Moeda ao ar…

É cada vez mais assim que olho para os bancos locais. Ora se tem sorte ora se tem muito azar. Mas, por cá, parece-me que a qualidade do serviço tem caído vertiginosamente. Hoje foi um daqueles dias de bradar aos céus…

Adoro ir aos bancos. Sobretudo pelo tempo que se perde, por muito bem atendidos que sejamos. Por cá, acaba por ser sempre uma verdadeira maratona. O trânsito, lugar de estacionamento, as filas (sou muito cumpridor e não gosto muito de passar à frente de ninguém) e os diálogos por vezes surrealistas com as funcionárias. Explicar que, qualquer movimento bancário, sobretudo o que tenha a ver com débitos efectuados pelo banco são passíveis de emissão de documento comprovativo desse movimento pela entidade bancária. E não só de débitos falamos. Depois, porque o sistema não emite. A seguir porque já é do ano passado e o sistema já eliminou. Para terminar com o fenomenal do está no extrato!

O melhor estava reservado para perto do fim do dia (bancário, claro). Cheguei ao banco por volta das 14:35 e, como é (a)normal, a gestora de conta não se encontrava presente. Esperei. E esperei. Esperei mais porque precisava mesmo dos documentos e não gosto de ter movimentos em aberto. Uma hora e tal depois, já perto das 16:00 e com o banco fechado, a senhora lá apareceu. Cigarro numa mão, chaves do carro na outra e uma descontração de quem já está com o espírito noutras paragens. Começou por atender uma “doutora”, independentemente de ter chegado muito depois de mim, com todo o deferimento e numa situação que eu só me ria porque se passou toda à minha frente. Então “doutora”? Qualquer dia é como no Brasil onde qualquer artista é “dôtô”. Voltando à minha queridíssima gestora de conta que me fez esta cena pela segunda vez mas, na primeira, mandei umas bocas e fui embora porque tinha mais que fazer, lá me atendeu. Fui rápido, curto e conciso. Pedi-lhe alguns comprovativos de movimentos bancários de uma certa dimensão. Olhou para aquilo e voltou a olhar. Que não podia ser naquele momento. Que deixasse ficar que “depois” trataria do assunto. Ok, aqui a minha pulsação deve ter disparado para os 150… Perante a minha estupefacção, disse-me que aquela hora já não podia fazer mais nada porque tinha que fechar o dia ao que lhe respondi que seria natural pois tinha ficado mais de 1h à sua espera… Repetiu para deixar ficar que depois tratava do assunto. Perguntei-lhe quantos anos é que demoraria a dar-me os documentos? 20, respondeu-me, perguntando de seguida se estaria bem.  Aqui as coisas azedaram um bocado… E que mandasse o nosso funcionário habitual. Estava lá eu, respondi-lhe. Nem o nosso funcionário e muito menos eu, tínhamos tempo para passar a vida no banco. Ora não havia sistema, ora não podia, ora não se encontrava no local de trabalho, ora que deixássemos, ora que ia falar com os colegas que tratam do assunto, ora que não sei o quê e não sei o que mais… E repeti que queria os documentos e se não conseguiam dar-nos a porcaria dos três papeis! E que não podia. Até porque estava a pedi-los pela primeira vez, como é que eu queria que mos desse naquele momento. Respondi-lhe então que não só tínhamos escrito a solicitá-los como o nosso funcionário já se tinha deslocado ao local inúmeras vezes sem sucesso. E perguntei-lhe, uma vez mais, se achava que nós não tínhamos mais nada para fazer a não ser passar a vida num banco à espera que nos entregassem por favor algo que era legitimamente nosso e obrigação do banco entregar ao cliente. Sem mais paciência, após perguntar-lhe com quem teria que falar uma vez que ela não era capaz de me dar os documentos solicitados, acabei por abandonar as instalações do banco. E a decisão tomada de tirar de lá todo o dinheiro. E a reflectir de como são umas bestas de uns incompetentes, displicentes, “arroguentes” e todas as palavras terminadas em “entes” que se possa imaginar e de como de vez em quando se lembram de nos contactar a perguntar porque é que não trabalhamos mais com eles, que não gostamos deles, etc e tal… Espelho, espelho meu…

Após este testamento, lá tenho alternativa a não ser bater recordes atrás de recordes?…

13 Respostas to “Moeda ao ar…”

  1. pp Says:

    lol agora ja’ percebi, foste ao ginasio a seguir a este “inteligente” encontro. :D

  2. emiele Says:

    Tchiii….
    Com essa fúria, estranho como é que a senhora dona gestora de conta não te fez a vontade e te deu os pa+eis para não tever mais lá á frente…

    Nem por coincidência, ontem também tive de passar pelo meu balcão. Passam-se muitos meses sem lá ir, porque 99% das coisas que preciso posso fazê-las pela net. Desta vez tinha de ser pessoalmente e passei por lá. Tenho de reconhecer que sou bem atendida (devo ser doutora…) as pessoas são simpáticas apesar de estarem sempre a mudar o que me desagrada porque quando começo a conhecer um funcionário ele é mudado de sítio, e não esperei que me atendessem porque nem havia fila.

    Mas depois é «o sistema» que vai abaixo! Não conheço nenhum ‘sistema’ que falhe tanto como o dos nossos bancos!!!! Gaita, com o dinheiro que têm não poderiam instalar um sistema rápido e que não estivesse sempre a ir abaixo?!
    Ou será só no meu Banco?…

  3. emiele Says:

    (a tua caixa de comentários não tem o sistema de ‘ver antes’ nem permite a gente apagar, portanto vai ter de ficar com as gralhas todas com que escrevi… Desculpem!)

  4. P Says:

    Então e que tal uma reclamaçãozinha por escrito ao dito banco? Essa gestora de conta terá concerteza um superior.

  5. miguel Says:

    oh emiele, aqui não vale a pena. Nos bancos mais recentes, funciona muito melhor e os funcionários, mais jovens, tentam, apesar de tudo, resolver os problemas. Quanto a sistemas, não sabia que por aí também havia disso! lol (não te preocupes!)

    P, ter terá mas a única linguagem que conhecem é quando o dinheiro ruma para outras paragens. Tudo o resto cai em saco roto.

  6. m.Jo Says:

    Acho que é por coisas assim que em alguns países pratica-se o vodú.

  7. Ricardo Says:

    ahahahahahaha

    ahahahaahahah

    grande miguel… olha o que eu passo todos os dias nos bancos… a ultima moda das gestoras, agora, é nem sequer atender o telefone, nem lerem os emails, então o fax… pqp, é um perigo; agora adoptei a táctica enviar tudo em simultaneo com conhecimento da chefia, acrescido de mensagem sms… apenas tenho de controlar se não fazem as coisas em quadriplicado. ehehe

    mas essa de seres cumpridor no transito… bem, essa matou-me… a sério.

    Ricardo

  8. maria Says:

    Chefe,a tua piada de seres cumpridor no trânsito deve ser igual à do padre João Eleutério. :D

    ( uma semanita em Luanda e já se está viciado em transgredir as regras de trânsito :D )

  9. P Says:

    Eu continuo a pensar que esses comportamentos persistem precisamente pq ninguém reclama :) Aliás, reclamamos connosco proprios e/ou com os amigos mas não com os responsáveis. E contra mim propria falo, pq mtas vezes simplesmente não há pachorra.

  10. Luís Says:

    BPC? :)

  11. miguel Says:

    m.Jo, bem pensado! Vou dedicar-me a isso… lol!

    Ricardo e maria, lol, se calhar expressei-me mal. Referia-me à bicha no banco… lol! Já essa táctica, Ricardo, é de terrorista! LOL!

    P, hummmmmm talvez, talvez. Aqui há vários quês. Qualquer posicionamento que se tenha acaba por ser “desprezado” porque se é estrangeiro, porque se tem a mania, etc e tal. Acho que escrevi aqui no blog uma cena que se passou comigo num restaurante espectacular em que, após reclamarmos e termos chamado a gerência, o chefe de sala inventou que lhe tínhamos chamado burro.

    Luís, não me digas que a tua gestora de conta é parecida com a minha? AHHAHAHAHA

  12. kianda Says:

    sobre bancos , cá e além mar, não faço comentários … ;-)

  13. miguel Says:

    Acho que vou colocar aqui um post tipo “ranking dos bancos angolanos”…

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