Doutores, engenheiros e quejandos

Numa perpétua imutabilidade na ostentação do título académico, recebi, enquanto associado, uma convocatória para a assembleia geral de uma reputadíssima câmara. Anexas à convocatória, as duas listas concorrentes para a os órgãos sociais. O que as distinguia? A incumbente apresentava-se em papel timbrado da respectiva câmara, com os nomes dos candidatos precedidos de Sr. Engº, Sr. Dr(a)., Sr(a)…. A outra, “arrivista”, em papel A4 normal, sem Sr(a). e muito menos Dr(a)., Engº(ª) e/ou outros títulos académicos.

Que país é este?

E o que mais gosto é, havendo tantos que propalam por tudo quanto é espaço a defesa da igualdade do género, é-me estranho que em 34 nomes apenas 5 sejam do sexo feminino. Ano? 2019.

Disclaimer: apesar de ter “direito”, à luz da nossa “ordem” social, à ostentação de título académico e o não faça sou, desde sempre, anti-títulos. Deveriam ser pura e simplesmente abolidos, excepção feita para quem segue uma carreira académica. Aí sim, reconheço, a alguns, uma dimensão intelectual diferente. Quanto aos demais mortais, qualquer um pode ter uma licenciatura sem que, por isso, seja mais do que os seus concidadãos.

Disclaimer2: não sou feminista. Sou adepto do mérito. Os melhores devem ocupar as mais diversas funções independentemente do seu sexo. Neste caso concreto só mesmo os homens é que são os melhores?

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