Replay

Nesta altura do ano, por sinal mais intensa em termos de trabalho, acabam por ser recorrentes as reuniões ao sábado. Neste caso foi fora de Luanda tornando o acontecimento algo “penoso”. Mais de 2 horas para chegar ao local da dita, no meio de um engarrafamento descomunal – a propósito, o CD já deve ter acabado pois vi no outro dia o 99-56 – e conós que têm carta sei lá eu como. Já no local, atrasado, tive que esperar quase 2h para reunir devido a um “imprevisto” programado inconscientemente. Sem sobressaltos, a reunião foi “rápida” e em conformidade com as expectativas e estratégias há muito definidas. É engraçado como, ao longo do tempo, muito se torna reflexo mais por comunhão de perspectivas do que por condicionalismos vários. Adiante.

O Giovanni estava eufórico como habitualmente. É uma figura incontornável da minha, da nossa, de muitas passagens por estas latitudes. Muito saber e experiência. Há sempre um. Em Moçambique era o Henriques, também conhecido por Wela Wela. Energia sem fim. Levei o comandante G. até ao R. pois este dizia-me sempre que lhe falava do Giovanni que gostaria imenso de voltar a vê-lo. Grandes kambas. Os dois juntos, são muitos quês. E riem-se, rimo-nos todos que nem uns perdidos após meia dúzia de palavras. Tantas histórias.

Saudades passadas, metemo-nos a caminho. Demos muitas e mais voltas, tentando assim escapar ao trânsito e fazendo-nos temer não chegar à cidade a tempo de evitar as nuvens cinzentas que se iam concentrando por cima de Luanda. Nem de propósito. Instantes depois de ter deixado o Giovanni em casa, caíram as primeiras gotas. Uns minutos depois e já caíam bátegas, não sendo a velocidade máxima do limpa pára-brisas suficiente para afastar toda a água que nos caía em cima. O vento fazia abanar até os semáforos como se fossem simples ramos. Mesmo assim, com velocidade reduzida, consegui chegar ao meu destino e fazer um compasso de espera na vâ tentativa da chuva acalmar. Qual quê! Piorou. Já não era só chuva forte acompanhada de vento. Começaram a cair os raios em toda a parte e mesmo por cima de nós. Relâmpagos enormes que rasgavam o negro do céu logo seguidos de trovões imponentes. Uma tempestade daquelas, famosas por estas paragens e que normalmente se seguem a dias demasiadamente quentes e abafados como o de hoje. Apesar de estar a apreciar o espectáculo que sempre é uma chuva destas – alguma vez esquecerei a chuva a atravessar o rio dos Bons Sinais em direcção a Quelimane? – tive que sair do carro e correr os 5 metros, com grandes quantidades de papeis debaixo dos braços, para chegar à zona seca desconseguindo evitar uma valente molha.

Já com menos chuva e vários papeis vistos, fui correr um bocado. Mais 10km. Hoje dediquei-me a contar quantas passadas dava num minuto. A12kmh, contei 176. Ou seja, 1,14 metros por passada. E como gosto de estatística, claro que calculei quantas passadas dei hoje durante a corrida… qualquer coisa como 9.460! Como a máquina dá o consumo calórico, também se chega ao valor por passada. Mamauêê!!! Ou seja, se comer um daqueles chocolatinhos que não gosto nada, mas mesmo mesmo nada, tenho que correr várias horas… é lixado!

A caminho da casa do príncipe, já com menos chuva mas muita água na estrada, foi possível ver alguns dos estragos provocados pela chuva forte do fim da tarde. Muita água, buracos destapados, pedras, terra, lixo, vegetação e painéis caídos. Até nas escadas dos prédios.

Depois da festa, ao levar um amigo do pai do príncipe à ponta da ilha, aproveitei para fazer um reconhecimento ao terreno pois estava programado irmos tomar um copo esta noite. Rapidamente percebemos que seria má escolha. Pelo caminho, alguns sinais recentes de grandes acidentes lembraram-nos de como é perigoso circular à noite em Luanda durante o fim-de-semana. Mais adiante, as chapas colocadas em várias obras não resistiram à chuva e ao vento e tombaram para o meio da estrada. A carga de água foi de tal forma que o trânsito estava perfeito. Quase ninguém. Melhor assim, pois a água era tanta que o inferno seria mais do que uma realidade. Caramba! Há tanto tempo que não via assim tanta água.

À chegada a casa, a chuva continua a cair mas agora com uma cadência muito menor. Imagino as notícias que sairão amanhã…

    2 Respostas to “Replay”

    1. Miguel A. Says:

      olha, na Tuga hoje de manhã faziam uns esplenderosos 10 graus às 8.30 da manhã. Frio, muito frio…

    2. miguel Says:

      Aqui o calor que perdura. Tirando hoje que esteve “fresco” lol.

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