Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Europeias 2019

13 Maio 2019

Enquanto tomo o café, depois do jantar, decidi-me pela RTP3 e assisto, estoicamente, ao debate entre os candidatos dos partidos pequenos. Duas ausências: Marinho Pinto e André Ventura. Não gosto de nenhum. Mas é interessante perceber que, para o segundo, o futebol é mais importante.

Debate morto. Interessantes apenas o Sande (Aliança), o Tavares (Livre), o Arroja (Iniciativa Liberal) e o Júdice (PCTP/MRPP). Interessantes, ie, profissionais e, por isso, com um discurso estruturado, pensado, reflectido e sem tropeções. Visões bem diferentes de tudo.

Os outros, são o reflexo da desgraça que grassa por esse país fora. O PAN é aquela cena “ah os animais, coiso e tal”. Entendi. O do MAS, para além de ter o (eterno) Gil Garcia no 4º lugar, é feito de chavões e mais chavões e um rabo de cavalo à Iglésias. “Podemos”? Espero que não. Ainda não percebi o que é que o PURP defende (“eu sou mais velho?!”). O PNR é Portugal über alles (ouvi o tempo de antena deles na Comercial a caminho de casa e quase parava para vomitar). O Morais é uma seca. E quase que me esquecia do PTP (o do Coelho, da Madeira)…

Venham os grandes…

in Ground control to Major Tom…

 

Insanidade

3 Maio 2019

A classe política demonstrou ontem, mais uma vez, a sua verdadeira natureza. O poder a todo o custo, nem que isso represente a estabilidade do país.

in Aqui vamos nós (outra vez)

Gravidade

2 Maio 2019

Newton estava errado. Maduro não cai. Não fosse tudo brutalmente trágico, até seria divertido, de vez em quando, num processo masoquista, ver aquela figura medonha discursar, arrastando os “érres”, em modo brainwash em que invoca tudo e mais alguma coisa, desde Marx, a Bolívar, passando por Chavez e até Jesus Cristo…

Vazio. No fundo, é o profundo vazio, a ausência de ideias, de tudo, da incapacidade de elaborar um pensamento estruturado (e que faça sentido) em prol do bem colectivo. E é, cada vez mais, uma realidade que se espalha por esse mundo fora. Assustador.

 

Passional?

1 Maio 2019

Nunca perceberei o mindset por detrás de um crime designado por “passional”. Ultrapassa-me. Ultrapassa-me o sentimento de posse de alguém por outrém. Alguém que entenda que o outro, normalmente do sexo feminino, seja sua propriedade pessoal e exclusiva, sobre a qual pode pôr e dispôr a seu bel-prazer. Condicionar, manietar, manipular, infligir, agredir, violentar e, enfim, ferir ou matar. Nunca perceberei. Por isso perguntar-me-ei sempre: passional?

O defeito de fabrico e de construção de certas personalidades constituem, na realidade, um falhanço colectivo. Nós, enquanto sociedade, não percebemos e não evoluímos no sentido de anular e corrigir certas anomalias do “eu” alheio de modo a proteger um de nós.

Muito haveria a dizer mas é um assunto extremamente triste e de difícil compreensão.

In Quando é que vai parar?

Doutores, engenheiros e quejandos

30 Abril 2019

Numa perpétua imutabilidade na ostentação do título académico, recebi, enquanto associado, uma convocatória para a assembleia geral de uma reputadíssima câmara. Anexas à convocatória, as duas listas concorrentes para a os órgãos sociais. O que as distinguia? A incumbente apresentava-se em papel timbrado da respectiva câmara, com os nomes dos candidatos precedidos de Sr. Engº, Sr. Dr(a)., Sr(a)…. A outra, “arrivista”, em papel A4 normal, sem Sr(a). e muito menos Dr(a)., Engº(ª) e/ou outros títulos académicos.

Que país é este?

E o que mais gosto é, havendo tantos que propalam por tudo quanto é espaço a defesa da igualdade do género, é-me estranho que em 34 nomes apenas 5 sejam do sexo feminino. Ano? 2019.

Disclaimer: apesar de ter “direito”, à luz da nossa “ordem” social, à ostentação de título académico e o não faça sou, desde sempre, anti-títulos. Deveriam ser pura e simplesmente abolidos, excepção feita para quem segue uma carreira académica. Aí sim, reconheço, a alguns, uma dimensão intelectual diferente. Quanto aos demais mortais, qualquer um pode ter uma licenciatura sem que, por isso, seja mais do que os seus concidadãos.

Disclaimer2: não sou feminista. Sou adepto do mérito. Os melhores devem ocupar as mais diversas funções independentemente do seu sexo. Neste caso concreto só mesmo os homens é que são os melhores?

In Business as usual

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29 Abril 2019

Era uma vez…

in Dava-se um jeito

2019: Produtividade

29 Abril 2019

“Produtividade” tem sido um termo usado, uma e outra vez, para justificar um certo marasmo económico de que padecemos enquanto país. Sendo certo que a mesma será medida em valor, algumas situações que me deixam “brabo”…

Serviço expresso em território nacional. Não entregaram. Sem razões. Depois porque a pessoa não estava e não a contactaram. Na segunda tentativa idem. Reclamei. Resposta: “não está contratualizado que contactaremos o destinatário caso não esteja aquando da entrega”. Perguntei de imediato: “Então para que pedem o contacto telefónico?!”. E agora pergunto… não ficaria mais barato fazer uma chamada no momento do que regressar para nova tentativa de entrega? Peço a devolução. Falham a entrega. Telefono. “Onde está?”, pergunto. “No aeroporto porque tentaram entregar e não estava ninguém!”. E tentaram entregar onde? Na morada antiga e que foi abandonada em Novembro de 2018 e disso informados todos os fornecedores e prestadores de serviços, incluindo este (telefonicamente e por e-mail). Pior… fui eu que preenchi a carta de porte. No expedidor escrevi a morada actual. A entrega deveria ser nessa, certo? Errado. Errado porque alguém não actualizou a n/morada e alguém ou vários alguéns nem sequer olharam para a carta de porte do envio… Desloco-me ao aeroporto. “Vim buscar este envio!”. Aguardo. Instantes depois “quem é que lhe disse que estava aqui?”. Com a minha cara de parvo informo que foi o call center deles. “Ah foi? É que não está cá nada. O estafeta do 19 não vem cá à hora do almoço!”. Sexta-feira. Portador para o exterior no sábado. Começo a ferver. Digo que vou processá-los a sério. Pedem-me para aguardar. Dão-me o telefone do estafeta para ir ao seu encontro, a 20km de distância.

Resumindo: como não tenho mais nada para fazer, corro Lisboa de uma ponta à outra para resolver um problema criado pela transportadora. Corolário do episódio: a incompetência é inconsequente. Tudo continua, tranquilamente. Perante reclamações violentas que fiz, por e-mail, informaram-me que não vão facturar nada. A sério? Deviam era pagar-me o meu tempo, combustível, estacionamento, portagens e o custo de manutenção/desgaste do meu carro pessoal para resolver o problema que me criaram.

Continuando…

Seguradora multinacional germânica. Também não mudaram a morada. Telefono para o número que aparece no Aviso de Recibo. Espero mais de 30 minutos para ser atendido. Pergunto como proceder para que alterem a morada (normalmente enviava-me o banco tudo por e-mail mas ainda foi parar este aviso à morada antiga). Depois de consultarem a apólice, constatam que sou cliente do banco comprado pelos espanhóis. “Ah, os clientes do banco comprado pelos espanhóis têm um número de telefone dedicado. Tem que ligar para o 21…”. Penso para comigo “a sério?!”. Não protesto porque a senhora não tem culpa. Mas apetecia-me atirar com o telemóvel à cabeça de alguém. Ligo para o número dedicado. Mais quase 30 minutos de espera. Atendem. Apresento um protesto prévio agradecendo o excelente serviço prestado e que se havia um número dedicado, o mesmo deveria constar no Aviso de Recibo para evitar ligar para o geral, incapaz de transferir a chamada para a área dedicada, e depois ter que ligar novamente para o número dedicado. E claro que não pude mudar a morada. Tenho que enviar um e-mail a solicitar o mesmo…

Resumindo: Kafka está vivo! E bem vivo!!!

Estamos em 2019.

Estamos em 2019. Repetindo talvez faça mais sentido. Mas não. Antes pelo contrário! Com tanta revolução tecnológica, os processos continuam a padecer de entraves que fazem os clientes perder tempo precioso. Tempo. Precioso. Mas alguém quer saber disso para alguma coisa?

Pergunto-me quem é que fará análise de processos. Palpito que muito pouca gente. Talvez numa abordagem macro sem conhecimento do terreno. E é transversal à economia, à sociedade. É o mindset das gordas (imprensa). Não se detalha. Não se investiga. Não se apura. É o conceito do vai-se fazendo. Do quero lá saber e não me chateiem muito que tenho mais o que fazer… Ou como diria uma amiga minha há dias, é como se as organizações funcionassem em modo automático e que tudo acaba por acontecer porque sim.

O que acho, sinceramente, é que tudo tem a ver com o factor humano. De cima a baixo. Começa no indiferenciado e chega ao administrador. Acho que é cultural. Dito isto, está sol e o melhor é mesmo ir para a praia já que o resto, logo se vê…

in Kafka rules

21 Fevereiro 2019

Foi como se me tivesses pegado, atirado ao ar, uma e outra vez, agarrado, atirado contra a parede, entrelaçado em mim, trincado suavemente os lábios antes do primeiro beijo, seguido de muitos mais, mãos nos meus cabelos em movimentos suaves mas decididos, o teu olhar intenso a arder de desejo. E foi assim. E voámos. Sem destino, sem tempo, sem rota anunciada, só os dois felizes e apreciando cada segundo de nós. Estava incrédulo porque no paraíso. Tudo era luz. Tudo era tão bom. Tudo era perfeito. Onde é que há espaço para o contrário quando se está invadido por tanta felicidade?

A pior parte dos sonhos é acordar, sobretudo quando são extraordinários. Mas foi assim. Confesso que viveria este sonho em modo replay até se esgotar a bateria. O wishful thinking serve apenas como amparo de alma nestes casos, até porque raramente os sonhos se repetem…

in ad infinitum

Destino

21 Fevereiro 2019

SD ou Sem Destino. Quão profético. Embora, por norma, o pensasse com mais um elemento deliberadamente omisso: [anunciado].

in Say whaaaaaat?

Tendêquê?

21 Fevereiro 2019

Aprecio o apuradíssimo sentido estético que me rodeia, confesso. Sou um adorador da beleza pura, natural e não resultante de qualquer bisturi mais apurado. E do que faz sentido e é harmonioso. Pese embora, também é verdade, o meu gosto não ser consensual junto de quem me conhece.

E também acho interessantes as novas tendências, do que se vai fazendo, do que apela ao bom gosto dos sentidos. Ontem, numa das minhas saídas, acabei por tomar café fora depois do almoço. Enquanto esperava a minha vez, fui observando as pessoas nas imediações. E eis que, de repente, algo de gritante se apoderou da minha atenção. As mãos de uma mulher que conversava animadamente com as suas amigas, enquanto esperava a sua vez. Olhei e voltei a olhar. Muitas vezes. Irresistível. As unhas (falsas) dela eram um verdadeiro bálsamo para os sentidos e um exemplo clássico de bom gosto. Todas diferentes, em cor e desenho, e com um sentido estético fenomenal. Ora brancas, ora rosa, ora pretas, ora cinzentas, com riscos e quadrados de cores diversas lá no meio e a parte branca característica da manicure francesa, às cores: branca, preta, azul, cinzenta, etc.

Não sei o que passará pela cabeça das pessoas. Mas também, no caso em apreço, qualquer que fosse o estilo escolhido ficaria sempre mal. Mas esta indústria tem conseguido vender muito bem uma colecção de horrores que entram pelos nossos olhos dentro, no dia a dia. O mundo seria muito melhor se o vermelho, de tons variados até ao muito escuro, continuasse a ser a tendência…

in A sério?

Sim…

21 Fevereiro 2019

Sei-te, como a mim.

O determinismo do tem que ser nem sempre deveria prevalecer sobre o livre-arbítrio. Quanto mais não seja por colocar de lado, de forma algo inexorável, esse mundo extraordinário que são as emoções, os afectos, em suma, o sentir.

in divagações de coffee break a 35.000 pés

Hoje sinto-me assim

20 Fevereiro 2019

[]

in Estados de alma

A felicidade de S.

19 Fevereiro 2019

S. era a mais simpática na recepção. De longe. Aparentemente genuína e aquela a quem eu achava mais piada. Quando por ali passava, e ela estava de serviço, raramente passávamos do cumprimento ocasional exceptuando uma única vez. Sem qualquer aviso, após o corriqueiro “boa tarde” irrompeu num pranto desmedido. E desabafou. Mais e mais. Muito mais do que eu quereria [saber]. Serenou depois de falar uns bons vinte minutos. Pediu-me desculpa à saída sem que houvesse qualquer necessidade para tal. Nunca me interessou a vida alheia, por feitio. Mas jamais recusei emprestar um ombro a quem conhecesse minimamente (e mesmo desconhecidos, confesso, desde que para tal tivesse tempo).

Hoje, ao passar por lá, cumprimentei-a, como sempre, e perguntei-lhe como estava. Ao que me respondeu:

– Lá em casa?

– … (nem me deixou responder que não)

– Está tudo bem. Agora. O meu marido pergunta-me sempre “queres ter razão ou ser feliz?” e realmente acho que tem razão. – e sorriu de seguida.  Não sei se o olhar perscrutador procurava, em vão, qualquer sinal de aquiescência ou não.

Despedi-me, arrepiado. Cada qual é feliz à sua maneira.

You were sayin’…?

17 Fevereiro 2019

hor

E porque o erotismo é parte fundamental da vida, a reler um livro de 2004 que foi considerado o livro mais perverso e divertido do ano.

 

Diamond

17 Fevereiro 2019

Pussy Galore: My name is Pussy Galore.
James Bond: I must be dreaming.

E de repente…

13 Fevereiro 2019

…o assombro do (des)conhecido.

E se me tivessem dito, há umas semanas atrás, que em 2019 viveria um evento singular, eu jamais acreditaria. Quanto mais não seja porque as probabilidades de se viver tal [evento] são extremamente baixas, para não dizer residuais. E ele aí está. De forma simples, inesperada, tranquila, como se de uma simples brisa suave de verão se tratasse. Assim. Porque sim. Como tudo o que é muito bom na vida e a torna algo de verdadeiramente fenomenal. Estou a adorar esta viagem.

(E)going

11 Fevereiro 2019

Bond: So you want me to be half-monk, half-hitman.
M: Any thug can kill. I need you to take your ego out of the equation.

10

9 Fevereiro 2019

Regressado.

A fazer nova roupagem, afinal 10 anos são muitos dias…

Reinício

1 Maio 2009

Aqui.

Ending

7 Abril 2009

Esta será a última semana do SDblog no wordpress. Pelas razões apontadas num post escrito há uns dias, estou de saída porque fartei-me dos muadiês. O modelo servirá para a grande maioria, daí o seu sucesso, mas já não me serve, sinto-me “apertado”. Até à abertura da próxima casa, é natural que surja algum “silêncio” por aqui.

Um abraço a todos!

Patrão em quê?

7 Abril 2009

Apesar do assunto ser sério, bastante sério, não consigo parar de rir. O “patrão” foi ao banco levantar dinheiro para pagar os salários e terá fugido? E se o homem foi:

a) assaltado e atirado para uma vala?
b) sequestrado e assaltado?
c) acometido de insanidade temporária?
d) tenha tropeçado a caminho da fábrica com o saco do dinheiro, batido com a cabeça num poste e esteja nas urgências do hospital?
e) tenha tido uma indisposição momentânea e esteja em casa a recuperar?

(mas ainda se pagam salários em dinheiro?!)

Ser emigrante

6 Abril 2009

(Dá nisto!)

Ando mortinho para ir a um concerto do Nelson Ritchie. A tão badalada “Só quero ser o teu herói” é a minha preferida. Toca-me profundamente pá. Um gajo está aqui, longe, e estas coisas, enfim…

Eu não sou nada de coisas alternativas, cheias de macambúzios alienados que gostam de pairar uns centímetros acima de nós, simples mortais e incomodamente banais. Tenho que ir ao concerto do Nelson. Como gostaria que fosse lá na aldeia, no verão. Onde toda a gente se conhece, onde se “checam”, verão após verão, as novas “revelações” em ambiente festivo propício à “festa”. Ai as festas na aldeia. Cheias de moçoilas, daquelas que chegam e dizem “Olá! Eu acabei de chegar e ainda não conheço nenhuma rapariga. Queres ser minha amiga?”. Há lá coisa mais pura que esta?

Às vezes é lixado ser de Lisboa… Também gostava de ter a minha aldeia.

Ontem

5 Abril 2009

Foi feriado por cá.

No dia 4 de Abril de 2002, o governo e a UNITA assinavam os acordos de paz que punham fim ao conflito que eclodiu após as eleições de 1992. Muito mudou desde então. E, contrariamente ao que muitos dirão, sobretudo os recém-chegados, as diferenças são assinaláveis. A título de exemplo, já não se vê a polícia militar de Harley Davidson…

Disseram-me ao início da noite que 5ª feira há tolerância de ponto à tarde. Fiquei apalermado. 5ª feira? Só depois me informaram, do outro lado da “linha”, que esta é a 6ª feira santa…

Aos anos!

3 Abril 2009

vpo_ointment_lgQue já não o usava. Mas há 3 noites, suei de tal forma e dormi tão mal que acabei por comprar um boião (a que juntei vitamina C e aspirinas).  O efeito é sensacional, sem dúvida. A usar novamente, 30 anos depois!

48:02

1 Abril 2009

Novo recorde pessoal aos 10.000m, na segunda-feira, 30.03.2009.

Jacuzi

1 Abril 2009

Depois de 500 metros nadados, com o céu coberto de nuvens e a trovejar, encerro a hora do almoço no jacuzi. Aliás, este post é uma estreia. Mais logo, nova tentativa de melhorar tempos pois Setembro está à porta e a manhã foi repleta de emoções nos bancos…

6 anos

29 Março 2009

Fez no dia 7 de Março, 6 anos que cheguei a Angola. Com outros tantos de Moçambique e já lá vão 12. Jamais esquecerei quando me perguntaram ao chegar a Moçambique pela segunda vez, por quanto tempo ia ao que respondi na altura que por 2 anos no máximo. Sorriram e disseram-me que também eles o diziam anteriormente.

Replay

29 Março 2009

Nesta altura do ano, por sinal mais intensa em termos de trabalho, acabam por ser recorrentes as reuniões ao sábado. Neste caso foi fora de Luanda tornando o acontecimento algo “penoso”. Mais de 2 horas para chegar ao local da dita, no meio de um engarrafamento descomunal – a propósito, o CD já deve ter acabado pois vi no outro dia o 99-56 – e conós que têm carta sei lá eu como. Já no local, atrasado, tive que esperar quase 2h para reunir devido a um “imprevisto” programado inconscientemente. Sem sobressaltos, a reunião foi “rápida” e em conformidade com as expectativas e estratégias há muito definidas. É engraçado como, ao longo do tempo, muito se torna reflexo mais por comunhão de perspectivas do que por condicionalismos vários. Adiante.

O Giovanni estava eufórico como habitualmente. É uma figura incontornável da minha, da nossa, de muitas passagens por estas latitudes. Muito saber e experiência. Há sempre um. Em Moçambique era o Henriques, também conhecido por Wela Wela. Energia sem fim. Levei o comandante G. até ao R. pois este dizia-me sempre que lhe falava do Giovanni que gostaria imenso de voltar a vê-lo. Grandes kambas. Os dois juntos, são muitos quês. E riem-se, rimo-nos todos que nem uns perdidos após meia dúzia de palavras. Tantas histórias.

Saudades passadas, metemo-nos a caminho. Demos muitas e mais voltas, tentando assim escapar ao trânsito e fazendo-nos temer não chegar à cidade a tempo de evitar as nuvens cinzentas que se iam concentrando por cima de Luanda. Nem de propósito. Instantes depois de ter deixado o Giovanni em casa, caíram as primeiras gotas. Uns minutos depois e já caíam bátegas, não sendo a velocidade máxima do limpa pára-brisas suficiente para afastar toda a água que nos caía em cima. O vento fazia abanar até os semáforos como se fossem simples ramos. Mesmo assim, com velocidade reduzida, consegui chegar ao meu destino e fazer um compasso de espera na vâ tentativa da chuva acalmar. Qual quê! Piorou. Já não era só chuva forte acompanhada de vento. Começaram a cair os raios em toda a parte e mesmo por cima de nós. Relâmpagos enormes que rasgavam o negro do céu logo seguidos de trovões imponentes. Uma tempestade daquelas, famosas por estas paragens e que normalmente se seguem a dias demasiadamente quentes e abafados como o de hoje. Apesar de estar a apreciar o espectáculo que sempre é uma chuva destas – alguma vez esquecerei a chuva a atravessar o rio dos Bons Sinais em direcção a Quelimane? – tive que sair do carro e correr os 5 metros, com grandes quantidades de papeis debaixo dos braços, para chegar à zona seca desconseguindo evitar uma valente molha.

Já com menos chuva e vários papeis vistos, fui correr um bocado. Mais 10km. Hoje dediquei-me a contar quantas passadas dava num minuto. A12kmh, contei 176. Ou seja, 1,14 metros por passada. E como gosto de estatística, claro que calculei quantas passadas dei hoje durante a corrida… qualquer coisa como 9.460! Como a máquina dá o consumo calórico, também se chega ao valor por passada. Mamauêê!!! Ou seja, se comer um daqueles chocolatinhos que não gosto nada, mas mesmo mesmo nada, tenho que correr várias horas… é lixado!

A caminho da casa do príncipe, já com menos chuva mas muita água na estrada, foi possível ver alguns dos estragos provocados pela chuva forte do fim da tarde. Muita água, buracos destapados, pedras, terra, lixo, vegetação e painéis caídos. Até nas escadas dos prédios.

Depois da festa, ao levar um amigo do pai do príncipe à ponta da ilha, aproveitei para fazer um reconhecimento ao terreno pois estava programado irmos tomar um copo esta noite. Rapidamente percebemos que seria má escolha. Pelo caminho, alguns sinais recentes de grandes acidentes lembraram-nos de como é perigoso circular à noite em Luanda durante o fim-de-semana. Mais adiante, as chapas colocadas em várias obras não resistiram à chuva e ao vento e tombaram para o meio da estrada. A carga de água foi de tal forma que o trânsito estava perfeito. Quase ninguém. Melhor assim, pois a água era tanta que o inferno seria mais do que uma realidade. Caramba! Há tanto tempo que não via assim tanta água.

À chegada a casa, a chuva continua a cair mas agora com uma cadência muito menor. Imagino as notícias que sairão amanhã…

    Adiante

    25 Março 2009

    Que a “crise”  continua por aí. Vou acompanhando, mais ou menos à distância, a evolução da dita. Alguns contornos são interessantíssimos. Desde a recente divulgação que a Lehman Brothers pode ter ido ao “tapete” devido à prática proibida de naked short selling que terá estado na origem da queda vertiginosa das suas acções na bolsa, seguindo-se o colapso que culminou na presente crise até às recentes intervenções da China relativamente ao dólar americano.

    Não questiono se o que se seguiu [ao colapso da Lehman Brothers] poderia ter sido evitado ou não mas se a administração Obama estará tão preocupada em punir tão severamente os autores e actores do atrás descrito com tanta energia como a que demonstrou para a devolução dos prémios atribuídos a funcionários da AIG – e como é que está o processo do mega desfalque de centenas de milhar de milhões de USD dos contribuintes americanos desaparecidos no Iraque?

    As notícias, que em catadupa se atropelam nos streams, divulgam dados a uma velocidade vertiginosa. Sobre o desemprego, sobre as medidas de Obama, sobre a venda de casas usadas, sobre as medidas de Obama, sobre a venda de casas novas, sobre as medidas de Obama, sobre a forte contracção do total de plafonds atribuídos em todo o universo de cartões de crédito em circulação, sobre as medidas de Obama, sobre a revisão do PIB, sobre as medidas de Obama, sobre a variação do rendimento individual, sobre as medidas de Obama, sobre a variação da despesa individual, sobre as medidas de Obama, sobre o Chicago PMI, sobre as medidas de Obama…

    Claro que mais assustador é saber-se que as exportações nipónicas caíram 49% em Fevereiro, que se prevê agora que a economia alemã possa contrair-se este ano 9%, que a Roménia teve que pedir uma “linha” de 20.000 milhões para não entrar em default, que os anúncios de intervenção de vários biliões de dólares (triliões na versão americana) estiveram na origem da recente desvalorização da divisa americana, que o último leilão de OTs britânicas não conseguiu ser colocada na sua totalidade, etc, etc, etc.

    E o que dizer do imposto extraordinário de €1.000 por contribuinte a ser implementado este ano na Grécia?

    Sinceramente, acho que não é de se perder muito tempo com isto. Será extremamente interessante estudar este período da história contemporânea, numa perspectiva académica, e pouco mais. Bom, a não ser forçar a alteração das regras do jogo. Tirando isso, é aproveitar o que a vida tem de melhor já que esta crise é muito original. Quem lixou a confiança?

    Coisas da Terra

    20 Março 2009

    Fonte: Reuters

    Impressionante a erupção submarina ocorrida hoje ao largo de Tonga, no Oceano Pacífico. Noutras fotografias que vi, tiradas de outras localizações, dá mesmo a sensação de se ver um cogumelo atómico. Escapámos a algo do género, no dia 2 de Março, graças à passagem de raspão pela Terra do asteróide DD45 2009, apenas descoberto a 27 de Fevereiro, a 72.000km do planeta…