é habitual. Treinos bi-diários virados essencialmente para a resistência com aumento progressivo de velocidade. Hoje foi um desses dias (30km de bicicleta 75:00, 6km a correr 24:00), particularmente puxado. Por isso mesmo, decidi presentear-me com um repasto, digno de um rei, bem ao estilo da velha tradição da gastronomia mediterrânica. Deixo-vos aqui a receita, pois decerto acharão algo imperdível o que inventei esta noite inspirado pelos bons resultados atingidos.

    Antes de passar à receita propriamente dita, gostaria de dizer que este magnífico prato é económico e razoavelmente rápido de preparar (e comer, com a fome que estava!).  Por diversas razões, não deixo aqui a fotografia até porque não tive grandes preocupações estéticas, em termos de apresentação (queria mesmo comer o que quer que fosse que me aparecesse à frente!).

    Receita de Atum à la Arco-Íris

    Ingredientes:

    50 g de feijão verde
    3 colheres de sopa de azeite do bom
    1/2 cebola das grandes
    4 batatas novas
    1/2 pimento amarelo
    1/2 pimento vermelho
    1 tomate maduro vermelho
    1 colher de sopa de sal grosso
    1/2 colher de sopa de pimenta preta
    1 cenoura
    1 lata de atum (português, de preferência)

    Preparação:

    1. Lavar bem o feijão verde, abri-lo com uma faca qualquer e sacar tudo o que esteja lá dentro. Lavar e voltar a lavar;

    2. Pegar nas batatas, com casca, e lavá-las. Voltar a lavar. Mais uma vez. E outra;

    3. Já com a água a ferver na panela, pegar nas batas e no feijão verde e atirar para dentro da panela. De preferência a alguma distância porque a água a ferver queima!

    4. Atirar com o sal lá para dentro (da panela);

    5. Enquanto aquilo coze, pegar numa frigideira e untar bem com azeite;

    6. Pegar na cebola, entretanto picada, e colocá-la dentro da frigideira logo que o azeite já esteja suficientemente quente para acolhê-la;

    7. Entretanto, ir controlando o que se passa na panela ao lado. Uma boa forma é pegar num garfo e ir espetando as batatas para ver como estão…

    8. Ah, o tomate maduro é despedaçado o mais possível e colocado de lado à espera da sua vez;

    9. Os pimentos, depois de extraídas as partes que não interessam, são cortados em fatias;

    10. Já com a cebola alourada na frigideira, pega-se no tomate e espalha-se por cima, mexendo de seguida;

    11. Pega-se na panela, escorre-se bem e retiram-se as batatas e o feijão verde. As batatas são então cortadas às fatias, o mais finas possíveis, e colocadas, juntamente com o feijão verde, na frigideira;

    12. Logo de seguida, pega-se no pimento fatiado e procede-se de igual maneira;

    13. Com as cores todas misturadas, pega-se no atum e atira-se para dentro da frigideira, procurando fragmentá-lo o mais possível;

    14. Mexe-se bastante o que está na frigideira e espalha-se a pimenta e algumas ervas aromáticas na frigideira;

    15. Continua-se a mexer até ganhar a consistência e alguma homegeneidade de confecção;

    16. Entretanto, pega-se na cenoura, esfola-se, passa-se por água e come-se mesmo crua antes do jantar. Sabe mesmo bem!

    17. Assim que parecer que está em condições de ser comido, desliga-se o lume e despeja-se o conteúdo da frigideira num prato, até porque não há mais ninguém a ver e não há cerimónias.

    Já com o prato pronto e servido, esta noite decidimos acompanhar a refeição com pão de centeio e o excelente tinto do Dão, Cabriz Reserva 2005, o qual está à altura de tão magnífico manjar.

    À sobremesa, um pouco de Camembert com mais um bocado de pão de centeio.

    A concluir, chá verde acompanhado das excelentes ANNA’s (cappuccino thins).

    Bom apetite!

    PS-Esta receita está protegida por copyright e patenteada em Nova Iorque, Londres, Bruxelas, Lisboa, Hong-Kong, Tóquio e Buenos Aires.