Archive for Abril, 2019

Doutores, engenheiros e quejandos

30 Abril 2019

Numa perpétua imutabilidade na ostentação do título académico, recebi, enquanto associado, uma convocatória para a assembleia geral de uma reputadíssima câmara. Anexas à convocatória, as duas listas concorrentes para a os órgãos sociais. O que as distinguia? A incumbente apresentava-se em papel timbrado da respectiva câmara, com os nomes dos candidatos precedidos de Sr. Engº, Sr. Dr(a)., Sr(a)…. A outra, “arrivista”, em papel A4 normal, sem Sr(a). e muito menos Dr(a)., Engº(ª) e/ou outros títulos académicos.

Que país é este?

E o que mais gosto é, havendo tantos que propalam por tudo quanto é espaço a defesa da igualdade do género, é-me estranho que em 34 nomes apenas 5 sejam do sexo feminino. Ano? 2019.

Disclaimer: apesar de ter “direito”, à luz da nossa “ordem” social, à ostentação de título académico e o não faça sou, desde sempre, anti-títulos. Deveriam ser pura e simplesmente abolidos, excepção feita para quem segue uma carreira académica. Aí sim, reconheço, a alguns, uma dimensão intelectual diferente. Quanto aos demais mortais, qualquer um pode ter uma licenciatura sem que, por isso, seja mais do que os seus concidadãos.

Disclaimer2: não sou feminista. Sou adepto do mérito. Os melhores devem ocupar as mais diversas funções independentemente do seu sexo. Neste caso concreto só mesmo os homens é que são os melhores?

In Business as usual

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29 Abril 2019

Era uma vez…

in Dava-se um jeito

2019: Produtividade

29 Abril 2019

“Produtividade” tem sido um termo usado, uma e outra vez, para justificar um certo marasmo económico de que padecemos enquanto país. Sendo certo que a mesma será medida em valor, algumas situações que me deixam “brabo”…

Serviço expresso em território nacional. Não entregaram. Sem razões. Depois porque a pessoa não estava e não a contactaram. Na segunda tentativa idem. Reclamei. Resposta: “não está contratualizado que contactaremos o destinatário caso não esteja aquando da entrega”. Perguntei de imediato: “Então para que pedem o contacto telefónico?!”. E agora pergunto… não ficaria mais barato fazer uma chamada no momento do que regressar para nova tentativa de entrega? Peço a devolução. Falham a entrega. Telefono. “Onde está?”, pergunto. “No aeroporto porque tentaram entregar e não estava ninguém!”. E tentaram entregar onde? Na morada antiga e que foi abandonada em Novembro de 2018 e disso informados todos os fornecedores e prestadores de serviços, incluindo este (telefonicamente e por e-mail). Pior… fui eu que preenchi a carta de porte. No expedidor escrevi a morada actual. A entrega deveria ser nessa, certo? Errado. Errado porque alguém não actualizou a n/morada e alguém ou vários alguéns nem sequer olharam para a carta de porte do envio… Desloco-me ao aeroporto. “Vim buscar este envio!”. Aguardo. Instantes depois “quem é que lhe disse que estava aqui?”. Com a minha cara de parvo informo que foi o call center deles. “Ah foi? É que não está cá nada. O estafeta do 19 não vem cá à hora do almoço!”. Sexta-feira. Portador para o exterior no sábado. Começo a ferver. Digo que vou processá-los a sério. Pedem-me para aguardar. Dão-me o telefone do estafeta para ir ao seu encontro, a 20km de distância.

Resumindo: como não tenho mais nada para fazer, corro Lisboa de uma ponta à outra para resolver um problema criado pela transportadora. Corolário do episódio: a incompetência é inconsequente. Tudo continua, tranquilamente. Perante reclamações violentas que fiz, por e-mail, informaram-me que não vão facturar nada. A sério? Deviam era pagar-me o meu tempo, combustível, estacionamento, portagens e o custo de manutenção/desgaste do meu carro pessoal para resolver o problema que me criaram.

Continuando…

Seguradora multinacional germânica. Também não mudaram a morada. Telefono para o número que aparece no Aviso de Recibo. Espero mais de 30 minutos para ser atendido. Pergunto como proceder para que alterem a morada (normalmente enviava-me o banco tudo por e-mail mas ainda foi parar este aviso à morada antiga). Depois de consultarem a apólice, constatam que sou cliente do banco comprado pelos espanhóis. “Ah, os clientes do banco comprado pelos espanhóis têm um número de telefone dedicado. Tem que ligar para o 21…”. Penso para comigo “a sério?!”. Não protesto porque a senhora não tem culpa. Mas apetecia-me atirar com o telemóvel à cabeça de alguém. Ligo para o número dedicado. Mais quase 30 minutos de espera. Atendem. Apresento um protesto prévio agradecendo o excelente serviço prestado e que se havia um número dedicado, o mesmo deveria constar no Aviso de Recibo para evitar ligar para o geral, incapaz de transferir a chamada para a área dedicada, e depois ter que ligar novamente para o número dedicado. E claro que não pude mudar a morada. Tenho que enviar um e-mail a solicitar o mesmo…

Resumindo: Kafka está vivo! E bem vivo!!!

Estamos em 2019.

Estamos em 2019. Repetindo talvez faça mais sentido. Mas não. Antes pelo contrário! Com tanta revolução tecnológica, os processos continuam a padecer de entraves que fazem os clientes perder tempo precioso. Tempo. Precioso. Mas alguém quer saber disso para alguma coisa?

Pergunto-me quem é que fará análise de processos. Palpito que muito pouca gente. Talvez numa abordagem macro sem conhecimento do terreno. E é transversal à economia, à sociedade. É o mindset das gordas (imprensa). Não se detalha. Não se investiga. Não se apura. É o conceito do vai-se fazendo. Do quero lá saber e não me chateiem muito que tenho mais o que fazer… Ou como diria uma amiga minha há dias, é como se as organizações funcionassem em modo automático e que tudo acaba por acontecer porque sim.

O que acho, sinceramente, é que tudo tem a ver com o factor humano. De cima a baixo. Começa no indiferenciado e chega ao administrador. Acho que é cultural. Dito isto, está sol e o melhor é mesmo ir para a praia já que o resto, logo se vê…

in Kafka rules