Adiante

Que a “crise”  continua por aí. Vou acompanhando, mais ou menos à distância, a evolução da dita. Alguns contornos são interessantíssimos. Desde a recente divulgação que a Lehman Brothers pode ter ido ao “tapete” devido à prática proibida de naked short selling que terá estado na origem da queda vertiginosa das suas acções na bolsa, seguindo-se o colapso que culminou na presente crise até às recentes intervenções da China relativamente ao dólar americano.

Não questiono se o que se seguiu [ao colapso da Lehman Brothers] poderia ter sido evitado ou não mas se a administração Obama estará tão preocupada em punir tão severamente os autores e actores do atrás descrito com tanta energia como a que demonstrou para a devolução dos prémios atribuídos a funcionários da AIG – e como é que está o processo do mega desfalque de centenas de milhar de milhões de USD dos contribuintes americanos desaparecidos no Iraque?

As notícias, que em catadupa se atropelam nos streams, divulgam dados a uma velocidade vertiginosa. Sobre o desemprego, sobre as medidas de Obama, sobre a venda de casas usadas, sobre as medidas de Obama, sobre a venda de casas novas, sobre as medidas de Obama, sobre a forte contracção do total de plafonds atribuídos em todo o universo de cartões de crédito em circulação, sobre as medidas de Obama, sobre a revisão do PIB, sobre as medidas de Obama, sobre a variação do rendimento individual, sobre as medidas de Obama, sobre a variação da despesa individual, sobre as medidas de Obama, sobre o Chicago PMI, sobre as medidas de Obama…

Claro que mais assustador é saber-se que as exportações nipónicas caíram 49% em Fevereiro, que se prevê agora que a economia alemã possa contrair-se este ano 9%, que a Roménia teve que pedir uma “linha” de 20.000 milhões para não entrar em default, que os anúncios de intervenção de vários biliões de dólares (triliões na versão americana) estiveram na origem da recente desvalorização da divisa americana, que o último leilão de OTs britânicas não conseguiu ser colocada na sua totalidade, etc, etc, etc.

E o que dizer do imposto extraordinário de €1.000 por contribuinte a ser implementado este ano na Grécia?

Sinceramente, acho que não é de se perder muito tempo com isto. Será extremamente interessante estudar este período da história contemporânea, numa perspectiva académica, e pouco mais. Bom, a não ser forçar a alteração das regras do jogo. Tirando isso, é aproveitar o que a vida tem de melhor já que esta crise é muito original. Quem lixou a confiança?